Quando olho para esse desenho não vejo só um homem carregando uma pedra.
Vejo uma vida inteira mantida
em silêncio.
Eu me reconheço.
E também te sinto a ti.
Tem dias que eu olho para ele e recebo a história do herói:
aguenta pelos seus, pelo trabalho, pelas dívidas, pelo que prometeu.
E uma parte de mim ainda acha que ser uma boa pessoa é isso:
carregar, calar e seguir.
Se eu ficar mais um pouco, a imagem muda.
Não vejo mais força gloriosa, vejo cansaço.
não vejo mais companhia, vejo solidão.
Vejo um corpo a subir uma colina com um peso que, se lhe pendurarmos mais uma palavra,
As costas dela são quebradas e algo por dentro.
Também sei o que é olhar para ele da ferida.
E ouvir dentro a velha frase:
"ninguém sabe o que eu carrego, sempre me toca,
o mundo é injusto comigo".
Nesse papel a rocha deixa de ser apenas peso e vira personagem...
Não solta, abraça.
Porque dói, mas define:
Eu sou "aquele que sofre".
É por isso que esse desenho não fala só dele.
Fala de nós dois.
Fala sobre o que você está carregando agora mesmo nas costas e do que eu sustentei durante anos sem me atrever a dizer "já chega".
Uma coisa é carregar nos ombros a vida que você escolhe,
o que nasce do amor, do cuidado, de um sim consciente.
outra muito diferente é arrastar uma pedra que não faz mais sentido só para continuar fazendo de forte, mártir ou “pobre de mim”.
Porque essa pedra não é neutra.
Cada “tenho que” que você aceita sem rever,
cada "é o que há" que você repete sem olhar,
cada "não posso fazer outra coisa" que você engole,
são golpes de cinzel sobre a pedra.
E um dia, mesmo que não queiras pensar nisso...
Aquela rocha vai ser uma de duas coisas:
ou a laje que te tape,
ou a pedra que você deixa colocada em um lugar útil
para que outros possam sentar-se, apoiar-se
ou construir em cima.
Haverá alguém que morra com a rocha ainda nas costas.
e sua história será resumida em uma linha cruel e verdadeira:
“viveu carregando o que nunca se atreveu a soltar”.
Haverá quem, em algum momento do caminho,
Levante-se, baixe-a para o chão...
Veja o que está escrito nela
e mude pelo menos uma frase.
mesmo que seja tarde, mesmo que reste pouco, mesmo que eu treme.
É por isso que hoje não pergunto quanto pesa sua pedra.
essa resposta já é conhecida pelo teu corpo.
Pergunto-te algo mais estranho:
Se essa pedra que carregas acabasse sendo a tua lápide,
você gostaria do que está escrito nela...
ou você vai continuar chamando "responsabilidade"
ao que, no fundo...
É só medo de soltar?
VERDADE COM AMOR
E AMOR DE VERDADE,
SEMPRE!
(Katriel Quin.)
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