Fraternidade, solidariedade e caridade

Fraternidade, solidariedade e caridade 

Não é difícil confundir esses três termos, pois para muitos eles acabam sendo sinônimos e, embora não sejam antônimos, existem diferenças importantes entre eles. 

Os maçons costumam praticar as duas primeiras, fraternidade e solidariedade, enquanto rejeitamos a terceira, caridade, porque entendemos que é uma forma de praticar a solidariedade, nunca a fraternidade, o que implica certo sentimento de superioridade sobre quem recebe nosso óbolo e isso é geralmente uma prática comum em organizações religiosas como meio pelo qual, entre outros, alguns de seus fiéis consideram seus "pecados" lavados.

A fraternidade e a solidariedade podem confundir-se embora haja um ponto que as distingue com clareza cristalina, a fraternidade é praticada exclusivamente com aqueles que pertencem ao que poderíamos considerar "o clã", "a irmandade". 

Ou seja, ocorre exclusivamente entre aqueles que estão unidos por algum tipo de vínculo que vai além do pertencimento comum à espécie humana. 

É, naturalmente, algo consubstancial à Maçonaria precisamente por ser uma fraternidade, a dos "Filhos da Viúva", que nos obriga a ser irmãos e irmãs daqueles com quem partilhamos a condição de maçons.

Embora os efeitos práticos da fraternidade e da solidariedade possam ser semelhantes, de ajuda desinteressada aos nossos congêneres necessitados, é evidente que os sentimentos que um e outro produzem em nós são diferentes. 

Podemos, devemos, ser solidários com todos aqueles que se encontram em situação de desamparo físico ou espiritual, mas será difícil para nós sentirmo-nos próximos, enfim fraternos, de quem nada sabemos, ainda que partilhemos a pertença à mesma espécie.

Por outro lado, a fraternidade traz consigo uma característica que dificilmente pode ser encontrada na solidariedade, não digamos nada obviamente sobre a caridade, e é que sua prática pode ser tão simples e fácil quanto passar alguns minutos ouvindo os problemas de um Irmão ou Irmã em um momento pessoal difícil, apenas o que às vezes é mais pesado do que pegar sua carteira. 


Devemos também pressupor que a prática desta virtude maçônica, embora não apenas nossa, implicará honestidade nas relações entre aqueles de nós que se sentem ligados a esta cadeia de união sob pena de que o que para uns é fraternidade para outros é mero exercício de picaresco


No que diz respeito à caridade, pouco mais do que foi apontado no início, exceto para lembrar que, para certas crenças, é uma virtude de alto nível que se orienta, segundo o catecismo da Igreja Católica de 1822, a « amar a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo e pelo próximo como a nós mesmos, por amor de Deus». 

Como você pode ver, é uma questão que, como todas as religiosas, tem muito pouco a ver com o humanismo e muito a ver com aquela questão um tanto etérea do amor divino. 

Em suma, pratiquemos honestamente a fraternidade, com aqueles a quem devemos; deixemos a solidariedade com o resto da raça humana e a caridade para aqueles que consideram que o importante não é a raça humana, mas aquela enteléquia que alguns chamam de deus.

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