A MAIS ANTIGA (Elsa Sofia Sousa)

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Uma vez, encontrei a Sabedoria Antiga.

Era uma mulher muito velha, de presença serena e firme, sentada junto a uma fogueira que crepitava como se queimasse o tempo.

Seus cabelos longos e brancos ondulavam suavemente, sobre os ombros curvados pelo peso dos séculos.

Vestia uma túnica de linho claro, e nos braços trazia uma víria de ouro.

Ela era mais velha que o tempo.

Estava ali desde os primórdios da humanidade.

Seu olhar trespassava a alma e ia direto ao ser. O sorriso — feito de compaixão, aceitação e uma leve ironia — dizia tudo sem palavras.


Disse apenas:

“Eu sou a mais antiga.”


E então, sem mais palavras, mostrou-me cenas da minha vida — aquelas que me causavam angústia e sofrimento.

Conflitos no trabalho.

Tensões na família.

Cobranças. Culpas. 

Medos.


Tudo aquilo que, à época, parecia enorme…

mas que, visto com o olhar dela, era minúsculo.

Ela não explicou.

Não julgou.

Apenas me olhou.


E tudo começou a girar.

Vi a minha vida se desdobrar — as auditorias, os prazos, as brigas, os fracassos.

E ri.

Ri.

Ri de tudo.

Ri como quem acorda de um sonho absurdo.

Porque tudo aquilo, que um dia me pesara tanto, era minúsculo visto com o olhar dela.

Ela, que já tinha visto impérios erguerem-se e ruírem, crianças nascerem e partirem, guerras deflagradas por orgulho e encerradas por cansaço.

Ela, que já tinha presenciado amores desfeitos e recomeçados, vidas acesas e apagadas como velas ao vento, sabia que o mundo gira — sempre — em torno do mesmo fogo.

Ri porque, 

pela primeira vez, 

vi o tamanho real das coisas.


Porque compreendi que o medo é uma invenção.

E que as dores que me consumiam eram apenas poeira

no vendaval cósmico da existência.


Ela não me deu conselhos.

Não me pediu nada.

Apenas me deixou ver.


E ao ver,

Renasci ...

 


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