Do Meio-Dia à Meia-Noite na Maçonaria


Na simbologia maçônica, o período do meio-dia à meia-noite representa muito mais do que a simples passagem das horas. Trata-se de uma alegoria do trabalho contínuo do maçom, da plenitude da luz ao recolhimento reflexivo, marcando a jornada do aperfeiçoamento moral e espiritual.

meio-dia, quando o Sol se encontra no ponto mais alto do céu, simboliza a plenitude da luz, da razão e da consciência. 

É o momento em que o obreiro maçom trabalha com clareza, discernimento e vigor, colocando em prática os ensinamentos recebidos. 

Assim como o Sol ilumina sem distinção, o maçom é chamado a agir com justiça, fraternidade e equilíbrio, irradiando luz moral sobre seus atos e pensamentos.

À medida que o dia avança rumo ao entardecer, a simbologia nos recorda que o trabalho humano é constante, mas também sujeito às limitações do tempo e da matéria. 

O cair da tarde representa a maturidade das ações, o momento de avaliar os frutos colhidos e reconhecer os acertos e imperfeições do próprio labor.

Por fim, a meia-noite simboliza o recolhimento, o silêncio e a introspecção. 

Não é o fim do trabalho, mas a pausa necessária para a reflexão interior. 

É quando o maçom revisita seus pensamentos, examina sua consciência e prepara-se para um novo ciclo de aprendizado e aprimoramento. 

A escuridão da meia-noite não é ausência de luz, mas convite ao autoconhecimento, onde a chama interior deve permanecer acesa.

Assim, do meio-dia à meia-noite, a Maçonaria ensina que a verdadeira obra não se limita às horas formais da Loja, mas se estende à vida cotidiana. 

O maçom é um trabalhador permanente do bem, que busca, em cada instante, transformar a si mesmo em uma pedra cada vez mais polida, apta a integrar o grande edifício da humanidade.

Esse intervalo simbólico nos lembra que o trabalho começa na luz da razão e termina no silêncio da consciência, onde cada homem é juiz de si mesmo e guardião de sua própria evolução.

Comentarios

  1. Os rituais de Lojas Simbólicas do Rito Escocês Antigo e Aceito trazem, logo na abertura - e também no encerramento dos trabalhos - perguntas acerca do horário de trabalho do Maçom. A informação é de que eles iniciam os trabalhos ao meio-dia, se estendendo até a meia-noite.

    - Mas o que significa trabalhar do Meio-Dia à Meia-Noite?

    A Maçonaria, na sua passagem de Operativa para Especulativa atraiu intelectuais de diversas correntes de pensamentos, que agregaram elementos místicos e ocultistas tirados da Bíblia, da Cabala, do hermetismo, da Ordem Rosacruz (Amorc), da astrologia e de antigas religiões e processos iniciáticos.

    Por conta disso, algumas palavras, expressões e frases têm a sua lógica interpretada de acordo com as doutrinas e o simbolismo das ciências ocultas de que tanto se utilizou a Maçonaria entre os séculos XVIII e XIX.

    No caso “Do Meio-Dia à Meia-Noite”, a citação não deve ser interpretada no seu sentido literal, mas observado o seu sentido simbólico. Ragon, citado por Boucher (2000), aponta para a astrologia a explicação para a significação esotérica dessa expressão. A astrologia, segundo ele, da mesma forma em que divide o ano em 12 meses (ou signos), também divide o dia em 12 correntes astrais (ou casas). Cada uma dessas casas possui um caráter determinado. Nesse sistema o Meio-Dia corresponde à 10ª casa. O pôr do Sol está representado pela 7ª casa e a Meia-Noite à 4ª casa.

    Ragon explica que ao Meio-Dia o Sol sai da 10ª casa (a casa dos negócios e da situação social) para voltar à 9ª casa (da religião e do impulso espiritual). Portanto, ao serem abertos os trabalhos de caráter filosófico, abandona-se a 10ª casa, indo para a anterior, que tem a essência da religião e das questões espirituais.

    Depois da 9ª casa, o Sol atravessa a 8ª - a da morte, da desagregação do antigo e do nascimento em um plano superior. Os astrólogos deram e esta parte do céu o sentido da ‘INICIAÇÃO’. Depois vem a 7ª casa, a do amor não físico, da dedicação e da vida social.

    A 6ª casa é a do serviço. A passagem da 7ª casa para a 6ª casa é interpretada como o indício de que o Maçom não espera recompensa da sua ação social, mas que se prepara para encontrar os espinhos da 6ª casa. Daí nasce a criação, síntese da 5ª casa, depois da qual o ciclo termina pela 4ª casa, cujo sentido principal é o fim das coisas.

    Esta fórmula ritualística resume a evolução iniciática, lembrando que cada parte do dia possui uma influência real sobre o ser humano.

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  2. Na tradição chinesa, a Escola de Zoroastro considera que do “Meio-Dia à Meia-Noite”, quando cresce a influência subjetiva do Sol, é o período mais indicado para o estudo e o desenvolvimento intelectual e espiritual do ser humano.

    Os estudiosos do Zoroastrismo consideravam o período do Meio-Dia à Meia-Noite propício às coisas do espírito. Possivelmente por conta dessa particularidade a Maçonaria resolveu colocar os seus obreiros para, simbolicamente, trabalharem durante esse período.

    Mas há também a interpretação de que o Meio-Dia é o momento em que há mais luz e a Meia-Noite é o período de maior escuridão. O início dos trabalhos ao Meio-Dia significa a hora em que o Sol encontra-se no Zênite, na plenitude do seu poder luminoso, significando dizer que o homem está capacitado a trabalhar pelos seus semelhantes.

    O encerramento dos trabalhos à Meia-Noite significa dizer a hora em que a luz do dia já não se faz presente, por o Sol estar no Nadir. É a hora em que não se pode mais atuar eficazmente sobre os obreiros.

    Gedalge (2000) sugere que é preciso ver nessas horas de trabalho o simbolismo do malho batendo sobre o cinzel, no desbaste da pedra bruta, quando realizamos a árdua tarefa de lapidar os nossos próprios defeitos e imperfeições, procurando melhorar o nosso Templo interior e produzir em abundância sentimentos como a fraternidade, carinho, amor, compreensão, verdade, tolerância, harmonia e desapego às coisas materiais, para podermos distribuí-los não apenas no universo maçônico, mas também no mundo profano, entre nossos filhos, amigos, familiares, colegas de trabalho e vizinhos.

    Não poderemos repartir essas virtudes se não as praticarmos e não as produzirmos em grandes quantidades.

    Quem pouco produz, pouco tem a oferecer, a repartir.

    É preciso ser solidário. Por meio desse sentimento, os Maçons se unem a outros Irmãos, com os quais, a cada dia, do Meio-Dia à Meia-Noite, trabalham material e espiritualmente para cavar masmorras aos vícios, construir a paz e erguer Templos de virtudes e de fraternidade.

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