O mundo interior do Initiato é um campo de tensão:
se um dos dois polos fosse removido, o outro entraria em colapso indistintamente, e a realidade perderia todas as estruturas significativas.
O mal, na visão simbólica, não é uma força externa, mas o desvio da energia vital para a satisfação cega do desejo; é a sujeição do homem à matéria, o caos primitivo que desagrada.
Bom, pelo contrário, é a capacidade de dar forma ao caos, de direcionar a energia para a construção, harmonia, justiça.
O símbolo maçônico do Esquadro encapsula essa verdade.
O cateto horizontal representa a materialidade, a dimensão terrena e sensual da existência.
O cateto vertical, por outro lado, faz alusão ao espírito, à tensão ascendente.
A hipotenusa, que os liga, é a vontade:
a faculdade de mediação que permite ao homem construir o Templo, isto é, dar sentido e medida à sua vida.
Nem sempre o time tem 45°: às vezes um cateto prevalece sobre o outro, como acontece na realidade humana, onde a matéria ou o espírito tendem a assumir o domínio.
Mas o que importa não é o equilíbrio perfeito, mas a consciência da sua relação e a vontade de harmonizá-los.
É esta tensão que torna a Ópera possível:
um Bem excessivo pode oferecer espaço para o Mal,
e um castigo excessivo pode negar compaixão.
Só a mediação consciente - a hipotenusa que une - permite construir um canto direito, isto é, uma base sólida para a construção do Templo interior.
A filosofia oriental vem ensinando isso há milênios.
O budismo, através da doutrina das Nove Consciências, oferece uma visão profunda do nosso ser.
As seis primeiras consciências giram em torno do mundo sensível, as duas seguintes exploram o pensamento e a identidade, enquanto a oitava - a chamada "consciência de depósito" - guarda as impressões cármicas das nossas ações, desejos e medos.
É como um rio invisível que atravessa as videiras, pegando as sementes do bem e do mal que lançamos contra você com nossos pensamentos, palavras e ações.
É neutro: leva tudo e transmite tudo, até que a vontade intervenha para purificar o seu fluxo.
A verdadeira tarefa do homem é então reconhecer, dentro de si, a presença destes polos, e transformar a energia que os move em consciência iluminada.
Quando a ignorância fundamental - a convicção de estar separada dos outros e do Tudo - é dissolvida, nasce a compaixão.
E na compaixão, o Bem e o Mal encontram o seu equilíbrio, como os dois catetos que, apesar de separados, se encontram na linha da vontade, criando o canto direito que governa o Templo do mundo.
Encontrar a própria hipotenusa significa unir matéria e espírito, ação e contemplação, severidade e misericórdia, para que o trabalho do homem não desmorone na reta do materialismo puro, mas se eleve, pedra por pedra, em direção à Luz.
É nessa mediação que o Bem se torna uma força criativa e o Mal se torna uma ocasião de conscientização: as duas faces da mesma energia que, traduzida, se torna uma Obra de Amor e Sabedoria.
Carlo Pili
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