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Poderiamos percorrer vários caminhos como, perseguir o incerto ou buscar no criador. Mas preferimos seguir os nossos sentidos e alguns conhecimentos já testemunhados por grande pensadores.
“Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.” [texto atribuído á Buda].
A Reflexão, no vernáculo, pode ser definida com uma Mudança de direção das ondas luminosas, caloríficas ou sonoras que incidem em uma superfície refletora: reflexão da luz, do som. Pode ser comparada à ação de uma bola que se choca com uma parede. Uma bola atirada em ângulo reto em relação à parede voltará na mesma direção. Quando a bola é lançada em direção à parede sob um ângulo menor que um ângulo reto, seu trajeto de volta formará com a parede um ângulo igual ao anterior. Imagine uma linha formando um ângulo de 90° com a parede, e tendo como vértice o ponto onde a bola tocou a parede.
O ângulo formado pelo trajeto descrito na ida da bola com essa linha imaginária é o ângulo de incidência. O ângulo descrito pela bola ao retornar é o ângulo de reflexão. Esses dois ângulos são sempre iguais. Refletimos um pouco, sobre o sentido destas palavras e iniciemos.
A incidência da reflexão, depende de que ângulo que você vê, sente, espera, age, interage e influência quanto ao pensamento, pois tudo é uma linha imaginária, que pode, ao seu bel prazer, refletir ou não uma verdade sobre alguma coisa que exista ou não.
O professor Humberto Zanardo Petrelli, nos ensina que a “Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo”.
Então, quando não agimos calcados numa verdadeira reflexão, estamos agindo condicionados ao mundo profano, ou seja, ao meio ambiente. Mas, sempre de forma superficial, pois, esquecemos do que realmente somos, donde viemos e onde vamos ou queremos ir. Então, noutro mote, a reflexão filosófica é eu comigo mesmo, ou seja, uma interiorização radical, porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento. Mas, não somos, porém, somente seres pensantes. Somos mais que isso!
Somos seres que agem no mundo, que se relacionam com os outros seres humanos, com os animais, as plantas, as coisas, os fatos e acontecimentos, e exprimimos essas relações tanto por meio da linguagem quanto por meio de gestos e ações. Mormente na maçonaria, temos um ponto comum. Um elo, que nos une, que impera sobre outras tantas particularidades, que aqui deixo acoberto.
Mas isso tem para o maçom uma conotação viva, desde a sua iniciação em loja aberta para este fim, atendido os princípios elementares, sob a égide dos Landmarques, sob os auspícios da Potência regular, sob o olhar do Criador e testemunho vivo e emanado da egregora presente que culmina no momento impar da vida do até então, ser profano. Desde então, o homem maçom é impelido a pensar e refletir.
A reflexão Maçônica filosófica, não é um fim em si mesma, se volta para essas relações que mantemos com a realidade circundante, para o que dizemos e para as ações que realizamos nessas relações.
A reflexão Maçônica filosófica resume-se e organiza-se em torno de três grandes conjuntos de perguntas ou questões, que pessoalmente adapto do pensador citado:
a) por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? Pela história ou porque refletimos?
b) o que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou fazemos?
c) para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos?
Isto é, qual a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos? Essas três questões podem ser resumidas em: o que é pensar, falar e agir? Ou seja, o conhecimento maçônico numa reflexão, de para que penso sobre ele, para que falo, ensino, distribuo e os motivos do meu agir, sob o enfoque ou influências daquele mesmo conhecimento.
Aquelas perguntas, pressupõem a existência das seguintes indagações prévias e necessárias: Nossas crenças cotidianas são ou não um saber verdadeiro, um conhecimento?
A atitude filosófica inicia-se indagando: o que é?, como é?, por que é?, dirigindo-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e com ele se relacionam.
São perguntas sobre a essência, a significação ou a estrutura e a origem de todas as coisas. A reflexão maçônica filosófica, por sua vez, indaga: porquê?, o quê?, para quê?, dirigindo-se ao pensamento, aos seres humanos no ato da reflexão. São perguntas sobre a capacidade e a finalidade humanas para conhecer e agir.
Mas, lembremos que o conhecimento maçônico não termina com as indagações, porém podem delas ter se iniciado, após as respostas conscientes serão como placas de sentido obrigatório a percorrer. Um caminho desinteressado, difícil, mas ao final compensador para aquele pensador liberto de todas as asperezas.
“O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros.” [Santo Agostinho].
Bibliografia
PRÉ-SOCRÁTICOS, Col. “Os Pensadores”, vol. 1, seleção de textos e
supervisão do prof. Dr. José Cavalcante de Souza, São Paulo, Abril
Cultural, 1978.
Bibliografia Complementar
CHAUI, M. Filosofia, Série Novo Ensino Médio, Volume Único, São
Paulo, Editora Ática, 2004.
CHAUI, M. Introdução à História da Filosofia – dos pré-socráticos a
Aristóteles, Volume 1, São Paulo, Cia. das Letras, 2002.
COTRIM, G. Fundamentos da Filosofia: História e Grandes Temas,
São Paulo, Ed. Saraiva, 7a tiragem, 2005.
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