CONTINUAÇÃO INÍCIO: O RESPIRO DA LOJA

 

A continuidade inicial é a respiração do Lodge, que se torna a respiração do indivíduo: um ir e voltar ao Centro, cada vez mais claro, mais sóbrio, mais presente.
É o sentimento de pertencimento que se faz um método:

não um princípio abstrato, mas uma disciplina interior, que molda gestos, ilumina escolhas e compõe a fratura entre pensamento e ação no trabalho diário do Maçom.

Pertencer não significa refugiar-se numa identidade, mas gravá-la no caráter:
pegar nas Colunas quando a inércia as derruba,
colocar as mãos nas ferramentas,
deixar o silêncio ordenar o coração e
a Palavra encontrar peso e medida.

Para o Maçom, a continuidade não é a repetição mecânica do ritual:
é um retorno ativo, capaz de aprofundar.

O que é feito no Templo informa as ações diárias; o que é vivido fora purificado entre as colunas.

Símbolos tornam-se critérios, ferramentas virtudes operam, vida comum transforma-se em Trabalho:
sem clamor, mas com a firmeza de quem sabe
que todo avanço autêntico
é um aprofundamento,
não uma fuga para frente.

A ópera requer longos tempos e gestos simples:
ler e meditar, ouvir e silenciar, falar quando necessário, servir com discrição, corrigir sem indulgência,
recomeçar sem hesitar.

A perseverança maçônica é uma clareza que resulta em pequenos traços, removendo o excesso sem ferir o essencial.

Dentro e fora da Loja, as dificuldades não desaparecem: transformam-se.

O atrito suaviza, os comandos de resistência, o erro instrui, se colocado à luz do método.

Por fora, as provas medem a consistência com a proficiência; por dentro, exigem medida e benevolência, porque a verdade não se torna dureza e a caridade não se torna fraqueza.

A mesma qualidade de espírito é útil em ambos os casos: manter a equipa na linha reta quando tudo convida a desviar-se, a recusar atalhos, a suportar o tempo necessário para o bem.

É aqui que a continuidade é revelada como uma virtude eminentemente operacional:
ela decide se uma intuição se torna um hábito
e se um propósito se torna um estilo.

A irmandade é a guardiã desta continuidade.

Ninguém afia a própria pedra sozinho.

A corrente da união é apoio, espelho, correção e calor: salva da satisfação quando tudo parece estar indo bem e do desânimo quando a subida se torna íngreme.

O irmão que estende a mão não substitui o trabalho do outro, permite que não perca a força, chama de volta ao Centro, dá-lhe a memória do fim.

Fraternidade não é sentimento, é pedagogia:
ensina a receber e dar socorro sem humilhar,
suportar e corrigir sem ferir,
colocar a utilidade da Ópera
diante do prestígio do indivíduo.

A continuidade inicial é, afinal, a transição do ritual para a vida sem interrupção.

A repetição dos gestos e a penalidade das formas não são conchas: são o leito do rio que permite que a água flua sem dispersão.

Formar guardas energia, endereço, medida.

Por esta razão, o maçom aprende a reconhecer o momento do silêncio e o momento da fala, o tempo da ação e o tempo da espera. A disciplina não apaga o fogo, torna-o útil.

É por isso que ousadia precisa de medidas:
não se confundir com ousadia.

Ouse aqueles que são capazes de adiar, endireitar, renunciar quando a ação não seria frutífera.

Toda pedra bem colocada torna possível a próxima; todo bom hábito abre espaço para outra.

É uma cadeia de causas justas, não a soma de esforços aleatórios.

Dentro da continuidade vive a alegria sóbria de pertencer.

Não o que exclui, mas o que inclui responsabilidade: pertencer a uma Lodge significa ser para a Loja.

Fidelidade aos deveres, presença, pontualidade, estudo, preparação de Mesas, cuidado com o trabalho não é burocrático; é afetuoso, no sentido mais alto: tem no coração a qualidade da luz circulando entre as colunas.

Quando essa qualidade está lá, todo mundo trabalha melhor, tem inspiração, corrige o curso sem se sentir julgado, descobre que a gravidade do método é, de fato, uma grande forma de benevolência.

Dois lemas antigos aguçam a direção.

O primeiro diz:
Per aspera para astra. Não há ascensão sem ascensão: o que oprime pode tornar-se um passo se for dado com consciência e fraternidade. Não é convite para procurar problemas, mas não fugir dele quando é o preço do bem.

O segundo som:
Ibi Victoria, ubi concordia. A vitória do indivíduo é frágil; a da Lodge é duradoura, porque assenta numa harmonia de trabalho que multiplica forças, harmoniza as diferenças e torna possível o que não se poderia realizar sozinho.

Entre estes dois polos, esforço assumido e harmonia cultivada, nasce a continuidade da qual a Ordem vive.

Continuar, então significa renovar a escolha.

Voltando ao seu lugar entre as colunas, colocando a mão de volta às ferramentas, mantendo o coração macio para ensinar símbolos, colocando ação à prova da medida e aceitando que a transformação profunda acontecerá sem clamor.

Assim, o pertencimento torna-se um lar, a perseverança torna-se um caminho, e o caminho revela que a Ópera não é um horizonte distante, mas sim o que acontece aqui e agora, quando o Maçom une o que entendeu com o que faz.

Nesta união entre pensamento e ação,
guardada pela fraternidade e sustentada pelo ritual,
a continuidade da iniciativa já não é um slogan:
é a própria forma de vida que constrói.

(Artigo de Rosmunda Cristiano, publicado no EXPARTIBUS)

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