Uma vez, encontrei a Sabedoria Antiga.
Era uma mulher muito velha, de presença serena e firme, sentada junto a uma fogueira que crepitava como se queimasse o tempo.
Seus cabelos longos e brancos ondulavam suavemente, sobre os ombros curvados pelo peso dos séculos.
Vestia uma túnica de linho claro, e nos braços trazia uma víria de ouro.
Ela era mais velha que o tempo.
Estava ali desde os primórdios da humanidade.
Seu olhar trespassava a alma e ia direto ao ser. O sorriso — feito de compaixão, aceitação e uma leve ironia — dizia tudo sem palavras.
Disse apenas:
“Eu sou a mais antiga.”
E então, sem mais palavras, mostrou-me cenas da minha vida — aquelas que me causavam angústia e sofrimento.
Conflitos no trabalho.
Tensões na família.
Cobranças. Culpas.
Medos.
Tudo aquilo que, à época, parecia enorme…
mas que, visto com o olhar dela, era minúsculo.
Ela não explicou.
Não julgou.
Apenas me olhou.
E tudo começou a girar.
Vi a minha vida se desdobrar — as auditorias, os prazos, as brigas, os fracassos.
E ri.
Ri.
Ri de tudo.
Ri como quem acorda de um sonho absurdo.
Porque tudo aquilo, que um dia me pesara tanto, era minúsculo visto com o olhar dela.
Ela, que já tinha visto impérios erguerem-se e ruírem, crianças nascerem e partirem, guerras deflagradas por orgulho e encerradas por cansaço.
Ela, que já tinha presenciado amores desfeitos e recomeçados, vidas acesas e apagadas como velas ao vento, sabia que o mundo gira — sempre — em torno do mesmo fogo.
Ri porque,
pela primeira vez,
vi o tamanho real das coisas.
Porque compreendi que o medo é uma invenção.
E que as dores que me consumiam eram apenas poeira
no vendaval cósmico da existência.
Ela não me deu conselhos.
Não me pediu nada.
Apenas me deixou ver.
E ao ver,
Renasci ...
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