Contra Mim Mesmo!
Mas entenda como NÓS!!
É contra mim que luto, pois não há adversário mais astuto do que aquele que habita o próprio ser.
Em cada pensamento que me desafia, em cada emoção que me contradiz, em cada gesto que me trai, está a batalha silenciosa entre o que sou e o que deveria ser.
Sou um campo de forças opostas, uma arena em que o desejo e a razão se confrontam sem cessar, e onde a vitória de um é sempre a mutilação do outro.
O homem, esse animal dividido,
é o único ser que pode ser simultaneamente o algoz e a vítima de si mesmo.
A fera que rasga e o cordeiro que sangra compartilham o mesmo corpo, a mesma alma, o mesmo olhar que se interroga no espelho.
O inimigo não está fora, disfarçado nas sombras do mundo, mas dentro, no murmúrio incessante da consciência que julga, acusa e duvida.
Luto contra as ideias que concebo e que me devoram, contra os sentimentos que invento e que me arrastam, contra as ações que executo e que me condenam.
Cada passo que dou em direção a mim é uma queda, cada silêncio é um grito abafado.
Sou o cárcere e o prisioneiro,
o juiz e o réu,
o criador e a criatura que se rebela.
E,
no entanto,
é dessa guerra que nasce o espírito.
Pois somente quem enfrenta a própria escuridão é digno da luz, e somente quem se perde de si pode, talvez, um dia, se encontrar.
A paz que busco não é a ausência de conflito, mas a harmonia entre as partes que me dilaceram.
Luto, sim, contra mim mesmo, mas é nesse combate que respiro, que penso, que existo.
Ser humano
é viver em guerra santa
contra a própria sombra,
e ainda assim, ao cair da noite,
estender-lhe a mão,
e chamá-la de companheira.
Comentários
Postar um comentário