MARTINISMO X ORDENS MARTINISTAS

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Por André Otávio Assis Muniz

A Ordem dos Elus Cohen (Elus é francês e quer dizer "Eleitos" e Cohen é hebraico, é sacerdote em hebraico) foi fundada no século XVIII por Martines de Pasqually de La Tour. 

Essa Ordem era um dos muitos sistemas maçônicos que vicejavam na França de então. 

Nela se misturam conceitos gnósticos, cabalísticos e cristãos, que foram expostos na obra "Tratado de Reintegração dos Seres". Louis Claude de Saint-Martin foi secretário de Martines de Pasqually, mas, depois da morte desse último, abandonou o sistema e se afastou de todos os sistemas maçônicos. 

O seu mais famoso colega, Jean Baptiste Willermoz, também não se adaptava totalmente ao sistema dos Elus Cohen, que era baseado nos chamados "Graus de Vingança", típicos da Maçonaria Escocista setecentista. 
Jean Baptiste Willermoz fundou seu próprio sistema de Maçonaria, o Regime Escocês Retificado, que juntou a parte que ele achava mais profunda dos Elus Cohen com um outro sistema maçônico alemão, chamado de "Estrita Observância Templária". 

No sistema de Willermoz, o RER, havia quatro graus maçônicos e dois graus cavalheirescos. 

No último grau maçônico do RER (Mestre Escocês de Santo André) estava condensada a doutrina dos Elus Cohen sem, no entanto, a parte dos Graus de Vingança.

Louis Claude de Saint-Martin optou por não seguir um caminho ritualístico. Preferiu buscar suas verdades interiores através do silêncio e da meditação. A ele se juntaram amigos e leitores de suas obras que foram os primeiros "martinistas".


A idéia inicial de Saint-Martin era fazer um círculo de amigos, ou "círculo de íntimos" que se reunissem para meditar, debater idéias interessantes sobre esoterismo e trocar técnicas de cultivo interior. 

A abreviatura S.˙.I.˙. não significava "Superior Incógnito" e nem "Servidor Incógnito", mas sim "Sociedade dos Independentes". 

Os "independentes" eram pessoas que não estavam presas a quaisquer concepções então existentes sobre iniciação e auto-cultivo. Alguns eram maçons, como o próprio Saint Martin, outros não eram.

Saint-Martin rejeitou as formalidades da Ordem dos Sacerdotes Eleitos de Martines de Pasqually, assim como também se demitiu do Regime Escocês Retificado de seu colega Jean Baptiste Willermoz. Tornou-se inativo em todas as Ordens Maçônicas que tinha frequentado e passou a se dedicar ao cultivo interior pela via do recolhimento, do estudo, da meditação e da oração.

A "iniciação martinista" não passava muito da aceitação pelo grupo de amigos que se reuniam e oravam juntos. 

Os principais assuntos do grupo eram as obras de Jacob Boëhme, os escritos do próprio Saint-Martin e as experiências pessoais dos membros.
O nome "martinista" era jocosamente dado aos leitores das obras de Saint-Martin.

Depois da morte de Saint Martin, os diversos membros do círculo de íntimos foram fazendo seus próprios grupos até que, no século XIX, Papus resolveu fundar uma "Ordem" e meter nela todo tipo de paramento, palavras de passe, doutrinas estranhas, magia e graus em estilo maçônico.

A primeira constituição da Ordem "Martinista" de Papus já fazia equiparações de graus, traçava plantas de um "templo" martinista e introduzia verdadeira panóplia de parafernalha pseudo-esotérica e mágica.

Comentários

  1. 10 motivos para não ser Martinistas.

    1) Você está preparado e o “mestre” ainda não apareceu diante de seus olhos para lhe revelar todos os segredos do Universo?

    Então o Martinismo não é a sua melhor escolha. Em nossa fraternidade não há “gurus” nem lideres infalíveis, não defendemos nenhum dogma religioso. Para o Martinista o Mestre está dentro de si mesmo, pois somos todos filhos de um mesmo Pai

    2) Você está convencido que todos os seus esforços pessoais, toda a dedicação a Fraternidade, deve ser minimamente recompensada com regalias, medalhas e títulos pomposos?

    Então o Martinismo não é a sua melhor escolha! Em Nossa fraternidade depois de décadas de estudo, práticas, erros e acertos você irá aprender a ser um Incógnito, apenas mais um na multidão, sem reconhecimento, sem distinção e sem nenhum engrandecimento social.

    3) Você acredita que para uma fraternidade ser poderosa é necessário ter membros e afiliados poderosos? É necessário reunir várias Lojas? Ter poder político para atuar com força na sociedade?

    Então o Martinismo não é a sua melhor opção! Nossa Fraternidade é apolítica, nossas Ordens e nossos grupos não agregam um numero considerável de afiliados ou membros, não temos objetivos mundanos nem elegemos vereadores, deputados ou senadores. Dinheiro não garante evolução espiritual.

    4) Você está preparado para ser caluniado, ridicularizado e humilhado publicamente?

    Cada passo que você der na direção da Verdade e do conhecimento, mais inimigos você irá atrair. A Natureza humana não está suficientemente educada para entender que: “quando um individuo se eleva a sociedade humana como um todo se eleva concomitantemente” então o trabalho individual representa na verdade uma labuta coletiva. A cada ser humano que você tiver o privilégio de tirar das trevas da ignorância, mais Luz é trazida sobre nossa natureza mundana. Para muitos a Luz e o conhecimento significam independência e esta independência é intolerável para os que acreditam serem superiores aos demais.

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  2. 5) Você tem firme convicção que uma fraternidade ou uma Ordem pode transformar a sua vida e a vida de seus familiares em uma fonte inesgotável de prazer, satisfação e dádivas divinas?

    O Martinismo continua sendo uma opção a ser desconsiderada. Quem tem o poder de transformar a sua vida e a vida de seus familiares é você mesmo, ou melhor, são os seus atos e seus exemplos. De nada adiantaria uma fraternidade lhe oferecer conhecimentos, práticas e equilíbrio espiritual se você não colocasse tudo isto em prática. Portanto o Martinismo exigirá de você mais que estudo e dedicação, exigirá que você pratique o que aprendeu.

    6) Você sente que se afiliando em uma Fraternidade secreta, você estará automaticamente abonado dos deveres de sua religião?

    Não se engane, o Martinismo não abona de seus membros nenhum dever e nenhuma obrigação, nem mesmo as de cunho religioso. O Martinista é incentivado a continuar praticando a sua religião, seja ela qual for. A pratica religiosa é fundamental para que o tão desejado equilíbrio seja alcançado.

    7) Você espera que no final de anos de estudo, e ao atingir os mais altos graus, você terá o direito de usar um titulo espalhafatoso e incompreensível aos “profanos”?

    Saiba que o mais alto grau da Fraternidade Martinista é composto de duas letras e 6 pontos, nada mais que isto! E ainda mais desalentador, o Martinismo é inesgotável e mesmo após décadas de dedicação sempre haverá o que aprender.

    8) Você espera estar preparado para aceitar a miséria material e espiritual da humanidade como um carma individual?

    Então não se submeta as regras Martinistas. Se uma criança ou um adulto lhe pedir dinheiro no farol da esquina, como Martinista você terá a obrigação moral e espiritual de atender ao pedido de esmola. Nós não sabemos se aquela moeda ou se aquela esmola irá contribuir para aliviar a dor de um estomago faminto ou evitar que uma criança seja conduzida a imoralidade por falta de opção. A decisão do que fazer com aquele dinheiro não é de quem o ofertou, mas de quem o recebeu. A Benemerência é uma obrigação insubstituível do Martinista.

    9) Você tem desejos de um dia ser um “mestre” e ser constantemente rodeado e bajulado pelos seus discípulos?

    Definitivamente o Martinismo não deve ser a sua opção! Já dizia nossos antecessores ” Pobre daquele que se julga mestre e tem sobre si a responsabilidade espiritual dos atos os atos de todos aqueles considerados discipulos” O verdadeiro Mestre, como já afirmamos, está dentro de cada um de nós, e a responsabilidade dos Iniciadores é manter a cadeia ininterrupta desde o Filósofo Desconhecido. Também os lideres devem ter humildade e equilíbrio, caso contrário estão sendo perjuros consigo mesmo e para com o Grande Arquiteto do Universo.

    10) Você classifica as promessas e os juramentos mais ou menos sérios de acordo com o momento, a ocasião e a sobriedade do momento que o fez?

    Então você não será um bom Martinista.
    O juiz mais austero e mais exigente deve ser a nossa própria consciência, se você não é capaz de cumprir um juramento feito a você mesmo, como espera cumprir os juramentos feitos em solo consagrado pelos nossos antecessores?
    Faça um auto teste simples, um juramento a si mesmo, um juramento que nosso Amado Mestre Philippe de Lion cobrava de todos os seus atendidos: “não fale mal de ninguém nos próximos 10 dias” se você cumprir esta promessa, saberá que pode assumir juramentos mais sérios.

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  3. Jacob Boehme – O Teósofo Alemão


    Jacob Boehme é considerado por muitos pensadores tradicionais importantes como um profundo esoterista e um dos maiores Iniciados do Ocidente. Suas ideias influenciaram toda uma época e continuam, ainda hoje, a influenciar.
    De fato, homens como Philip Jacob Spener, William Law, Hegel, William Blake, Goethe, Leibnitz, Louis Claude de Saint-Martin, Jean Baptiste Willermoz, Joseph de Maistre, Kelpius etc., foram influenciados por seu pensamento.
    Hoje em dia, com a imensa avalanche de neo-espiritualismo e de instituições pseudo-iniciáticas, e mesmo contra-iniciáticas, vale a pena conhecer e estudar as obras de Boehme que, durante toda sua jornada terrestre, foi um Iniciado independente e sempre prezou sua liberdade de consciência.
    As obras de Boehme não são leituras fáceis como as apreciadas nos meios “místicos” contemporâneos, seja lá o que essas pessoas entendam por “místico” (palavra cuja raiz é a mesma de “mistério”). São textos que demandam atenção e conhecimento prévio das ciências sagradas tal qual eram praticadas na época.
    Jacob Boehme nasceu na Alemanha, perto da cidade de Görlitz, numa aldeia chamada Alt Seidenberg, na região conhecida como Lusatia Superior. Corria o ano de 1575 da Era Comum. A família era proprietária de terras, mas Jacob foi considerado fraco para a dura lida do campo e, por isso, aos 14 anos, depois de frequentar a escola de Alt Seidenberg, tornou-se aprendiz de sapateiro. Em 1599 foi admitido na guilda dos sapateiros como mestre-artífice e tornou-se oficialmente cidadão de Görlitz.
    Boehme era um leitor voraz e profundamente interessado em religião, alquimia, hermetismo etc. Em 1600, Martim Moller, cidadão destacado de Görlitz, organizou um grupo de estudos na Paróquia Luterana local que na prática era um tipo de irmandade chamada de “Conventículo dos Servidores Reais de Deus”, ao qual Jacob Boehme foi convidado a juntar-se.
    Boehme teve uma série de visões interiores, entre elas uma em que viu os raios de sol sendo refletidos em um jarro de estanho e sentiu que aquilo representava a Iluminação mística, na qual a alma limpa refletia a Luz Divina. Tal visão foi um marco em sua busca pelos mistérios ocultos da natureza.

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  4. Boehme colocou algumas de suas percepções por escrito e esse material acabou vazando do grupo do Conventículo e lhe causou sérios problemas com as autoridades eclesiásticas luteranas locais, tendo em vista o forte teor gnóstico da doutrina de Boehme. A perseguição foi violenta a ponto de Boehme ser preso e interrogado sobre suas ideias, o que o prejudicou muito em seus negócios locais.
    Uma das passagens mais interessantes da vida de Boehme é, sem dúvida nenhuma, sua misteriosa Iniciação.
    Durante o tempo de sua aprendizagem, quando seu mestre estava ausente na sapataria onde era aprendiz, viu entrar um homem estrangeiro, muito bem vestido, apesar da simplicidade e austeridade das vestes. O homem tinha um aspecto venerável e escolheu um determinado par de sapatos sobre o qual perguntou o preço. Boehme, julgando-se inepto para colocar um preço nos produtos na ausência de seu mestre, colocou um alto valor na certeza de que o homem recusaria e ele não seria repreendido por seu mestre. O estrangeiro, no entanto, pagou o valor sem sequer tentar pechinchar, se afastando em seguida. Após dar alguns passos para fora da sapataria, voltou-se e, com voz alta e firme exclamou: “Jacob! Venha cá!”. Boehme, a princípio, ficou assombrado com o fato do homem chamá-lo pelo nome de batismo, no entanto, passado o susto inicial, decidiu atendê-lo. O homem, do lado de fora, com ar sério e, ao mesmo tempo, muito cortês, disse-lhe: “Jacob, você é ainda muito pequeno, ou pouca coisa, mas você será grande e se tornará outro homem, e será objeto da admiração de todos. Isto porque você é piedoso, crê em Deus e reverencia Sua palavra, acima de tudo. Leia cuidadosamente as santas Escrituras, nas quais você encontrará consolação e instrução, pois você sofrerá muito; terá de suportar a pobreza, a miséria e as perseguições; mas seja corajoso e perseverante, pois Deus o ama e é bom para você.” Em seguida, o homem fixou-o profundamente nos olhos, apertou-lhe a mão e se foi, sem deixar qualquer indício. Boehme dizia que a fisionomia daquele homem sempre pairava diante de seus olhos.
    A extrema simplicidade e informalidade de tal Iniciação revela um contraste imenso com as pompas, apetrechos, cerimônias etc., das quais hoje em dia tantos pseudo-iniciados fazem questão. Pompas vazias, sem nenhuma substância real.
    Boehme faleceu em 1624 e ainda depois de morto foi objeto de perseguições. Seu túmulo foi profanado com o apoio do pároco luterano local.
    Dentre suas obras podemos destacar (já com tradução para o português): “Aurora Nascente” (1612), “Os Três Princípios” (1619), “A Vida Tríplice do Homem” (1620) e “Quarenta Questões sobre a Alma” (1620).

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