leia trecho de "1822"...
As lojas -nome dado aos grupos de maçons e, por extensão, aos próprios edifícios em que se reúnem- dessa época divergiam sobre o melhor regime e modo de governo para o país.
Apesar das discordâncias, a organização foi crucial para o desenvolvimento da emancipação política brasileira.
Segundo Laurentino, "no começo do século 19, a maçonaria era uma organização altamente subversiva, comparável ao que seria a Internacional Comunista no século 20. Nas reuniões, conspirava-se pela implementação das novas doutrinas políticas que estavam transformando o mundo."
A Maçonaria
A história do Brasil está repleta de mitos nos quais acontecimentos reais do passado se confundem com situações imaginadas construídas ou modificadas pelas gerações posteriores de acordo com a conveniência ou a necessidade de cada momento.
Um desses inúmeros mitos está relacionado ao papel desempenhado pela maçonaria em 1822.
Por ele, a separação de Portugal teria sido inteiramente tramada e decidida dentro das lojas maçônicas nos meses que antecederam o Grito do Ipiranga.
A maçonaria teve papel fundamental nas suas opiniões.
Ao contrário, foi ali que se tramavam algumas das disputas mais acirradas do período e que se envolveram ninguém menos do que o jovem príncipe regente e o futuro imperador Pedro I.
Em 1822, a maçonaria brasileira estava dividida em duas grandes facções.
Ambas eram favoráveis à independência, mas uma delas, liderada por Joaquim Gonçalves Ledo, defendia ideias republicanas. A outra, de José Bonifácio de Andrada e Silva, acreditava que a solução era manter D. Pedro como imperador em regime de monarquia constitucional.
Esses dois grupos disputaram o poder de forma passional, envolvendo prisões, perseguições, exílios e expurgos.
Como parte do processo para se conquistar a independência, “era preciso, ainda, fazer maçom o Príncipe D. Pedro. José Bonifácio já lhe falara da Maçonaria, da ação de Gonçalves Ledo e outros líderes maçônicos.
ResponderExcluirNão seria ele o primeiro Príncipe a conhecer os preceitos da Ordem. Reis e Imperadores, na Europa, haviam sido maçons. Assim, a 13 de julho de 1822, foi aprovada sua proposta de admissão, endossada por José Bonifácio. A 02 de agosto, D. Pedro era iniciado na Loja “Comércio e Artes”. Recebeu o nome histórico de “Guatimozim”.
Da iniciação ao Grão-Mestrado, o certo é que o ingresso de D. Pedro na Maçonaria resultou de sua mais íntima ligação com a causa de independência.
Foram os maçons que o proclamaram Imperador e, em conseqüência, a própria libertação política do Brasil, em sessão de 20 de agosto do Grande Oriente do Brasil, quando D. Pedro se encontrava em viagem para São Paulo.
Na verdade, como afirmam em uníssono os historiadores, maçônicos e profanos, no dia 20 de agosto de 1822, Gonçalves Ledo propôs em Loja e se aprovou por unanimidade “que fosse inabalavelmente firmada a proclamação de nossa independência e da realeza constitucional na pessoa do augusto príncipe”.
Escreveu o Barão do Rio Branco: “No dia 23, em outra sessão, ainda presidida por Gonçalves Ledo, continuou-se a discussão. Por proposta sua, foram nomeados os emissários, que deviam ir tratar a aclamação nas diferentes províncias, entre eles, Januário Barbosa, designado para ir a Minas. João Mendes Viana, para Pernambuco, e José Gordilho de Barbuda, para a Bahia. Vários maçons ofereceram as somas necessárias para as despesas de viagem”.
Assim, na tarde de 07 de setembro de 1822, às margens do Ipiranga, D. Pedro limitou-se com seu gesto a promulgar o que já fora resolvido a 20 de agosto no Grande Oriente do Brasil.
Indiscutível, afinal, é que a independência política de nossa terra foi, certamente, assinalada com o FICO, em 9 de janeiro, declarada pela Maçonaria em 20 de agosto e consagrada em 7 de setembro, com o brado do Maçom D. Pedro.
Disse-o bem Gustavo Barroso, em sua obra “História Secreta do Brasil”: “A Independência do Brasil foi realizada à sombra da Acácia, cujas raízes prepararam o terreno para isso”.
Se precisássemos definir em poucas palavras o que é um maçom, diríamos que deveria ser uma pessoa em busca de seu aprimoramento moral. Alguém que prima basicamente pelo bem alheio, que combate a tirania, a opressão, o fanatismo e a intolerância. Alguém que cuida e defende sua família, sua pátria e a humanidade. E acima de tudo, crê num ente supremo, o Criador, a quem chamamos ‘Grande Arquiteto do Universo’. No Brasil, no dia 20 de agosto é celebrado o Dia do Maçom.
ResponderExcluirAcreditando no Criador e que Ele nos fez à sua imagem e semelhança, nós também não deveríamos nos esforçar para nos elevar em Sua direção? A busca pelo conhecimento, a verdade e a liberdade deveria ser o alvo de todos os maçons. E dentro desse contexto já tivemos exemplos na maçonaria brasileira, como Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva. Apesar da rixa que havia entre os dois, ambos lutavam, mesmo que de formas diferentes, pela independência do Brasil.
Podemos citar, por exemplo, a fala de Gonçalves Ledo publicada pelo Fluminense em 1828: “não vivo para sugar o Tesouro como os Andradas fizeram e fazem. Nunca fui pesado ao meu país e dele jamais recebi pelos meus serviços, pois sempre o servi abnegadamente, recusando qualquer recompensa material”.
O Dia do Maçom é comemorado em virtude de que, no dia 20 de agosto de 1822, alguns fatos ocorreram em uma sessão extraordinária entre as Lojas “Comércio e Artes” e “União e Tranquilidade“, na cidade do Rio de Janeiro. Não trataremos as controvérsias sobre a data, pois diversos debates já foram encenados sobre o tema, mas o motivo que a levou a ser considerada como tal. Ledo estava presidindo a sessão (José Bonifácio, presidente de ofício, não estava presente) e fez um discurso inflamado mostrando a necessidade de se proclamar a independência do Brasil, pedindo apoio aos maçons presentes, o que foi aprovado por todos.
A sessão em si pode não ter influenciado a decisão do imperador no dia 7 de setembro vindouro, mas o apoio de seus irmãos maçons foi muito importante após a proclamação. Uma boa parte da elite era republicana, mas o fato de o imperador ter sido mantido responsável por tal ato contribuiu para que o país não fosse repartido. Vale lembrar que muitos maçons presentes naquela sessão tinham influências nas províncias.
Esses fatos podem ser desconhecidos da população em geral e também dos maçons. Para suprir essa lacuna, o Centro Universitário Internacional Uninter, por iniciativa de seu mantenedor, o professor Wilson Picler, criou o curso de Maçonologia: História e Filosofia, como uma forma de fomentar a cultura maçônica na sociedade.
É quase impossível entender o processo de Independência do Brasil sem estudar o papel da maçonaria naquele período.
ResponderExcluirEm 1822, a maçonaria brasileira estava dividida em duas grandes facções. Ambas eram favoráveis à independência, mas uma delas, liderada no Rio de Janeiro pelo advogado Joaquim Gonçalves Ledo e o cônego Januário Barbosa, defendia ideias republicanas. A outra, de José Bonifácio de Andrada e Silva, acreditava que a solução era manter D. Pedro como imperador em regime de monarquia constitucional. Esses dois grupos disputaram o poder de forma passional, envolvendo prisões, perseguições, exílios e expurgos. Havia ainda grupos mais extremados, que se batiam não só pela república, mas também pela federação e admitiam até uma eventual fragmentação territorial, caso de frei Joaquim Divino do Amor Divino Caneca, o Frei Caneca, líder e mártir da Confederação do Equador de 1824.
Por curiosidade e interesse em vigiar e controlar as diversas correntes políticas da época, D. Pedro participou ativamente das duas primeiras facções. Frequentava as lojas do grupo de Gonçalves Ledo reunidas no Grande Oriente do Brasil, mas também esteve na fundação do Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz, dissidência liderada por José Bonifácio. Em lugar de “lojas”, o Apostolado tinha “palestras”, batizadas significativamente de “Independência ou Morte”, “União e Tranquilidade” e “Firmeza e Lealdade”.
Nas lojas maçônicas foram estudadas, discutidas e aprovadas várias decisões importantes, como o manifesto que resultou no Dia do Fico (Nove de janeiro de 1822), a convocação da constituinte, os detalhes da aclamação de D. Pedro como “defensor perpétuo do Brasil” e, finalmente, como imperador, no dia 12 de outubro. “Imensa foi a contribuição da maçonaria para o movimento da Independência”, afirmou o historiador Octávio Tarquínio de Sousa. Numa época em que ainda não havia partidos políticos organizados, foi o trabalho das sociedades secretas que levou a semente da independência às regiões mais distantes e isoladas do território brasileiro. O historiador Manuel de Oliveira Lima diz que a maçonaria funcionou em 1822 como “uma escola de disciplina e de civismo e um laço de união entre esforços dispersos e dispersivos”.
No começo do século 19, a maçonaria era uma organização altamente subversiva, comparável ao que seria a internacional comunista no século 20. Nas suas reuniões, conspirava-se pela implantação das novas doutrinas políticas que estavam transformando o mundo. Cabia aos seus agentes propagar essas novidades nas “zonas quentes” do planeta. A mais quente de todas era, obviamente, a América que, depois de três séculos de colonização, começava a se libertar de suas antigas metrópoles e a testar essas novas ideias políticas implantando regimes até então praticamente desconhecidos, como a república.
ResponderExcluirNo Brasil, a Independência foi proclamada por um grão-mestre maçom, D. Pedro I. E a República, por outro, o marechal Deodoro da Fonseca. Entre 12 presidentes da Primeira República, oito eram maçons. O primeiro ministério era todo maçom, incluindo Rui Barbosa, Quintino Bocaiuva e Benjamin Constant. A passagem de D. Pedro pela maçonaria é meteórica. Pelo menos oficialmente. Iniciado na loja Comércio e Artes no dia 2 de agosto de 1822 com o nome de Guatimozim – em homenagem ao último imperador asteca – foi promovido ao grau de mestre três dias mais tarde e elevado ao posto máximo da organização, o de grão-mestre, dois meses depois. Exerceu a função por apenas 17 dias. Em 21 de outubro (uma semana depois da aclamação como imperador), mandou fechar e investigar as lojas que o haviam ajudado a proclamar a Independência. Quatro dias depois, sem que as investigações sequer tivessem começado, determinou a reabertura dos trabalhos “com seu antigo vigor”.
ResponderExcluirO comportamento aparentemente errático e contraditório do imperador em relação à maçonaria é uma prova de que a instituição esteve longe de funcionar como um corpo monolítico em 1822, decidindo de forma uníssona os destinos do país nas suas reuniões secretas. Na verdade, a maçonaria usou e foi usada pelos diferentes grupos de pressão na época da Independência, de acordo com as circunstâncias do momento. Foi, portanto, um elemento importante no poderoso jogo de pressões que se estabeleceu no momento em que o Brasil dava seus primeiros passos como nação independente, mas não o único e, talvez, nem o mais decisivo.