Engole o choro.
Engole sapo.
Cala a boca.
Cala o peito.
Mas o corpo fala, e como...
Fala a ponta dos dedos batendo na mesa.
Falam os pés inquietos.
Fala a dor de cabeça.
Fala a gastrite, o refluxo, a ansiedade.
Fala o nó na garganta atravessado.
Fala a angústia, fala a ruga na testa.
Fala a insônia, o sono demasiado.
Tem hora que o sentimento pede pra ser dito, entendido, descodificado, traduzido.
Tudo que ele quer é ser exorcizado pela palavra ou pela via que lhe cabe melhor.
Expressar tranquiliza a dor.
Dor não é pra sentir pra sempre.
Dor é vírgula.
Então faz uma carta, um poema, um livro.
Canta uma música.
Liga o som e dança, sapateia.
Se pendura num lustre.
Faz uma vida.
Faz piada, faz texto, faz quadro, faz encontro com amigos.
Faz corrida no parque.
Fala pro seu psicólogo,
fala pra Deus,
para o universo.
Conversa sozinho, papeia com seu cachorro, solta um grito, mas não se cale.
Pois “se você engolir tudo que sente,
no final você se engasga, se afoga”.
Psicóloga Clínica Lúcia Madi
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