O termo iniciação é conhecido de todos os membros de escolas esotéricas.
Era através de iniciações que os novos membros eram e são, até hoje, admitidos ao convívio nestas instituições. Na maçonaria o hábito de fazer iniciações começa após o fenômeno dos maçons aceitos, séc XIV e XV, por conta da falência da maçonaria operativa, com o abandono progressivo dos banquetes de recepção aos novos membros e a substituição por um ritual rico de simbolismo.
Muitos destes maçons aceitos eram templários e rosacruzes , em fuga das perseguições da inquisição da Igreja Católica e que necessitavam do abrigo de uma ordem formada pela elite da sociedade local.
Por sua influência, símbolos bíblicos e cabalísticos foram introduzidos no rito maçônico de receber o novo membro,buscando com o impacto teatral e psicológico a transmissão da importância deste momento e desta passagem.
Toda iniciação é uma introdução a uma nova idéia, a uma nova perspectiva de mundo.
Portanto, toda iniciação é a transmissão de uma informação de modo não oral e lingüístico.
Existe um texto e um script para a iniciação, mas sua parte mais importante não é a parte lida ou falada.
O que confere a este momento um caráter único , todos concordarão, é o seu impacto emocional e psicológico.
As coisas ditas ou ouvidas com o coração jamais são esquecidas.
Desse modo, muitas são as iniciações que atravessamos ao longo de nossas vidas, dentro ou fora do templo iniciático.
O templo, em geral, representa a superfície da Terra, com seus pontos cardeais, simbolizando que o que se faz ali dentro, a busca pela retidão e pela dignidade naquele ambiente deve refletir-se na vida lá fora, no mundo profano.
A maior Ordem Iniciática que podemos pertencer é a Sociedade Humana.
Nela somos iniciados pelos ritos de passagem comuns a todas as pessoas:
-infância,
-puberdade,
-descoberta da sexualidade,
-a dor,
-a doença,
-o casamento,
-o nascimento dos nossos filhos,
-a morte dos nossos pais
...e a mais elevada de todas as iniciações,
-a nossa própria morte.
Mestre Saint Germain
Às vezes cercados de cerimônias, às vezes não, momentos de nossas vidas são iniciações também, talvez as mais importantes.
Muitos episódios que nos acontecem devem ser encarados por este prisma.
Se não nos trouxer alegria, com certeza nos trará algum aprendizado, alguma informação nova que nos ensinará como viver melhor, mesmo naqueles momentos que nos pareçam os mais embaraçosos e os mais difíceis.
Segundo Richard Bach diz em seu precioso livro, “Ilusões”, que só estamos na vida por duas razões: ou para aprender , ou para nos divertir.
E eu acrescentaria uma terceira: por ambas estas razões, ao mesmo tempo.
Esse seria o Ideal de existência.
Para isso, no entanto, é necessário que mudemos nossa perspectiva do que realmente é a existência. Usando uma analogia não muito original, lembremos que a vida é apenas um teatro de sombras, aonde somos os atores, às vezes principais, às vezes coadjuvantes, os diretores de cena, os espectadores e os contra regras.
Montamos o palco, decoramos o texto, colocamos a máscara e vamos em seguida para a bilheteria receber as entradas daqueles que convidamos para assistir o nosso espetáculo pelo qual , certas vezes, cobramos alto.
Só o indivíduo que se reconhece como diretor de seu espetáculo e que sabe que tudo aquilo é apenas isto, um teatro , pode usufruir com prazer da experiência , assim como o iniciado deve-se deixar levar pela experiência teatral da iniciação sem nunca esquecer que se trata apenas e tão somente de uma representação com a finalidade única e exclusiva de recebe-lo no seio de seus irmãos de ordem.
Cada iniciação nos torna mais sábios como cada peça de teatro que assistimos nos faz pensar mais profundamente em algum tema sobre o qual jamais tenhamos antes refletido.
Repito: o ideal é que reflitamos sobre estes temas, mas com deleite e prazer, seguros de que não é necessário Dor e Sofrimento e ranger de dentes para que nos tornemos seres humanos mais evoluídos, mas única e exclusivamente conhecimento.
Toda e qualquer experiência pela qual passemos , visa apenas isto: aumentar nossa sabedoria e nossa alegria, pois nossa felicidade sempre será diretamente proporcional a nossa compreensão e discernimento sobre o fenômeno humano.


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