A NATUREZA DA MAÇONARIA

A Natureza Mística Sem Véu: Maçonaria - Os Graus Capitulares

É surpreendente o efeito que a palavra “maçom” pode ter quando é lançada displicentemente numa conversa. 

As reações das pessoas costumam variar de uma sobrancelha erguida em que se refletem uma grande curiosidade a uma série de dúvidas sobre a natureza da instituição, passando por um olhar de paisagem, disfarçando alguma informação que não quer ser revelada, até a um olhar conhecedor seguido por um discurso extenso e desconcertante sobre a natureza, os pontos positivos e os aspectos negativos da maçonaria no qual nem sempre se pode encontrar as informações mais pertinentes. 

A verdade é que o mundo dos maçons, com seus estranhos rituais, seus segredos guardados a sete chaves, sua história com frequência misteriosa e sua imagem pública historicamente discreta, permanece um enigma para a maioria daqueles que jamais foram aceitos em sua hierarquia. 

Eles formam a sociedade secreta por excelência – apesar de não serem absolutamente secretos, apenas elitistas e discretos. 

Tanto quanto a intimidade pessoal, a intimidade coletiva estimula e provoca a curiosidade. E ainda mais por se tratar de uma comunidade midiatizada, daquelas que suscitam fantasias. 

Desde a sua criação no século XVIII, a maçonaria foi acusada de tudo e de seu oposto: de ser criptocatólica ou criptoprotestante, anticatólica ou antiprotestante, judaica ou antissemita, demoníaca ou teísta, comunista ou capitalista,sectária ou libertária,secreta ou falsamente transparente... 

Se na atualidade as oficinas e obediências maçônicas são constituídas legalmente sob a forma de associações (na França, desde a lei de 1901 sobre a liberdade de associação); se, portanto, sua existência é reconhecida; se elas não são de modo algum associações clandestinas, deve-se dizer que houve uma longa trajetória desde o século XVIII. 

Seria vão aprisionar a franco-maçonaria em categorias religiosas, espirituais ou esotéricas. Isso seria traí-la. 
Sociedade plural, fragmentada, atravessada por múltiplas correntes, ela sofre ao se ver tolhida por uma canga identitária. 

Se você interrogar mil maçons sobre a natureza de sua instituição, sobre a especificidade de seu pensamento, seu perfil, seu modo de atuar, vai obter mil respostas diferentes. 
E isso se dá apesar de reportagens nas quais são veiculadas informações não tão abundantes, porém muito claras, além dos diversos livros, websites, filmes e programas de rádio e de TV. 
Apesar da abertura crescente dessa organização global, sua própria existência é vista com suspeita em muitos setores. 

As perguntas dos que têm dúvidas chegam numa enxurrada: quem exatamente são os maçons? 
De onde vêm? 
O que exatamente fazem em suas lojas? 
O que eles querem? 
O que aqueles engraçados apertos de mão e rituais bizarros pelos quais são famosos realmente significam? 
Mulheres podem ser maçons? 
Como saber se alguém que conheço é um maçom? Devo entrar na maçonaria se me convidarem? 
De fato, posso simplesmente pedir para ingressar? 

O maior mistério, porém, são os caminhos que levaram um grupo de artesãos medievais altamente qualificados à criação e ao desenvolvimento de uma organização tão influente. 
Mais ainda, uma organização que gerou tantos mitos e lendas, uma fraternidade com frequência incompreendida, mas que desempenhou – e de alguma maneira segue fazendo isso – um papel fascinante na história do Brasil e do mundo.



INDICAÇÃO  PARA ESTUDO:
IR.´.  MI ROSAS, 33 - LUZ DO UNIVERSO 2804 ORIENTE DE GUARULHOS, SP, GOB.

FONTE:
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Comentários

  1. COMO UMA ORGANIZAÇÃO QUE REUNIA PROFISSIONAIS ALTAMENTE
    ESPECIALIZADOS QUE ERGUERAM CATEDRAIS NA IDADE MÉDIA SE
    TRANSFORMOU NUMA INSTITUIÇÃO COM PRESENÇA GLOBAL

    As imagens associadas à maçonaria, tais como o esquadro e o compasso que adornam
    incontáveis livros sobre o tema, podem aparecer para alguns de nós como símbolos envoltos em mistério e evocar imagens de conspiração. De fato, elas datam dos dias em que artesãos altamente capacitados estavam erguendo algumas das mais espantosas catedrais e outras construções que ainda dominam as cidades europeias. Tais edificações fornecem uma pista importante sobre as verdadeiras origens dessa organização muito respeitada e amplamente difundida que se mantém viva e atuante no mundo moderno. Você não pode deixar de se perguntar, enquanto dirige o olhar para uma daquelas magníficas catedrais da Idade Média, como exatamente os construtores do passado conseguiram erguer enormes blocos de pedra a alturas incríveis; como conseguiram encaixá-los entre si tão precisamente, sem os recursos da tecnologia e do conhecimento modernos. E mais: como elas apareceram em momento tão semelhantes e construídas em formas relativamente próximas (no século XII, enquanto as igrejas de Verona, Bérgamo e Cuomo eram construídas, na Alemanha surgiam as de Lubeck e Freiburg; na França, as de Aix e Dijon; e na distante Inglaterra, Canterbury e Bristol, todas com arcos romanos. Por fim, você se
    pergunta, contemplando-as: como as construções ainda estão de pé tantos séculos depois?
    A resposta jaz na geometria. Os mistérios da arte matemática eram, na época, conhecidos por apenas uns poucos privilegiados entre os muitos que trabalhavam dura e longamente para construir essas maravilhas arquitetônicas. Esses poucos incluíam os mestres artesãos que trabalhavam a pedra. Graças a seu conhecimento de geometria, os mestres pedreiros sabiam exatamente o que fazer com as enormes rochas que vinham das pedreiras; como deveriam ser cortadas; como erguêlas; e como conservá-las de pé ao longo dos séculos.
    Para compreender a razão pela qual esses artesãos poderiam ser chamados de “pedreiros-livres” – expressão usada como sinônimo de “franco-maçons” ou simplesmente “maçons” –, pense na enorme demanda por seus serviços naquele período. Eles precisavam ser “livres” para viajar de um local de construção para outro, em regimes de trabalho completamente diferente daquele dos homens menos habilidosos, obrigados a servir seus mestres num único lugar. Os pedreiros, como muitos artesãos da época, estavam organizados em guildas, como a dos lombardos Mestres Comacinos, que aos poucos conquistaram algum poder na oraganização social que começava a se transformar.
    As guildas surgiram primeiramente na Itália e em seguida na França, no século VIII. Logo, o sistema se espalhou para o norte e, depois, pelo restante da Europa. Ele se mostrou tão eficiente que em

    meados do século XIII já se tornara uma das principais bases do sistema econômico e social europeu.

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  2. As guildas pressupunham um sistema de ajuda mútua que incluía auxílio a membros adoentados e órfãos e até mesmo sacerdotes a serviço do grupo para recomendar os mortos. Mais do que isso, elas guardavam zelosamente os segredos de sua profissão – quanto mais especializado o ofício fosse, maior o segredo envolvido. Assim, ninguém fora dos círculos de mestres pedreiros, nem sequer os homens poderosos que os empregavam para construir suas catedrais, conhecia os meandros e as técnicas envolvidas em sua atividade – e muitos desses segredos eram guardados por]esses profissionais por gerações; eles dominvam técnicas aprendidas com congêneres bizantinos e originadas na Antiguidade greco-romana.
    O propósito dessas corporações era estabelecer um controle efetivo sobre os mecanismos
    produtivos. Elas encarregavam-se também de garantir que houvesse um número suficiente, mas nunca excessivo, de conhecedores dos segredos e macetes do ofício – e todos eles eram homens naquela época; mulheres não seriam aceitas como artesãs por muitos séculos. As guildas atuavam também como protetoras desses segredos e se asseguravam de que os membros correspondessem devidamente a certos padrões de habilidade artesanal. Esse alto grau de especialização profissional se estendia de alguma maneira à vida social, com educação, artes e divertimentos compartilhados
    pelos membros de determinada guilda. Nela, eles encontravam um pequeno mundo completo, no qual ele se sentia protegido.

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  3. INICIAÇÃO

    Para tornar-se um pedreiro efetivo, um jovem tinha de progredir ao longo de um extenso
    aprendizado de sete anos sob as ordens de um mestre pedreiro e, no decorrer do percurso, seria apresentado a mais segredos, como a cerimônia de iniciação e os sinais por meio dos quais ele se faria conhecer por outros pedreiros. Depois de sete anos (em algumas guildas, o prazo poderia chegar a dez), se o aprendizado transcorresse bem, o jovem se tornaria um companheiro de ofício.
    Com o passar dos anos e a incorporação de mais experiências e conhecimentos, ele seria um mestre pedreiro. A essa altura teria acesso a ainda mais segredos: o aperto de mão, ou garra de mestre, mediante o qual os membros se reconhecem entre si; e a senha pela qual outros mestres pedreiros saberiam que o homem diante deles era agora um membro respeitável da fraternidade. Muitos desses processos e sinais são espelhados nos rituais da maçonaria atual. Eles não são exatamente os mesmos, é claro, pois alguns elementos inevitavelmente mudaram de caráter ao longo dos séculos.
    Ainda assim, um maçom do século XXI, se fosse transportado de volta ao período medieval, sem dúvida reconheceria os princípios e as práticas das guildas de pedreiros-livres. Essas práticas compartilhadas, com códigos que, ao mesmo tempo em que se mantinham restritos, se aprofundavam até que sua origem mal fosse percebida, criaram laços de fraternidade profundos e cristalizaram o poder das guildas, que, com o tempo, se transformaram em lodges, as nossas atuais lojas.
    Existem incontáveis outras explicações para as origens da maçonaria, mas preferimos descartar para nos concentrar na versão com maior historicidade. Ao examinarmos alguns eventos-chave, traçaremos a história da organização desde o início daquelas primeiras corporações de mestres pedreiros até os dias atuais.

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  4. 1390: O MANUSCRITO REGIUS

    No ano 1390, ou em data bem próxima, um escriba que vivia nas ilhas britânicas assumiu a tarefa de descrever as normas de conduta e moralidade que deviam orientar a vida dos pedreiros.
    Alguns historiadores da maçonaria defendem que esse autor desconhecido estava apenas atuando como copista de manuscritos anteriores que não chegaram até nós e, talvez, reelaborando os textos antigos segundo as intenções do momento.
    O aspecto notável é que a estrutura apresentada no Manuscrito Regius, que está guardado no Museu Britânico, em Londres, aparentemente antecipa as regras e a estrutura da moderna maçonaria.
    O documento estabelece um código moral bem definido e defende a necessidade de um forte laço de irmandade entre os membros.
    Fala também dos padrões de perícia no ofício exigidos dos pedreiros e discute as regras da guilda.
    De fato, uma parte de sua fraseologia seria muito familiar a qualquer maçom da atualidade.
    O texto original, escrito em versos e num rebuscado inglês arcaico, foi aposto a 64 páginas de pelede carneiro.
    Alguns historiador es dedicados à maçonaria indicam a cidade de Worcester como local de origem desse que é o mais antigo documento da maçonaria.

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  5. 1495: APARECE A PALAVRA “MAÇOM”

    A primeira aparição pública e oficial da palavra “maçom” ocorreu já no final do século XV, quando o rei Henrique VII da Inglaterra incorporou diversas leis do país num estatuto no qual apareciam regulações sobre os salários de carpinteiros e pedreiros. Em 1514, Henrique VIII limitaria os salários dos “freemasons”. Os companheiros e mestres pedreiros eram membros respeitados da sociedade e suas habilidades conheciam então uma grande
    demanda; cerca de um século depois, alguns homens de nascimento ilustre começaram a expressar o desejo de pertencer a uma loja – ainda que os mistérios da pedra e da geometria lhes fossem desconhecidos.

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