A Rosa Mística e o Rito Escocês Antigo e Aceito

A Rosa Mística (ou Cândida Rosa) é um dos mais importantes símbolos dos Altos Graus (do Grau 4 ao Grau 33) do Rito Escocês Antigo e Aceito, pois associa aspectos esotéricos, religiosos e poéticos.

    
Na tradição cristã, a Rosa Mística possui vários significados. O primeiro deles está ligado às aparições da Virgem Maria na região de Montichiari, na Itália, entre os anos de 1947 e 1976.
       
Nessas epifanias, a imagem de Nossa Senhora surgia tendo uma coroa luminosa à frente do coração, a qual tinha tinha o formato semelhante a uma rosa.

      
As aparições da Virgem Maria em Montechiari atraíram inúmeros fiéis católicos e deram origem ao culto de Nossa Senhora da Rosa Mística.
       
O misticismo da rosa é também narrado na mitologia da Grécia Antiga. 
     
Conta uma lenda, que a deusa Afrodite encontrou o jovem Adônis, por quem era apaixonada, gravemente ferido devido ataque de um enorme javali. 
Ao socorrê-lo, Afrodite se feriu, quando tentava deitar o corpo de Adônis sobre roseiral ainda em flor. 
   
O sangue da deusa ferida tingiu as rosas que desabrochavam. 
       
A lenda relata que Afrodite colheu as flores manchadas com seu sangue e colocou-as sobre o ferimento de Adônis, regenerando a ferida e revivendo o seu amado
.
Com essa lenda tem início, na Antiguidade Grega, 
a associação da rosa vermelha ao amor apaixonado.
    
O mito sobre Afrodite e Adônis deu origem à cerimônia conhecida como rosália, a qual posteriormente originou a tradição de depositar flores sobre os túmulos, simbolizando o desejo da regeneração física e espiritual dos mortos.
    
Sob o ponto de vista iniciático, o significado da rosa mística pode ser compreendido como a vitória definitiva após o sofrimento mais intenso. 
   
Em uma das mais importantes obras da literatura universal, A Divina Comédia, o poeta Dante Alighieri, no final da sua trajetória, após atravessar os suplícios do Inferno e do Purgatório, conseguiu contemplar a Rosa Mística, no lugar mais alto do Paraíso (ou Empíreo), onde habitavam, em torno de Deus, os santos e os seres abençoados
.
Na obra A Divina Comédia, Dante e sua amada Beatriz
contemplaram o Empíreo. Essa região era composta por seres que
circundavam uma intensa luz, cuja imagem assemelhava-se a uma rosa.

Sob o aspecto hermético, a Rosa Mística é entendida, algumas vezes, como o objetivo final do iniciado, ou seja, o de visitar o interior da terra e de lá retornar após ter contemplado essa Rosa Sagrada, de forma semelhante ao ensinamento contido na expressão V.I.T.R.IO.L..

À luz do entendimento cristão, a Rosa Mística é a Salvação do Espírito que, após enfrentar os sofrimentos da vida material, encontra a felicidade eterna junto a Deus.
    
Sob o ponto de vista maçônico, é possível atribuir à Rosa Mística o mesmo significado da Palavra Perdida, pois ambas simbolizam os mais profundos mistérios que devem ser desvelados pelos iniciados.

Na Maçonaria, a Rosa Mística é apresentada, por exemplo, no Grau 18 (Cavaleiro Rosacruz, ou do Pelicano) como elemento central dos estudos, os quais incluem, entre outros temas: o Misticismo Cristão, a Alquimia, o Hermetismo e a Tradição Rosacruz.



No Grau 18 (Cavaleiro do Pelicano), a rosa e a cruz formam
um símbolo que serve de base para todo o entendimento desse Grau.
      
Em relação ao Rito Escocês Antigo e Aceito, além do significado relacionado a Cristo, a Rosa Mística pode também representar: a conquista final da alma, a ascensão espiritual definitiva ou o último patamar da evolução espiritual.

Diferentemente do Cristianismo, que prega a Salvação, no Budismo, o
último patamar da evolução espiritual é o Nirvana, um estado espiritual
de pura felicidade e completamente além do sofrimento.

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