A RODA DA VIDA (Victor Salazar)


Para o Budismo, nossa vida neste planeta é simplesmente para melhorar nossa condição pessoal e nos desligar do ciclo contínuo dos renascimentos que o karma nos impõe.

A Roda da Vida é composta por 4 círculos concêntricos e mostra as causas reais do sofrimento, não de uma forma pessimista, mas oferecendo a possibilidade de redenção à nossa efêmera existência.
O círculo central, no seu nível mais baixo, representa 3 animais enlaçados em um ciclo sem fim, um porco, uma cobra e um galo, cada um surgindo do outro como uma dança macabra.

Estes 3 animais são os símbolos dos chamados "3 venenos" porque são a fonte dos nossos males que nos corroem por dentro.

O galo, de onde nasce a serpente, representa a ganância, a vaidade ou a luxúria juntamente com o sentimento posterior de culpa, medo ou pânico quando surge uma contrariedade ou perda.

A serpente representa a tendência natural para a agressão, nosso instinto íntimo de egoísmo.

Quando não conseguimos o que desejamos ou vemos ameaçado algum bem que nos pertence, por natureza reagimos agressivamente.

Estas situações em princípio desfavoráveis nos proporcionam uma excelente oportunidade para exercitarmos no autocontrole e na prática da compaixão.

E a boca da serpente surge o porco, a ignorância, com orelhas tão grandes que lhe cegam os olhos, e assim mal consegue saber o que se passa à sua volta.

Da mesma forma, nossa perspectiva de vida pode ser tão estreitamente influenciada pelos fatores culturais e sociais do nosso ambiente que perdemos de vista nossa condição essencial de ser, impedindo-nos de qualquer aproximação à tomada de consciência.

Resumindo, nossos esforços para satisfazer desejos frustrados, são simbolizados pelo galo, e fazem isso por meio da agressão (serpente), nos tornando insensíveis e ignorantes (porco).

Esta ignorância nos empurra para o egoísmo e assim renasce o galo, condenando-nos ao ciclo imparável da roda do Samsara.

Nossas vidas são dominadas essencialmente por duas forças contraditórias: o impulso interior que nos move a adquirir novos níveis de consciência e o peso mortal da nossa ignorância que nos empurra para horizontes muito mais limitados.

Nossa tarefa, para trabalhar no
caminho do espírito,
tem que consistir em permitir
que essas forças naturais interiores
nos levem para a frente
e nos libertem da ignorância.

Este impulso interior, não é outro senão aquele que nos move para o estado de Buda, de Budeidade, que está adormecido dentro de cada um de nós, escondido pela ignorância.

Mais para o exterior, encontramos outro círculo dividido em seis porções, cada uma delas representa um nível de existência condicionada.

E isso se chama condicionada, porque é consequência de nossas próprias ações através do karma.

Em pinturas budistas (bem como na tradição judaica-cristã do Ocidente), o inferno é geralmente descrito como um lugar de intensa dor e tormento presidido por demônios, com uma temperatura insuportavelmente quente, embora também haja partes frias onde a tortura é produzida pelo gelo.

Não é um lugar eterno, pois todo processo é impermanente e um estado particular dura tanto quanto determinam as condições pelas quais o ser toma a presente existência.

É um local de purificação do karma.

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