Nos silêncios do Templo, onde a luz se rompe em ângulos invisíveis e a alma ouve o que os ouvidos não conseguem ouvir, emerge a figura eterna de Hiram Abiff.
Mestre arquiteto, filho do fogo e do metal, artesão do divino.
Foi-lhe dado o segredo mais profundo: a Palavra que molda o mundo, a vibração que sustenta a ordem e abre caminho para a harmonia.
Hiram não era apenas um construtor; Ele foi um iniciado na arte de transformar matéria e espírito.
Suas mãos conheciam a pulsação viva da criação.
Sua mente, o ritmo exato da sabedoria.
Seu coração, o silêncio onde mora a Verdade.
Dizem os antigos que ele andava entre colunas como se falasse com o destino. Que entendeu a linguagem do cobre, do ouro e da pedra. Que viveu sem orgulho e sem medo, protegido apenas pela sua pureza interior.
Mas nos mistérios de cada luz existe uma sombra.
Três homens, cegos pela ignorância e pela impaciência, exigiram a Palavra que ainda não mereciam.
E quando Hiram se recusou a profanar o mistério, a violência caiu sobre ele.
Atingido pelo Oriente, pelo Sul e pelo Ocidente, o Mestre caiu... não como um homem derrotado, mas como alguém que sela com a sua vida a fidelidade ao sagrado.
Seu corpo estava escondido sob a terra, mas seu espírito surgiu como uma centelha imortal.
E desde então, aqueles que buscam a Luz seguindo o seu exemplo - com paciência, retidão e silêncio - se autodenominam Filhos da Viúva.
Porque Hiram não deixou descendentes de carne... mas de consciência.
Sua mãe, viúva, simboliza a alma humana à espera de ser fecundada pela sabedoria; Seus filhos somos todos nós que, no Templo interior, procuramos reconstruir-nos pedra por pedra.
Sua morte não é uma derrota,
mas um símbolo eterno:
A queda do homem profano diante da ignorância, e o renascimento do iniciado que conquista a Luz através do sacrifício.
Hiram vive em cada Aprendiz que se esforça para elevar seu trabalho, em cada companheiro que aperfeiçoa seu caráter, e em cada Mestre que entende que a Palavra não é recebida... ela é revelada interiormente.
Sua jornada é a nossa jornada.
Seu Templo é o nosso Templo.
E em cada um de nós bate aquele eco antigo:
o chamado para despertar, renascer e elevar a obra que Ele iniciou.
Porque onde uma vida é dada pela Verdade,
a Luz nasceu de novo...
e o Templo eterno é reconstruído em silêncio!
Comentários
Postar um comentário