PANDEMIAS

 


As pandemias sempre desempenharam um papel marcante na história humana, moldando sociedades, acelerando avanços científicos e revelando como populações inteiras lidam com crises sanitárias.

Desde a Antiguidade, surtos de doenças altamente transmissíveis atravessaram continentes, muitas vezes associados a grandes deslocamentos populacionais, guerras e rotas comerciais.

A História das Pandemias 

Primeiramente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a pandemia é definida como “uma epidemia que ocorre em todo o mundo ou em uma área muito ampla, cruzando fronteiras internacionais e geralmente afetando um grande número de pessoas”. 

Por sua vez, uma doença epidêmica é aquela que “afeta muitas pessoas ao mesmo tempo e se espalha de pessoa para pessoa em um local onde a doença prevalece temporariamente”. 
 
Do grego, pandemia significa todo o povo, mas sua característica como doença de nível global provocada por vírus ou bactéria é recente, pois pouco os conhecemos. 

No início dos tempos, vamos encontrar alguns relatos de surtos epidêmicos que assombraram as sociedades, como a peste contada por Homero, em Ilíada, durante a Guerra de Troia1; ou como as pragas do Egito2, descritas nas Bíblias Hebraica e Cristã. 

Posteriormente, outros relatos contando sobre as doenças enfrentadas pelas pessoas ganham mais detalhes, como, por exemplo, a Peste de Atenas descrita por Tucídides, em 430 a.C., que ocorreu durante a Guerra do Peloponeso3, conflito em que Esparta combateu a hegemonia de Atenas após as guerras contra os persas. 

A peste ceifou a vida de milhares de soldados e inúmeros habitantes, que viviam confinados atrás das muralhas sem condições higiênicas mínimas. 
 
Contudo, os deuses na antiguidade possuíam características semelhantes como os mortais seres humanos, eles também sentiam tristeza, alegria, fome, inveja e controlavam todos os fenômenos vistos pelos homens. 

E, durante suas explosões de raiva provocadas por insatisfações, eles então puniriam a humanidade com mortes cruéis. 
 
O terror, portanto, apenas cessava quando os sacrifícios perfeitos eram postos em oferendas para acalmar os deuses, até lá os oráculos e sacerdotes tentavam lidar com as doenças e criavam interpretações para os fenômenos astronômicos ou as catástrofes naturais. 

Enquanto isso, em todo o mundo4-6, em lugares e tempos diferentes, milhares de pessoas morriam e civilizações até desapareciam, esperando que os males passassem. 
 
Ah! Isso me faz lembrar de uma história da Grécia Antiga, o mito de Pandora7, contado pelo poeta Hesíodo. 

A narração conta que após criar os homens, o titã Prometeu enganou os deuses do Olimpo para roubar o segredo do fogo e entregá-lo aos homens, que permitiu, entre outras coisas, a evolução humana. 
 
Para se vingar, Zeus castiga Prometeu8 aprisionando-o em correntes para que seu fígado fosse devorado por uma águia todos os dias, voltando a crescer à noite. 

E, para punir os homens, os deuses criaram Pandora, que foi tomada como esposa pelo irmão de Prometeu. 

Zeus então a entrega uma jarra (ou caixa) e a proíbe de abrir. 

Possuída pela curiosidade, ela abre o recipiente e liberta criaturas fantasmagóricas9 que consistiam em todos os males do mundo. 

E ainda, no interior do recipiente, havia a esperança, que permaneceria ao lado da humanidade nos tempos mais sombrios. 
 
Percebam que ao longo dos anos tentamos mistificar fatos históricos por não sermos capazes de explicar seus fenômenos, mas agora já temos os recursos necessários para compreender esses fatos e por isso, convido vocês a embarcarem comigo numa aventura pela história para conhecermos um pouco sobre as maiores pandemias já enfrentadas pela humanidade. 
 
Para começarmos, nossos primeiros registros relatam a Praga de Justiniano, de 541 a 542, sendo uma doença infecciosa, causada por uma bactéria, geralmente encontrada em pequenos mamíferos e suas pulgas, podendo ser transmitida para humanos. 

Ocorreu durante o esplendor do Império Bizantino10, quando o governo de Justiniano adotou uma política expansionista, encontrando a praga no Egito e a espalhando pela Europa, Norte da África, Oriente Médio e Ásia, através dos seus soldados. 
 
Contudo, a praga retornou no final da Idade Média, quando alterações climáticas destruíram plantações elevando a fome em grande parte da população europeia. 

Além disso, o crescimento das cidades sem mínimas condições sanitárias favoreceu a propagação da Peste Negra11, em 1347 a 1351, vinda da Ásia pelas rotas comerciais. 
 
Estima-se que mais de 200 milhões de pessoas morreram, surtos epidêmicos retornaram algumas vezes até que, em 1855, se espalhou por todos os continentes e vitimou mais de 12 milhões de pessoas. 

Epidemias da peste ainda ocorrem na África, Ásia e América do Sul, não sendo fatais quando as vítimas são tratadas com antibióticos. 
 
Outra pandemia de grandes proporções foi relatada desde o começo da era cristã nas grandes cidades da Ásia, o vírus da Varíola causava febre alta e fadiga, produzia uma erupção cutânea e manchas cheias de pus. 

Com a expansão mercantilista europeia, a varíola se espalha pelo globo terrestre dizimando mais de 8 milhões de pessoas, em 1520. 
 
Quando os colonizadores europeus chegaram nas Américas, as populações indígenas12, além de sofrerem com as guerras de dominação, foram quase exterminadas pelo vírus. 

As epidemias continuaram em todo o mundo por séculos, até que vacinas foram aperfeiçoadas e distribuídas. 

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas morreram em todo o mundo e, em 1980, após uma campanha mundial de vigilância e vacinação, a varíola foi finalmente erradicada. 
 
Aqui no Brasil, no início da Primeira República, o governo federal promoveu reformas de modernização no Rio de Janeiro, resultando na expulsão da população mais carente para os morros com a derrubada de casebres e cortiços para abrir avenidas. 

A vacinação obrigatória contra a varíola e outras epidemias foi o estopim para a Revolta da Vacina13, em 1904. 
 
Outro vírus aterrorizante apareceu no final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, provocado pelo vírus influenza A (subtipo H1N1) e foi divulgado primeiramente pela Espanha, ficando conhecido como a Gripe Espanhola14, mas originou-se nos Estados Unidos e atravessou o Atlântico nos navios de combate até se espalhar pelo mundo. 
 
As vítimas sofriam de febre alta, dores no corpo e diarreia, evoluindo para pneumonia e insuficiência respiratória severa, desencadeado por uma resposta exagerada do sistema imunológico, que causava inflamações graves e acúmulo de líquido nos pulmões. 
 
A pandemia devastou o mundo, mais de 50 milhões de pessoas morreram e ela acabou quando grande, parte da população foi contaminada. 

Contudo, o vírus retornou em 2009, com a Gripe Suína, que começou no México e se disseminou rapidamente pelo mundo, matando mais de 400 mil pessoas. 
 
Agora, a humanidade enfrenta um novo vírus, o COVID-19 que se originou na China, em dezembro de 2019, e já causou a morte de mais de 300 mil pessoas até o momento. 

Em uma resposta global contra a pandemia, governos e órgãos mundiais estão implementando diversas medidas de segurança para minimizar os impactos sociais e econômicos, como isolamento em massa, campanhas de higienização e distanciamento social, além da obrigatoriedade do uso de máscaras. 
 
Assim, as estratégias da quarentena são altamente recomendadas a fim de evitar mais contaminação pelo vírus. 

Mas, não devemos ficar inertes esperando a pandemia passar, pois em momentos de crises, pessoas mais carentes e desamparadas pelo poder público precisam cada vez mais de ajuda. 

Por isso, quando estiver ao seu alcance, procure ajudar aqueles que precisam com doações, denuncie casos de violência quando tiver ciência, não divulgue nenhuma informações antes de verificar a veracidade dos fatos e mantenha apenas contato virtual com parentes e amigos, fique em casa! 

Nesse momento, precisamos, mais do que tudo, é ter esperança! Forte abraço e bons estudos! da Saúde; 2011. 
 
Jerry T, monitor de História no UPT/UESB – 2019 
(a história das pandemias). 

Referências 

DOSHI, P. A definição indescritível de gripe pandêmica. Boletim da Organização Mundial https://www.who.int/bulletin/volumes/89/7/11-086173/en/. 

TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. – 4. ed. – Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001. 

BRAICK, Patrícia Ramos. História: das cavernas ao terceiro milênio. – 4. ed. – São Paulo: Moderna, 2016. 

BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Mundo. – 2. ed. – São Paulo: Fundamento, 2004.  

L. K. (2007). A peste e o fim da antiguidade: a pandemia de 541-750. Cambridge University Press, 2007. 

BRAUDEL, Fernand. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV e XVIII. São Paulo, Martins Fontes, 1995.  

FENNER, F. Henderson. Varíola e sua erradicação. Genova: WHO, 1988. 
Disponível em: https://apps.who.int/iris/handle/10665/39485. 

Gripe pandêmica: um desafio em evolução, Organização Mundial da Saúde, 2018. 
Disponível em: https://www.who.int/influenza/pandemic-influenza-an-evolving challenge/en/. 

Pesquisa global sobre doença de coronavírus (COVID-19), Organização Mundial da Saúde, 2020. 
Disponível em: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel coronavirus-2019/global-research-on-novel-coronavirus-2019-ncov. 

Imagens do vídeo 1. Guerra de Troia: https://artsandculture.google.com/asset/gevecht-tussen-grieken-en trojanen-tijdens-trojaanse-oorlog-hans-sebald-beham/AAFV3OI7RSTZpg 2. 

Povo judeu 
https://artsandculture.google.com/asset/passagem-do-mar-vermelho autor-desconhecido/PgHE70koNfyjpg 3.  https://artsandculture.google.com/asset/vwGKKmbKSVtEww 4. 

Morte: https://www.wdl.org/pt/item/18175/ 5. Sacrifício: https://www.wdl.org/pt/item/6758/ 6. 

Apocalipse: Peloponeso: https://artsandculture.google.com/asset/bib-new-t-revelations apocalypse/1QER1pG3sUaDRw 7. 

Pandora: https://artsandculture.google.com/asset/red-figure-amphora-with musical-scene/1gEtdA_dROLgRA 8. 

Prometeu: https://artsandculture.google.com/asset/myt-clas-prometheus-creation of-man-by-prometheos/KQGIoDZUGjI-Ww 9. 

Criaturas https://artsandculture.google.com/asset/twFTdvD5tMTq7A 10. 

Império fantasmagóricas: Bizantino: https://artsandculture.google.com/asset/FgGCPP56oOjzMQ?childAssetId=fgHR bE0vd6OlLQ 11. 

Triunfo da Morte: https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/the triumph-of-death/d3d82b0b-9bf2-4082-ab04-66ed53196ccc 12. 

Populações indígenas: https://www.wdl.org/pt/item/10623/ 13. 

Revolta da Vacina: https://portal.fiocruz.br/noticia/revolta-da-vacina-2 14. 

Gripe Espanhola: https://www.wdl.org/pt/sets/world-war-i/timeline.new/

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