O Maçom Papagaio: Eco Sem Voz Própria



Na vastidão simbólica da Maçonaria, onde o conhecimento é buscado pelo trabalho, pela vivência e pelo silêncio refletido, surge uma figura curiosa e cada vez mais comum: o maçom papagaio, também chamado por alguns de maçom loro. Este personagem não se fez à luz da busca, mas à sombra da repetição.


O "maçom papagaio" é aquele que, embora tenha sido iniciado, jamais percorreu de fato os caminhos das Lojas.

Muitos sequer passaram por três oficinas, mas já se declaram conhecedores profundos da Arte Real, munidos apenas de fragmentos pinçados da internet e frases soltas decoradas como dogmas.

Seu saber é raso, porém sua certeza é profunda — um paradoxo que denuncia sua ausência de reflexão.

Trata-se de um irmão adormecido não apenas pela ausência física, mas pelo desuso da razão.

O pouco que aprendeu não floresceu, pois nunca foi plantado no solo da prática nem regado pela convivência com os mais experientes.

Vive de repetir fórmulas, termos e chavões, muitas vezes sem sequer compreendê-los.

Se indagado sobre o que é a Maçonaria ou qual o seu objetivo nela, hesita, desconversa ou responde com clichês vazios.

Há, ainda, um traço curioso:
seu instinto investigativo.

Ao ver outro maçom, não se sente acolhido — sente-se ameaçado.

Seu comportamento torna-se arisco, desconfiado, quase feroz, e logo dispara a pergunta tradicional, com tom de inquisição: "Curupaco?" — como se a maçonaria fosse uma senha de clube secreto e não uma jornada de aprimoramento interior.

Falta-lhe fraternidade.
Falta-lhe humildade.

Falta-lhe, sobretudo, a consciência de que ser maçom é mais do que repetir: é refletir, aprender, praticar, calar e, quando falar, que seja com sabedoria construída, não emprestada.

O "maçom papagaio" nos serve como advertência:
não basta ser iniciado.

É preciso continuar se iniciando a cada dia, com cada leitura, cada reunião, cada troca verdadeira.

De outro modo, não passaremos de ecos, e não de vozes.

Réplicas de um saber
que nunca foi nosso.

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