Desde a antiguidade, a filosofia tem se sustentado na capacidade de questionar.
Sócrates, com seu método maêutico, ensinava que a verdadeira sabedoria consiste em reconhecer a própria ignorância.
A dúvida, nesse sentido, não é fraqueza nem incerteza vazia, mas sim a semente do conhecimento.
O ser humano, ao aceitar que não possui todas as respostas, abre um espaço fértil para a aprendizagem.
No caminho inicial, a dúvida desempenha um papel fundamental.
O maçom não deve ser um dogmático nem um seguidor cego de fórmulas estabelecidas, mas sim um buscador consciente.
A loja, como escola de pensamento simbólico e espiritual, ensina que duvidar é afinar o olhar interior para distinguir o verdadeiro do ilusório.
O aprendiz começa sua jornada rodeado de sombras; a dúvida acompanha-o como companheira leal, pois o obriga a perguntar:
Quem sou eu? ,
O que procuro? ,
Qual é o propósito da minha existência?
Assim, a dúvida filosófica não paralisa, mas impulsiona a caminhar em direção à luz, como o peregrino que entra em uma floresta desconhecida com a certeza de que cada pergunta o aproxima de uma clareira.
Neste sentido, a dúvida é também uma proteção: libra o maçom dos dogmas e dos falsos profetas do conhecimento.
É um lembrete de que o progresso espiritual não se mede pela quantidade de respostas que se possuem, mas pela qualidade das perguntas que se colocam.
A dúvida filosófica se transforma em um freio ao orgulho intelectual.
Quem duvida reconhece seus limites, abre-se a ouvir o outro e cultiva a humildade de aceitar que a verdade não pertence a ninguém exclusivamente, mas se constrói no diálogo e na experiência compartilhada.
Assim, a dúvida virtuosa opõe-se tanto ao cepticismo absoluto (que nega tudo sem se abrir a nada) como à credulidade ingênua (que aceita tudo sem discernimento).
A dúvida, quando equilibrada, torna-se discernimento, essa bússola moral e intelectual que guia o iniciado no caminho da vida.
Neste caminho, a dúvida adquire uma dimensão contemplativa.
Perguntando-se "Quem sou eu? ”
é uma das formas
mais puras de meditação.
A dúvida se torna um espelho onde a consciência se observa, dissolvendo as falsas identidades.
Assim como o silêncio não é ausência de som, mas espaço onde o barulho faz sentido, a dúvida não é ausência de certezas, mas o espaço onde as certezas podem nascer renovadas.
Na meditação, a dúvida não busca respostas imediatas; procura abrir fissuras no muro do aparente para que a luz do essencial se filtre.
O próprio universo parece ser regido por ciclos de dúvida e certeza: a ciência avança questionando teorias aceites e substituindo-as por novas, até que estas, por sua vez, sejam postas em dúvida.
Este movimento pendular constitui o ritmo do progresso humano.
Na vida quotidiana, a dúvida também desempenha um papel semelhante ao do silêncio na música: marca pausas, convida a parar e refletir antes de agir, impedindo-nos de cair na inércia do automatismo.
A dúvida filosófica não é um obstáculo, mas um caminho, protege o conhecimento daqueles que não estão preparados para compreendê-lo, pois convida a perguntar mais do que responde; educa a humildade e o discernimento; torna-se um espelho interior que leva ao autoconhecimento.
No ritmo do pensamento humano, permita avançar, corrigir e aperfeiçoar-se.
Assim, a dúvida não deve ser temida nem rejeitada: deve ser cultivada como uma arte nobre, porque nela reside a semente de toda transformação espiritual.
Resp. '. Registo.'. Noz n° 4 Ou. De San Luis Potosí.
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