Em vez de se posicionar ao lado dos menos favorecidos, demonstra desconfiança em relação aos movimentos sociais, silencia-se diante do extermínio da juventude negra, ignora a precarização do trabalho, negligencia a degradação ambiental e se esquiva do enfrentamento à corrupção sistêmica. Seu discurso, frequentemente revestido de um falso moralismo, apenas reforça privilégios e perpetua a retórica de uma elite avarenta e intelectualmente desonesta.
O que poderia ser um agente de transformação e um espaço de reflexão crítica muitas vezes se converte em cúmplice da estagnação, legitimando desigualdades e fortalecendo estruturas de dominação. Para honrar sua essência, a Maçonaria deve resgatar seu papel histórico, promovendo mudanças reais e reafirmando seu compromisso com a justiça, a liberdade e a dignidade humana.
A verdadeira Maçonaria,
aquela que se alinha aos princípios de
liberdade, igualdade e fraternidade,
não pode se furtar ao seu papel histórico.
Não há neutralidade diante da injustiça. O silêncio é conivência. A omissão é cumplicidade. E a recusa em enfrentar essas questões é a prova definitiva de que, para muitos, a Maçonaria deixou de ser um instrumento de transformação para se tornar apenas um símbolo esvaziado de significado.
Não há Maçonaria autêntica sem luta social.
Caminhos de reconstrução:
Sem esse compromisso genuíno com a justiça e a equidade, a Maçonaria corre o risco de se tornar apenas um símbolo esvaziado de significado, distante das verdadeiras batalhas que definem o presente e moldam o futuro.
A essência revolucionária da Maçonaria e o imperativo da coerência histórica.
No âmago da tradição maçônica repousa uma máxima que transcende a mera liturgia: “tornar feliz a humanidade”. Esse princípio, mais do que um lema ou um ritual simbólico, deve ser compreendido como o verdadeiro norte da ordem, uma missão ética e política que desafia seus membros a transformar a realidade social a partir do compromisso com a justiça, a liberdade e a fraternidade.
Quando essa máxima é reduzida a uma formalidade vazia, a Maçonaria perde sua razão de ser.
Tornar feliz a humanidade não significa apenas desejar um mundo melhor em abstração, mas implica em ações concretas que questionem as estruturas opressoras, desconstruam as desigualdades e ampliem as possibilidades de emancipação para todos os seres humanos. É um chamado para que a ordem assuma seu papel histórico como agente de mudança, enfrentando os poderes que limitam o desenvolvimento humano e a dignidade.
Este é um desafio radical e revolucionário. Pois, no mundo contemporâneo, marcado por crises econômicas, sociais, ambientais e políticas, a felicidade coletiva depende diretamente da superação dos sistemas de exploração e dominação. Requer coragem para romper com o conservadorismo, para abrir diálogo com os movimentos populares e para transformar as práticas internas, muitas vezes marcadas por elitismo e apatia.
A verdadeira revolução maçônica, portanto, é uma revolução ética e social.
E, neste percurso, a história será implacável. Ela não esquece nem perdoa contradições, silêncios cúmplices ou desvios ideológicos. A coerência entre discurso e prática é o que define a autenticidade de uma instituição que pretende se manter viva e relevante.
Assim, a Maçonaria brasileira está convocada a não apenas reiterar suas palavras, mas a transformar suas ações, mostrando ao mundo que seu compromisso com a felicidade da humanidade é, de fato, revolucionário e que, no tribunal da história, saberá responder com integridade e coragem.
“Tornar feliz a humanidade”
não é apenas um ideal ritualístico.
É uma tarefa revolucionária.
E a história, como sempre, cobrará coerência.
A beleza da maçonaria é saber que oque nos torna iguais são nossas diferenças. O texto representa a opinião de um Irmão, respeitado pela retórica utilizada, e o real exercício do livre pensar. Contudo não acredito que eu deva lutar por comunidades a favor do aborto, do uso da maconha, a generalização proposta é uma condição arriscada, o bom senso nos aconselha a isso.
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ResponderExcluirCaro Irmão,
A beleza da Maçonaria realmente está em sabermos respeitar as diferenças e, acima delas, buscarmos a verdade e a virtude. O exercício do livre pensar é um dos pilares que nos engrandece.
Entretanto, acredito que o livre pensar não deve ser confundido com a adesão a todas as causas. O bom senso e a prudência — virtudes também maçônicas — nos orientam a refletir sobre quais lutas realmente promovem o bem, a justiça e o progresso moral da humanidade.
Assim, embora respeite quem pensa diferente, não considero que causas como a defesa do aborto ou da liberação de entorpecentes estejam alinhadas aos princípios que norteiam nossa Ordem.
Fraternalmente,
Roberto Barros