No Libera Muratorium o símbolo não é um ornamento nem uma ferramenta antiga: é o coração do método inicial.
A maçonaria, tendo que transmitir conhecimento que vai além da mera experiência sensata, usa linguagem simbólica porque só ela pode véu e revelar em conjunto o que é de uma ordem transcendente.
Em um primeiro nível, o símbolo é uma referência sensível a uma realidade supersensível; mas não se limita a "representar": relaciona a pessoa que o contempla com o que significa.
É por isso que o Mestre Maçônico se comunica principalmente através de símbolos que, trabalhados em ritual e meditação pessoal, levam o Iniciador a reconhecer gradualmente sua própria natureza superior.
O que é (e o que não é) um símbolo
Etimologicamente, o símbolo vem do grego simbállein: "juntar".
Na antiguidade, indicava um cartão partido em duas partes adicionais que, quando reunidas, testemunham identidade e aliança.
Assim, o símbolo combina o visível com o invisível, o exterior com o interior.
Não fiques confuso:
Com sinal convencional (que se refere a apenas um significado por acordo);
Nem com alegoria (que traduz em imagens uma ideia abstrata).
O símbolo, conhecido por Mircea Eliade, participa da realidade que ela adia; e, como Paul Ric. suas repetições, "o símbolo faz você pensar": é polissémico, abre caminhos, não fecha.
Porque é crucial para o trabalho maçônico
O símbolo é a chave virada da educação inicial: instrui sem impor, insere conhecimento vivencial mais do que notionista, preserva o leigo do mau uso e convida o iniciador a uma inteligência do coração.
É no ritual - onde o gesto, a palavra e o silêncio concordam que os símbolos tornam-se operacionais:
-a Equipa e a Bússola,
-a Pedra Crua e a Pedra Cúbica.
O Oriente e a Luz não são emblemas silenciosos, mas sim instrumentos de auto-transformação.
Neste sentido, o método de transmitir conhecimento na Maçonaria está imbuído (não exclusivamente) de simbolismo: não por causa do esoterismo hermético em si mesmo, mas porque algumas verdades são aprendidas apenas vivendo um símbolo e deixando-se trabalhar a partir dele.
Para cavar mais fundo...
Aqueles que desejam um estudo orgânico podem partir de René Guénon, Símbolos da Ciência Sagrada; do léxico comparativo de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário de Símbolos; das visões histórico-religiosas de Mircea Eliade (O Sagrado e o Secular) e da reflexão filosófica de Paul Ric Sciur (O símbolo faz você pensar).
Autores diferentes, mas salientamos que o símbolo é uma ponte: entre o homem e o seu centro, entre o mundo e a Origem.
A tentativa, aqui, é apenas oferecer uma orientação humilde:
lembrar que o símbolo, à maneira maçônica,
não é decoração, mas operação;
não é fuga, mas disciplina do olhar;
não é segredo para poucos, mas sim linguagem antiga
que qualquer um pode aprender,
trabalhando ele mesmo,
para tornar o dia mais brilh
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