Maçonaria, Etarismo e Jovencentrismo – uma meditação e uma tese!

envelhecendo, etarismo

Introdução

É comum e aconselhável, no início do desenvolvimento de qualquer ideia, que se definam termos focos para que possíveis leitores saibam quais os limites da ideia do autor [1] [2] [3].

Assim, espaço para este pequeno passo.

Obviamente, não vamos definir Maçonaria.

Para termos um padrão de conversa, no Brasil, o Estatuto da Juventude (Lei 12.852 – Agosto de 2013 – Art. 1º §1º) define como jovem aqueles que tenham idade entre 15 e 29 anos.

Dentro do espaço da abordagem desta ideia que tento trabalhar, adoptaremos o limite entre 18 e 35 anos.

A Lei 10.741 (Outubro 2003) criou o Estatuto do Idoso. Recentemente modificada pela Lei 14.423 de Julho de 2022, onde se adoptou uma terminologia mais eufémica: Estatuto das Pessoas Idosas.

Infelizmente, a meu entender, perdeu-se a oportunidade de actualizá-la nos seus limites etários e, infaustamente, continua-se denominando “pessoa idosa” aqueles que têm (60 anos ou mais; é muita juventude para os dias actuais.

Infelizmente, nunca vou conseguir solução para uma simples curiosidade: saber qual a idade média de quem redige, discute e aprova estas leis – em qualquer nível. A visão, opino, deveria ser mais caleidoscópica!

Etarismo, segundo o Dicionário da Academia Brasileira de Letras é a discriminação e preconceito baseados na idade, geralmente das gerações mais novas em relação às mais velhas. E, para os curiosos, independentemente da idade, esta definição da Academia é acompanhada por texto e bibliografia muito interessantes (vide na referência: “Exemplos de uso”).

A discussão poderia ir mais longe, uma vez que os jovens também são discriminados em muitas situações. Contudo, focaremos, por intenção e objectivo, na definição acima escolhida.

Ageísmo, tem o mesmo significado e é originário da palavra ageism, criada em 1969 pelo médico e gerontologista norte-americano Robert Neil Butler. Destaco para dizer que é um termo “mais médico”.

Idadismo, não se sintam aborrecidos e entediados, percorre o mesmo caminho; meu foco na palavra é também para adicionar informação: a Organização Mundial de Saúde (WHO) no seu Relatório mundial sobre idadismo, descreve “uma estrutura de acção para reduzir este fenómeno, incluindo recomendações específicas para diferentes actores, como por exemplo, governos, agências da ONU, organizações da sociedade civil e sector privado”.

E então, propositalmente, destaco as Organizações da Sociedade Civil (OSC), onde por convicção, incluo a nossa Instituição, a Maçonaria. 

Estamos, pois, arrolados na demanda e na obrigação!

Antes de continuar, mais uma caçamba de paciência para definirmos Jovencentrismo. É mais um preconceito etário, pois, o termo diz respeito ao facto das nossas sociedades serem voltadas maioritariamente para as pessoas mais jovens. E como diz numa entrevista a pesquisadora no tema de longevidade, Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ, Gisela Castro:

É como se as pessoas mais velhas fossem mantidas na inviabilidade ou fossem vistas apenas por meio de lentes negativas, que conferem ao envelhecer significados associados ao declínio e às perdas de todo o tipo”.

A Maçonaria e o Etarismo

Pois bem, elucidados os aspectos que me motivam, voltemos à nossa Instituição.

E agora é um momento angustiante, pois desejo ardentemente que o Irmão que vou citar, não me leve a sério; apenas entenda que é um raciocínio.

O Irmão Kennyo Ismail, obviamente, não me conhece, nunca leu ou ouviu meu nome, mas tenho uma admiração especial por ele; costumo dizer que depois dos antigos – não citarei nomes para não melindrar ninguém – é, para mim, um dos maiores presentes que a Maçonaria recebeu nas últimas gerações, tamanha é a sua importância no estudo e discussão de temas importantes para todos nós.

No artigo “Conflito de gerações e percepção de tempo na Maçonaria” publicado em Julho/2021 “No Esquadro”, analisa o brilhante trabalho que coordenou e apresentou em 2018 no encontro da Confederação Maçónica Interamericana (CMI) e cuja conclusão gerou um diagnóstico preocupante: o conflito de gerações. Por entendimentos individuais, a publicação gerou alguns comentários discordantes, porém, há que entender e aceitar, principalmente, como um importante alerta à Instituição como um todo. O facto, incontestavelmente, existe!

Nesta conclusão sobressaem-se duas gerações: “… a dominante, de mais de 2/3 dos maçons brasileiros, de mais de 50 anos de idade, com concentração se aproximando dos 60 anos, maioritariamente educados pelo sistema tradicional de ensino, tendo parcela considerável com baixa escolaridade ou escolaridade tardia, e sem hábito de leitura; e a dos novos entrantes, de menos de 1/3 do povo maçónico, ingressos nos últimos anos, com menos de 50 anos, sendo a maioria com menos de 40 anos de idade, educados nos sistemas surgidos a partir das reformas educacionais iniciadas na década de 70, e melhor acesso académico e literário”.

Lamento discordar dos que discordaram, mas é uma constatação baseada numa análise autoral de dados obtidos com um número significante de participantes.

Mas para provocar um pouco, questiono: seria isto uma forma de “Etarismo” ou “Jovencentrismo”?

Por favor, não me responda; não é acusação de preconceito, apenas sigo um raciocínio.

E sendo, qual o problema? Como tantos outros, este preconceito existe e é claro dentro da nossa Instituição.

Vemos os irmãos mais idosos sendo tratados como descartáveis, no máximo como símbolos de persistência, sem estímulos cognitivos, sem consideração por suas opiniões, sem cobranças para mostrarem as suas experiências de vida “profana” e maçónica, sendo identificados como “donos de loja” cada vez que opinam, além de outra série de condutas reactivas não condizentes com os ensinamentos maçónicos; é como se as suas desistências não fizessem diferença para o grupo; é como se, afinal, os jovens não envelhecessem. 

O círculo deveria ser virtuoso!

Deveria ser, como afirma o citado relatório da OMS, a nossa missão desenvolver uma “… estrutura de acção para reduzir este fenómeno…”!

E esta “acção”, perdoem-me o tom jocoso, obviamente, não seria apenas substituir os idosos pelos jovens…

É como consta na mensagem do Secretário Geral das Nações Unidas:

idadismo está amplamente disseminado nas instituições, leis e políticas em todo o mundo. Ele prejudica a saúde e a dignidade dos indivíduos, bem como economias e sociedades de maneira escancarada. O idadismo nega às pessoas os seus direitos humanos e a habilidade de cada indivíduo alcançar o seu pleno potencial”. E mais adiante: “Abordar o idadismo é essencial para que seja criado um mundo mais igual, no qual a dignidade e os direitos de todos os seres humanos sejam respeitados e protegidos. Isso está no âmago da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o plano detalhado acordado por países de todo o mundo para a construção de um futuro de paz e prosperidade para todos num planeta saudável”.

E podemos, então, perguntar-nos como maçons: e nós?

Dentro do aspecto de diferenças citadas anteriormente, uma das recomendações estratégicas é, pois, intervir educacionalmente, ou seja: “As intervenções educacionais para reduzir o idadismo devem ser incluídas em todos os níveis e tipos de formação, do primário à universidade, e em contextos educacionais formais e informais. As actividades educacionais ajudam a melhorar a empatia, dissipar conceitos erróneos sobre diferentes faixas etárias e reduzir o preconceito e a discriminação ao fornecerem informações correctas e exemplos que combatam os estereótipos” (todos os grifos são do autor).

Mas sigamos, pois não é este o único foco.

E o Jovencentrismo?

Navegando por outros mares, os ventos levam-me a dois portos: um apelidarei de “questões financeiras” e o outro de “expectativa de vida”.

Pisando a praia que conheço, uso como base a Constituição do Grande Oriente do Brasil (27/09/2022) quando regulamenta os requisitos para admissão na Ordem, especificamente no seu Artigo 27.

Propositalmente passo os itens I a III, pois a intenção não é gerar discussão sobre a propriedade de alguns postulados que abordam a idade mínima exigida para a admissão e concentro-me no item IV: “ter condição económico-financeira que lhe assegure subsistência própria e da sua famíliasem prejuízo dos encargos maçónicos”.

Só para gerar reflexão coloquei algumas referências com reportagens não académicas sobre o tema “independência financeira” [5] [6] [7] [8] [9].

Afora algumas possibilidades que a imaginação nos traga, qual o percentil de jovens entre 18-35 anos, faixa etária definida acima, têm, hodiernamente, condições de perfazerem tais compromissos exigidos nas nossas constituições?

E nem vamos adentrar na complexidade do Artigo 29 (“São deveres dos Maçons”).

Fixando-nos, pois, exclusivamente neste aspecto regulamentado pelo Artigo 27, economicamente, a vida mudou drasticamente em todos os lugares do mundo e tudo está cada vez mais difícil para todos, principalmente, voltando ao etarismo ou idadismo, para os mais jovens. Sim, pois afinal, todos somos jovens.

Considerando que no trabalho do Irmão Kennyo Ismail o terço abaixo de 50 anos (faixa etária ideal?) tem a sua maioria até 40 anos, teríamos, inicialmente, duas gerações a analisar [10]: a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010 – girando actualmente entre 12 e 25 anos) e a Geração Y ou Millenials (nascidos entre 1981 e 1996 – girando actualmente entre 26 e 41 anos).

Ao possível leitor, cabe o uso da crítica como lhe aprouver, mas dentro do aspecto que me interessa, nem comentarei a Geração Z! Estariam muito mais para entidades para maçónicas. 

Com raras excepções, recém estão tentando entrar no mercado de trabalho. E a Instituição não pode viver de excepções!

Então, devemos concentramo-nos nos millenials; mas aqui, sem qualquer base científica, arriscaria a minha tese, dizendo que duvido que muitos jovens com menos de 35 anos tenham, hodiernamente, condições de cumprir, sem açodo, o item IV do Art. 27 da Constituição do GOB (ou os similares nas Constituições de outras Potências Regulares)! Voltaremos a querer fixar-nos em excepções?

Não ficaríamos com uma quantificação de público (ou clientes?), no conceito, económico-educacional ideal, em torno de uma faixa de apenas 5 anos (entre 36 e 41 anos!)? Considerando o momento da análise, conseguiríamos manter o equilíbrio entre acesso e a evasão? E já está difícil!

Então, voltemos ao conflito de gerações e avancemos um pouco na Geração X (nascidos entre 1965 e 1980 – girando entre 42 e 57 anos); posso pensar que seria o grupo ideal para focarmos, se o idadismo é um critério a ser levado em consideração

São definidos em vários estudos (a reportagem citada10 serve apenas exemplo) como sendo aqueles que dão valor ao diploma formal e à capacitação e estabilidade profissional

Ou seja, têm estabilidade económico-profissional e interesse em estudar e aprender. Assim é a definição deste grupo.

Mas poderíamos sim, avançar ainda em boa parte dos chamados Baby Boomers (a turma do pós-guerra – nascidos entre1946 e 1964 – girando entre 58 e 76 anos). É a geração que detém independência financeira e experiência, são disciplinadosbuscam por espiritualidade, valorizam o trabalho, a família e a realização pessoal. Queremos mais?

Mas após esta falação aparentemente desfocada, vamos confundir um pouco mais o texto e lembrar alguns aspectos educacionais.

Dados não recentes (2017) [11], mas que mostram uma tendência, indicam que a Geração X (entre 42 e 57 anos) embora tenha a maior taxa de analfabetismo, também possui o maior número de pessoas com ensino superior, totalizando 42%, contra 31% da Geração Y (entre 26 e 41 anos) e 27% das demais gerações somadas.

Mas sem querer alongar-me, pois seria uma discussão enorme, reportagem de Agosto/2022 – Os ‘baby boomers’ invadiram as universidades – dá uma direcção que ajudará no raciocínio: “A idade já não é mais desculpa para desistir do sonho de estudar. Segundo o mais recente levantamento do Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), a quantidade de idosos (por favor, “pessoas idosas”) matriculados em cursos de graduação aumentou cerca de 50% entre 2015 e 2019”.

Será que idade é requisito para se desistir do “sonho de ser Maçom”? A Maçonaria não é uma escola? Ou mesmo, como muitos afirmam: não é uma universidade?

Será que a Maçonaria se deveria preocupar, especialmente nos dias de hoje e no que o futuro nos aponta, com idadismo ou jovencentrismo?

Afinal, quanto vamos viver?

Expectativa de vida ou “esperança de vida” é o outro porto e define-se como “o número médio de anos que a população de um país pode esperar viver, caso sejam mantidas as mesmas condições de vida vivenciadas no momento do nascimento“.

Pois não é que alguns dados acabam sendo interessantes?

Senão vejamos:

  • Atualmente temos no mundo, em torno de 1.1 bilião de pessoas acima de 60 anos; previsão para 2050: 2.1 biliões!
  • A expectativa de vida no nosso país aumentou, aproximadamente, 30 anos entre 1950 e 2020 (de 45 para 75 anos); mas, em Novembro último, o IBGE anunciou que subiu para 77 anos (mulher = 80.5 anos – homem = 73.6 anos); estima-se que em 2040  seja, respectivamente, 83.4 e 76.9aqui já teremos mais idosos que crianças.
  • Somos a 6ª maior população de idosos do mundo (60+e o grupo com mais de 80 anos é o que mais aumenta na população.

No Brasil e no mundo, a parcela da população com idade acima de sessenta anos está crescendo n um ritmo mais acelerado do que qualquer outro grupo etário. Historicamente, o número de crianças sempre foi superior ao número de idosos. Porém, espera-se que em 2050 o percentual da população mundial acima de sessenta anos ultrapasse o percentual de jovens de até 14 anos. No Brasil, essa transição deve ocorrer já em 2030, conforme mostra o Gráfico (abaixo) [4].

Gráfico de proporção da população com idade até 14 anos e acima de 60 anos, 1980-2070 [4]
A proporção da população idosa (acima de sessenta anos) está aumentando, enquanto a proporção da população de jovens (zero a 14 anos) e de adultos (de 15 a sessenta anos) se reduz. O peso das pessoas economicamente dependentes, na população brasileira, chamado de razão de dependência, aumentaria de 0,53, em 2015, para 0,59, em 2030 (UNITED NATIONS, 2015)” (vide gráfico abaixo[4].

Taxa de crescimento populacional por faixa etária – mundo e Brasil, 2015-2030 [4]

E a Maçonaria?

Por fim, uma última passada num último aspecto: a Maçonaria está crescendo ou decrescendo?

Todos conhecemos os inúmeros trabalhos que são feitos e publicados sobre evasão na Maçonaria. Mas, parece que o assunto é ainda mais complicado (para ficarmos numa única referência: “Número de Maçons e Distribuições no Mundo).

Embora, a evolução dos números sejam difíceis de acompanhar, nos EUA calcula-se que, actualmente, existem cerca de 1.5 milhões de maçons. Em 1965 este número chegava a 4,5 milhões, ou seja, apenas 1/3 em pouco mais de meio século. Na UGLE (United Grand Lodge of England) registra-se em torno de 250 mil maçons, tendo reduzido à metade do que existia há 40 anos. A publicação List of Lodge 2011, mostra números um pouco diferentes e na página actual encontramos referência a 175 mil membros.

Aparentemente, o mundo “em desenvolvimento” tem segurado estes números globais. Mas por quanto tempo? As coisas demoram para chegar por aqui, mas chegam! [12]

Conclusão

Bem, creio, já os enfadei a contento e tenho dados suficientes para concluir!

Defendo a ideia de que a Maçonaria é um encontro de gerações e aqui, não estou discutindo e muito menos, opondo-me à conclusão do importante e lúcido trabalho do Irmão Kennyo Ismail, citado acima; foi um trabalho hercúleo, metodologicamente muito bem realizado e chegou-se a uma conclusão baseada nas informações obtidas. Tornou-se um clássico, um marco de alerta a todos os dirigentes maçónicos!

A ideia que defendo é que a Maçonaria permite um intercâmbio fabuloso entre gerações; permite que senhores com várias décadas de vida conversem, troquem informações, aprendam e actualizem-se em valores, costumes, etc., com outros de poucas décadas; mas que, na permuta, absorvam aspectos que poderão facilitar as suas viagens no tempo. Isto é a história da humanidade!

Ao redor do fogo, figurativamente aqui representado pela amizade e fraternidade, anciãos e jovens, conversando sobre a vida e os planos para o futuro!

Estas ideias e preocupações sobre etarismo na Maçonaria não são recentes; lembremos o texto do Irmão Sylvio Cláudio (1987) [16], onde afirma que: “A Maçonaria não é, pois, uma sociedade de velhos”. E mais adiante: “A Ordem Maçónica é uma entidade de jovens, portanto, não obstante os muitos idosos que nela militam”. Etarismo puro!

Há que se respeitar todo momento histórico; em 1987 não se imaginaria as mudanças que ocorreriam em todas as áreas da sociedade nas quase quatro décadas seguintes; igualmente, não temos, se não nos abraçarmos ao estilo ficcional, como imaginar o funcionamento das próximas. Assim, não estou colocando em discussão os textos citados; uso-os apenas como exemplos.

Paradoxalmente, no mesmo texto do Irmão Sylvio Cláudio [16], existem afirmações que me ajudam no raciocínio.

Vejamos: Maçons idosos a frequentam com assiduidade, …, mas lado a lado com rapazes de vinte e poucos anos, numa mistura salutar e desejável, … [16]Fiquei muito feliz!

E mais ainda quando li: “Como, de um modo geral, os mais novos ainda não tem estabilidade social, recomenda-se que só ingresse na Maçonaria o indivíduo já formado, quando for universitário, ou que já esteja com a vida organizada” [16].

Ou ao pontualizar que: “… prefere-se a filiação de indivíduos já casados, pois com a família formada, o homem tende a acomodar-se, …” [16].

E, nestas quase quatro décadas, os valores, os costumes, as dificuldades, as necessidades individuais, etc., mudaram muito. Todos sabemos e as vivenciamos diuturnamente!

Quando terminei a minha formação em medicina, a média de tempo de pós-graduação eram dois anos; hoje, facilmente, gira em torno de 4-5 anos!

Em outra visão, o Irmão João Alves da Silva (1999) [17], assim analisa: “A propósito dos méritos das cabeleiras prateadas, no País e nas demais nações do Velho Mundo, vale referir que ainda existe arraigado preconceito contra a terceira idade em altos cargos da administração pública, contudo, não prevalece em absoluto diante dos exemplos verificados em todas as épocas, neste século como nos demais do milénio que está acabando, em face das primeiras luzes do terceiro milénio. Resta apreciar o falso argumento de que a idade avançada diminui de potencial por força regressiva dos neurónios”. E põe-se a citar exemplos “civis” (“profanos”) e maçónicos cuja “maior fecundidade mental” ocorreu na era das “cabeleiras prateadas”! [17]

Sei que esta ideia se apresenta, à uma primeira análise, diametralmente oposta à teoria do conflito de gerações, mas meu foco é, contudo, bastante diferente.

Baseado nos argumentos apresentados, é minha convicção de que a Maçonaria não deve ser etarista; muito menos, jovencentrista!

Estou convicto, pois, de que a renovação de qualquer instituição não se faz unicamente por idade; faz-se muito antes, com mentes abertas, interessadas e motivadas independentemente da faixa etária analisada.

As nuances das interpretações destas variações são inúmeras e a Maçonaria deve honrar os seus princípios continuando a sua saga progressista e evolucionista!

Estou antes, convicto da necessidade imperiosa de projectos bem formatados de intervenção educacional no lugar imaginarmos o jovencentrismo como solução.

Existem inúmeras iniciativas na comunidade e mesmo na Instituição que podem ser copiadas e aprimoradas [13] [14] [15].

Afirmo que as faixas etárias acima dos 40 anos, para nos atermos às definições, a Geração X e mesmo, os Baby Boomers, poderão ser o futuro da Maçonaria!

Tornarem-se uma oportunidade para correcção dos vieses da regularidade maçónica, das dificuldades de implantação de projectos intra e extra-institucional, pelo exemplo da participação e da actuação, ajudando, inclusive, na conversão de eventuais desinteresses e desmotivação de jovens para o ingresso na Instituição e ainda, especialmente, na diminuição dos índices de evasão.

Afinal, sábios já disseram:

Exemplo, não é uma outra maneira de ensinar, é a única maneira de ensinar

Albert Einstein

Ou de outra forma:

Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única

Albert Schweitzer

Em Agosto de 2022 (21/08/2022), a Augusta e Respeitável Loja Herbert Jurk nº 2818 do Oriente de Timbó/Santa Catarina, iniciou pai e filho. Nada demais diriam os açodados pela impaciência costumeira dos ansiosos; mas há um dado um grão diferente: o pai tinha completado 81 anos!

A felicidade da conquista do iniciado, a sua contínua dedicação neste período de aprendizagem e a conduta maçónica desta “pessoa idosa” só tem causado orgulho aos seus Irmãos de Loja e a toda a Maçonaria da região; a cada dia, mais convictos estão do acerto da atitude que contém enormes proporções de liberdade, igualdade e fraternidade e quase nada de etarismo.

Ou seja, independentemente dos extremos focados e de possíveis excepções consideradas:

  • Idade não é barreira!
  • IdadismoEtarismoAgeísmo ou Jovencentrismonão deve ser uma preocupação na Maçonaria; deve antes, ser uma oportunidade para a sua renovação, o seu aperfeiçoamento e o seu crescimento!
  • Busquemos, pois, nas idades, soluções e não problemas!
  • Basta que, os convidados a ocuparem a coluna que abriga os Aprendizes, seja qual seja a potência ou o rito, esteja aberta a todos que tenham tempo, vontade e dedicação a doar a si, aos seus novos irmãos e à comunidade em geral.


Walter Roque Teixeira – CIM 184.372 – ARBLS Palmeira da Paz nº 2121 – Oriente de Blumenau – GOB/SC – GOB

Comentários