Em O Mal-Estar na Civilização, Sigmund Freud aponta que indivíduos são organizados em civilização, assim regulamentando suas convivências interpessoais. Devido às restrições então impostas uns aos outros, ocorrem renúncias pulsionais.
A pergunta que inaugura "O mal-estar na civilização" (Freud, 1930/1976) refere-se ao sentido e ao propósito da vida. Historicamente, a religião ofereceu respostas para essa questão, mas, na opinião de Freud, tais respostas situam-se no campo da ilusão.
O mal-estar na civilização é uma busca pela fonte da infelicidade humana, do antagonismo entre instintos e cultura e de como a sociedade reprime o indivíduo. Freud argumenta que a civilização pretende proteger os seus integrantes ante o sofrimento.
Para Freud, um dos problemas da civilização reside no fato de que para progredir precisa reprimir a sexualidade, tornando-a amor inibido em sua finalidade e, assim, garantindo a formação dos vínculos afetivos necessários para manter unidos os membros de uma comunidade.
Em 1923, Freud desenvolveu um modelo estrutural da personalidade, organizando o aparelho psíquico em três estruturas: ID, ego e superego. Cada uma delas é responsável por um aspecto da personalidade humana, regendo a interação do indivíduo com outras pessoas.
Durante muito tempo, os distúrbios psicológicos foram considerados loucura e possessão diabólica. Foi a partir dos estudos do neurologista Sigmund Freud que esse tipo de doença passou a ser visto como um problema causado por processos orgânicos e psicológicos.
A partir daí o especialista percebeu que muitas atitudes humanas são condicionadas pelo inconsciente. Freud estimou, então, que o acesso ao inconsciente individual possibilitaria encontrar as respostas para os problemas psicológicos. Com essa ideia, ele propôs a interpretação de sonhos e a livre associação como métodos para acessar camadas mais profundas da mente e buscar a cura.
Em 1923, Freud desenvolveu um modelo estrutural da personalidade, organizando o aparelho psíquico em três estruturas: ID, ego e superego.
Cada uma delas é responsável por um aspecto da personalidade humana, regendo a interação do indivíduo com outras pessoas.
Superego: aspecto moral da personalidade, produto da internalização dos valores e padrões recebidos dos pais e da sociedade.
ID, Ego e Superego
ID
O ID é a fonte de energia psíquica e o aspecto da personalidade relacionado aos instintos. É totalmente inconsciente, sendo formado pelas pulsões, instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes.
O ID funciona de acordo com o princípio do prazer, buscando sempre o que gera prazer e evita o desprazer. O ID é impulsivo, busca uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece inibição. Além disso, esse aspecto desconhece juízo, a lógica, os valores e a moral.
Ego
O ego é aspecto racional da personalidade responsável pelo controle dos instintos, servindo como mediador e facilitador da interação entre o ID e as circunstâncias do mundo externo.
O ego representa a razão ou a racionalidade, ao contrário da paixão insistente e irracional do ID. O ego obedece ao princípio da realidade, refreando as demandas em busca do prazer até encontrar o objeto apropriado para satisfazer a necessidade e reduzir a tensão. A principal função do ego é buscar uma harmonização entre os desejos do ID e a supervisão/realidade/repressão do superego.
Superego
É a parte moral da mente humana que representa os valores da sociedade. O superego tem três objetivos:
– Reprimir, por meio de punição ou sentimento de culpa, qualquer impulso contrário às regras e ideais;
– Forçar o ego a se comportar de maneira moral, mesmo que irracional;
– Conduzir o indivíduo à perfeição.
O superego forma-se após o ego, enquanto a criança assimila os valores recebidos dos pais e da sociedade. Ele pode funcionar de uma maneira bastante primitiva, punindo o indivíduo não apenas por ações praticadas, mas também por pensamentos inaceitáveis. O superego tem o pensamento dualista (tudo ou nada, certo ou errado, sem meio-termo) e está sempre em conflito com o id.
A interação entre ID, ego e superego
Imagine que você acorda em uma segunda-feira ensolarada e precisa ir trabalhar. O ID entra em ação quando você pensa ou decide não ir ao trabalho, aproveitando o dia ensolarado para fazer um passeio.
O ego traz a razão e mostra que você deve ter responsabilidade e encontrar outra oportunidade para fazer esse passeio, apontando que o mais prudente no momento é ir ao trabalho.
O Superego, por fim, acredita que uma atitude dessas é inaceitável, e que você merece punição caso tome essa decisão.
Para a Psicanálise, os distúrbios psicológicos e os conflitos surgem a partir da interação disfuncional entre as três estruturas.
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