A PALAVRA PERDIDA: A PERGUNTA POR UNIÃO E VERDADE

 

Vamos levantar os nossos pensamentos hoje sobre o conceito que está no centro da nossa Iniciação:
a Palavra Perdida.

Não é apenas um símbolo arcaico, mas uma metáfora mais profunda para a condição humana e para o nosso trabalho incessante no Templo.

A Palavra não é uma simples fórmula secreta ou um nome sagrado esquecido; é o princípio da Unidade, Harmonia e Verdade Universal que a humanidade, e especialmente o Princípio, se esforça para encontrar.
A narrativa inicial nos fala sobre a perda do Verbo.

O que representa essa perda?
Isto simboliza a quebra
da Consciência Original.

A Queda: A transição de um estado de conhecimento imediato e total (Gnòsi) para um estado de dualidade, separação e conflito. O homem perdeu a compreensão inerente da sua ligação com o Cosmos e o Grande Arquiteto do Universo.
O Eterogêneo: Nossa vida secular está imersa na multiplicidade de fenômenos, opinião subjetiva, dogma sectário e interesse egoísta. Estas são as ruínas do Templo de Salomão interior, onde o "barulho" do mundo cobriu a "voz" do Primeiro Princípio.
A Desordem: A perda da Palavra manifesta-se na sociedade como um mal-entendido, como uma incapacidade de construir verdadeiramente. Sem um princípio de verdade compartilhada (a palavra), todo esforço para a construção moral e social está condenado à instabilidade.
A Jornada de Retorno: O Trabalho do Iniciante

A maçonaria não se limita a reclamar sobre a perda;
ela oferece o Método de pesquisa.

A Palavra Perdida não é apenas para ser redescoberta em textos, mas para ser reconstruída dentro de si mesmo.
Durante nossos trabalhos, estamos constantemente comprometidos em substituir a Palavra Perdida por uma Palavra de Substituição.

Esta palavra provisória é a representação do nosso estado atual de incompleto.

É um lembrete constante de que o trabalho não está feito.

A Jornada do Oeste para o Leste: É a viagem da sombra para a luz, da ignorância para o conhecimento. Cada passo no Grau é uma tentativa de decifrar um novo fragmento do Verbo Universal.
A Arte Reguladora: Trabalhamos na nossa Pedra Crua para transformá-la numa Pedra Cúbica. Este é o ato de regulamentar o caos interior, de colocar o ser profano (o heterogêneo) sob o controle da iniciativa ser (o Único).
A verdadeira busca é um ato de metanóia (mudança de mente e coração).

O iniciado esforça-se para superar as barreiras do seu ego para aceder a uma Verdade superior:
Unidade Moral: Reconhecendo a mesma centelha divina em cada irmão e em cada homem (a Maçonaria Universal). É a aplicação prática da Irmandade, que anuncia a separação.
A Síntese Gnoseológica: Passando do conhecimento fragmentário (as ciências individuais, as doutrinas individuais) para a Visão Sintética que os mantém juntos. A Palavra, quando encontrada, será a Lei que une Ciência, Filosofia e Espiritualidade.
Auto-realização: A descoberta do Verbo coincide com a descoberta da Verdadeira Vontade ou da Natureza Essencial. Quando o homem está perfeitamente alinhado com o Plano G.A.D.U., ele se torna a Palavra.
A Palavra Perdida não é um tesouro estático
a ser encontrado,
mas um Princípio Dinâmico a ser manifestado.

Nosso Templo é o lugar onde os fragmentos dispersos se encontram.
Não procuramos pronunciar a palavra,
mas vivê-la.

Quando nossas vidas refletirão perfeitamente os princípios do Amor, Justiça e Conhecimento Altruísta,
quando estaremos sem reservas unidos em torno do Altar sagrado dos nossos Deveres,
então a Palavra Perdida se manifestará
no Silêncio Operacional da nossa Igreja e no mundo.

Nossa evolução individual,
nosso trabalho de autoaperfeiçoamento,
é a maior contribuição para a
reconstrução da Catedral da Humanidade.

Vamos trabalhar assim com fervor, esperando que o eco
da Palavra Original
ressoe finalmente,
puro e poderoso, em nossos corações.

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