PRINCIPIO ÉTICO DA HONESTINADE

 

Ênfase do princípio que rege primariamente a relação do homem com a realidade.


A aplicação deste princípio mais amplo à vida em sociedade, guia o homem racional a escolher como lidar com seus semelhantes e consigo mesmo, como sua consciência.

O princípio da Honestidade estabelece que, para viver de acordo com sua natureza, o homem precisa lidar com a realidade como ela, realmente, é.

Fantasias, desejos, intuição, esperança não são bases para se tomar decisões eficazes na realidade , decisões e ações eficazes são baseadas em fatos, em uma base firmada na honestidade de propósito de cada um.

O mesmo se aplica à vida em sociedade.

Há duas conseqüências principais deste princípio no convívio humano. 

A primeira são os princípios que devem guiar a ação do indivíduo para com os outros.

A segunda são os princípios que devem guiar a reação do indivíduo às ações dos outros.

Em relação à ação do indivíduo, já foi exposto que Honestidade é lidar com a realidade como ela é.

Aplicar este princípio à vida em sociedade é reconhecer que “o que é”  mais importante para sua vida que “o que os outros sabem” ou “o que os outros pensam”.


A princípio, há de ser levado em consideração um outro aspecto, o inusitado, posto que para a maioria das pessoas, independente dos seus cargos ou posições, o fator motivante para esse tipo de comportamento, sem dúvida, é a honestidade de propósito forjada no caráter que cada um detém.

Rui Barbosa, grande jurista e diplomata, notável escritor, além de extraordinário orador, deixou um escrito que nos faz refletir sobre sua atitude e sobre a atual situação da nossa sociedade.
Escreveu ele: "de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto..."
A indignação de Rui Barbosa, ainda que tenha sido há muito tempo, faz sentido e é digna de nossas reflexões.

Pessoas que se deixam levar pela opinião da maioria, facilmente se enredam na desonestidade com a justificativa de que "todo mundo faz".

Esse é um lamentável equívoco, fácil de perceber com algumas reflexões.

Considere que você é um espírito livre e independente, que sobrevive à morte do corpo físico, e que receberá das leis da vida, conforme suas obras.

Mesmo que "todo mundo faça", cada um será responsabilizado, individualmente, diante da própria consciência.

Dessa forma, não permita que essa onda de desonestidade e corrupção, que assola grande parte da população, arraste você também para o lodaçal.

Lembre-se de que diante da sua consciência você estará sempre só, sem testemunha de defesa, a não ser seus atos nobres.

Não vale a pena abrir mão do único patrimônio que realmente lhe pertence, que é a honradez, por algum dinheiro ou benefício escuso, que terá que deixar na aduana do túmulo.

A dignidade, honestidade de propósito e senso de justiça são patrimônios valiosíssimos que alguém pode ter. 

Não os desperdice com coisas efêmeras que pertencem à terra.

E o que é mais interessante, é que até as pessoas desonestas preferem contar com pessoas dignas, em quem possam confiar.
Estranho paradoxo!

Por mais que se diga que a desonestidade está em alta, temos visto verdadeiros impérios desabando por causa da falta de ética.

Temos visto empresas e instituições de prestígio, bancos sólidos, vindo abaixo por forjar resultados, fraudar documentos, enganar, extorquir...

Empresas que não trabalham com transparência e honestidade estão perdendo seus investidores, que preferem apostar numa relação de confiança. Da mesma forma as organizações, instituições e órgãos públicos dos poderes constituídos, assim como seus representantes, também, em face das suas condutas podem contribuir para sua credibilidade ou para sua falência.


Pode-se perceber que em uma sociedade organizada, a confiança e a honestidade, mesmo sem estar na moda, ainda é o fator que mais atrai e contribui para a multiplicação do bem viver.

Ninguém, em sã consciência, investe e confia em instituições ou empresas nas quais não confia.

E é importante lembrar que as empresas e instituições são dirigidas e compostas por pessoas. E são essas pessoas que lhes dão confiabilidade ou não.

Portanto, é sempre o indivíduo o portador dos valores morais capazes de gerar confiança. Ele, e somente ele é capaz de sustentar a confiança, a credibilidade e as amizades.

Afinal, se a desonestidade e a ausência de valores morais se tornarem regra geral de conduta, o que será da nossa sociedade?

Portanto, vergonha de ser honesto e justo, jamais!
Pense nisso, e não contribua para turvar o lago da esperança com os detritos da desonestidade e da subserviência.

Seja honesto, seja humano, seja justo!

Comentários