O costume de cobrir ou proteger simbolicamente a região hipogástrica é comum entre diferentes civilizações e culturas: cingidor dos israelitas, aventais brancos persas, cintas sagradas dos brahmanes, mantos brancos dos essênios, mandis brancos japoneses, foram usados em cerimônias inicáticas e rituais.
Dado que o objeto de trabalho, a pedra bruta, somos nós mesmos, resulta disso que é o nosso próprio plano inferior do qual temos de nos proteger e ao mesmo tempo sobre o qual temos de trabalhar para alcançar o máximo progresso moral e espiritual, cumprindo assim com o mandato de “dominar a terra sabiamente”.
Seu uso no mundo profano é um pedaço de tecido impermeável que se prende ao corpo à altura da cintura para proteger a roupa durante trabalhos duros, por isso, no que respeita aos ensinamentos e interpretações simbólicas na Maçonaria, o avental tem sua origem desde as mais antigos costumes hebraicos e egípcias.
Caldeus, assírios, druidas, etc. atribuíam-lhe qualidades como a de PERSEVERANÇA, CONSTÂNCIA E FIRMEZA nas ações humanas, como qualidades indispensáveis nos iniciados
Diz o Gênesis que Deus vestiu Adão e sua esposa de pele e os enviou para fora do jardim do Éden "para que trabalhassem a terra".
Pode-se entender disto que Deus dotou o homem de corpo físico para exercitar, trabalhar, suas qualidades divinas na terra.
Podemos deduzir disto que quando colocamos o avental, estamos a recordar a natureza e a finalidade do homem como agora o conhecemos: espírito revestido de matéria que trabalha a terra para traduzir nela as suas capacidades, que através deste trabalho pode conhecer-se a si mesmo, pois esse mundo exterior colocado à sua disposição reflecte, por sua vez, de forma simbólica, a própria essência do homem.
Desenvolvimento
A palavra avental vem da voz latina MANTILE e também é traduzida como sinônimo de MANDIL, é um avental que se coloca amarrado com um cordão na cintura e que vai até as coxas; serve para preservar os vestidos dos trabalhos dos artesãos.
O avental deve ser forrado de seda ou raso preto alegórico das trevas, da ignorância, do mistério. a ribete azul celeste que indica Infinito que indica que assim como na vida os maçons estaremos unidos na eternidade.
Quando o avental se adere ao corpo, é segurado por uma corda ou fita, que forma um círculo em relação ao corpo, simbolizando o espírito de Deus.
O triângulo da babeta representa a alma maçônica, é um triângulo cujos três vórtices significam:
Três graus fundamentais:
Ap ∴, C ∴ e M ∴
Três fatos vitais:
Saúde, dinheiro e amor.
Três fatos porque lutar:
Município, Estado e Nação
Três coisas para defender:
Honra, pátria e lar.
Três coisas para controlar:
Carácter, Língua e Conduta.
Três qualidades para estimar:
Retidão, coragem e gratidão.
Três fatos para meditar:
Vida, morte e eternidade.
Três fatos a evitar:
Preguiça, barbaridade e ignorância.
Três fatos para admirar:
Vontade, dignidade e lealdade.
Três fatos para adotar:
Liberdade, igualdade e fraternidade.
Três instituições para defender:
Revolução, Liberalismo e Maçonaria.
O ignorante grita, o inteligente discute, e o sábio cala-se.
Sabedoria, Força e Beleza.
Saúde, Força e União
O quadrado representa o nosso corpo (a terra, a matéria e a essência).
Unindo estes três significados, temos presente no avental a representação do homem em alma, espírito e corpo.
O aprendiz maçom deve usar a babeta levantada, formando a figura de um polígono de cinco lados, tornando-se uma figura geométrica mais avançada que o quadrado.
Outra configuração que se nota no avental consiste em que resulta uma combinação entre o quadrado e o triângulo; este último representa a primeira das figuras geométricas e o quadrado é a soma de dois triângulos, portanto, atento à forma como eles estão colocadas estas figuras geométricas, significa que o aprendiz deve educar o seu espírito para dominar a matéria, e moralmente, deve encetar a luta para dominar as paixões que são consideradas como defeitos próprios da matéria, o que toca ao iniciado modelar para viver em harmonia com todos os seus semelhantes.
O avental com suas duas faces também simboliza: dia e noite, luz e escuridão, trabalho e descanso, sabedoria e ignorância, alegria e dor, bens e males e VIDA E MORTE.
O avental só é usado pelo verso. Somente durante os trabalhos da Sociedade Fúnebre, nesse caso simboliza luto, repouso e morte e recebe o nome de Logia da Dor.
A representação do avental em maçonaria é a do trabalho, sua forma e cores variam nos vários graus.
O avental símbolo do trabalho é o único distintivo que dá direito ao maçom, para entrar nos templos e tomar parte das tidas.
O avental do Aprendiz é branco,
Reflete assim a sua boa vontade e a sua pureza de intenção: pediu a Luz, procurou a Verdade e bateu às portas do Templo e esse, o seu trabalho até agora, é o que o seu alvo avental acredita.
O BRANCO é representativo do TRABALHO, do DINAMISMO, da ATIVIDADE e em geral de tudo o que indica a LABORIOSIDADE, o AVANÇO e o PROGRESSO humanos, por essa razão é considerado também como alegórico do DIA, ou seja, das horas que o SOL leva para percorrer o espaço, em sua carreira de ORIENTE A OCIDENTE.
Pode-se dizer que o avental tem três partes: uma triangular, uma quadrada e algumas fitas que o rodeiam e seguram.
Como o próprio corpo humano parece ter cabeça, tronco e membros: o plano interior, o plano exterior e a trama universal que tudo o relaciona.
Como na própria Sociedade, o Delta preside ao trabalho no Templo, percorrido pela cadeia da União.
Visto assim, estabeleça uma sobreposição de planos: Mandil, Homem, Templo, Universo.
Conclusão...
O círculo (Deus) é feito veículo no triângulo (alma) para se manifestar no quadrado (corpo).
Representado no avental maçom como o caminho que deve seguir de volta à manifestação do ser divino, que todos nós carregamos dentro de si.
Então, o avental é para o maçom como o corpo físico é para o homem.
O avental representa o próprio maçom. Recorda-nos que aqui todo o trabalho é feito através do plano físico, que visto assim nos é um nível inferior, mas é preciso vê-lo no plano substancial em que a essência se encarna para podermos assim participar na grande Construção Universal.
Como o próprio corpo físico, carrega as pegadas da vida vivida e do trabalho realizado.
Como todos os símbolos tem diferentes planos de leitura e nele tudo é significativo: a forma, a cor, o tecido, o lugar que ocupa sobre o corpo.
Como maçons, entendemos que as leis que regem a criação são as mesmas leis que devem influenciar o desenho da nossa vida.
Comentários
Postar um comentário