Dizem que todo maçom busca a luz.
O Irmão Toupeira... ainda está procurando o interruptor.
Ninguém sabe ao certo como ele foi iniciado.
Nem ele.
Tudo aconteceu no escuro — literalmente.
Saiu do templo do mesmo jeito que entrou: tateando, confuso e com a sensação de que algo importante passou despercebido.
Desde então, segue firme na Ordem, mas com aquela expressão de quem está sempre tentando entender onde está.
Nunca viu o esquadro, não lembra da régua, e acredita que o avental é só pra proteger da terra — afinal, cavar é com ele mesmo.
Discreto? Muito.
Tanto que às vezes esquecem que ele está lá.
Quando perguntam por que continua, ele apenas resmunga que ainda precisa achar a tal da Pedra Filosofal.
Está certo de que ela deve estar em algum lugar lá embaixo, no centro da Terra, quem sabe entre um túnel simbólico e outro real.
Mas há algo admirável no Irmão Toupeira: ele pode não ter recebido a luz, mas segue cavando.
Silencioso, persistente, perdido... e mesmo assim, presente.
Talvez, no fundo da terra ou no fundo de si mesmo, ele encontre aquilo que nem sabe que procura.
Ou, pelo menos, uma lanterna.
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