O OLHO QUE SE MORDEU!

 


O mundo não começou com uma palavra.
Começou com um olhar.
No centro do diagrama há um olho que não pertence a nenhum rosto.
Não observe: lembre-se.
É o olho que existia antes do tempo aprender a seguir em linha reta, antes que o bem e o mal fingissem ser opostos.

Quem desenhou sabia que olhar muito fundo não dá respostas, mas fraturas.

O ouroboros morde a cauda porque entendeu algo que os homens esquecem: não há começo que não seja também um fim.

A serpente não se pune; ela se sustenta.

Vive devorando-se, renasce da sua própria carne, e nesse gesto eterno mantém o mundo unido para que não se desfaça em direções impossíveis.

Dentro do círculo,
figuras não são símbolos mortos.

São forças em guerra obrigadas a viver juntos.

O sol não ilumina por bondade, mas por excesso.

A lua não esconde por maldade, mas por pudor.

Todo planeta é uma ferida antiga que aprendeu a se mover silenciosamente dentro da alma humana.
Hexagrama não é proteção.
É um aviso.
Para cima e para baixo refletem-se porque não há céu que não seja feito da mesma substância que o abismo.

Quem eleva demais o espírito
sem ancorar na carne, quebra.

Aquele que se afunda no profano sem lembrar do sagrado dissolve-se. equilíbrio não é paz: é tensão sustentada.

Lá em baixo, o demónio não tenta. Ofereça.
Lá em cima, o homem não reza. Faz as contas.
Ambos acham que estão certos.
Ambos estão incompletos.

O demônio segura o fogo porque conhece o desejo sem vergonha.

O homem segura o livro porque tem medo de esquecer.

Entre eles não há batalha, mas espelho.

O demônio inveja a consciência;
o homem inveja a liberdade do instinto.

Ninguém pode atravessar completamente sem se perder.

É por isso que o nome está selado no centro, impronunciável, fragmentado.

Não é um nome para invocar, mas para lembrar o que não deve ser separado.

Quem tenta usá-lo para dominar, cai.
Quem entende, cala-te.

A frase final não é promessa.
É sentença.
Omnia Unus Est.
Tudo é um.

Não porque tudo seja bom.
Não porque tudo é divino.
Mas porque até o mais escuro participa do mesmo pulso.

O sábio que criou este diagrama não estava procurando seguidores.

Procurando avisar:
conhecimento total não salva, nua.

E uma vez nu diante da estrutura do mundo, você não pode mais fingir que é apenas luz... nem apenas sombra.

O olho continua olhando.
A cobra continua mordendo.
O fogo ainda arde.
E você, olhando para ele, já entrou no círculo.

Porque agora você sabe algo que não pode ser desaprendido: Omnia não se divide.

Nem você!

Autor Steven Anel e Misterios Ocultos
Direitos autorais ©️ Propriedade Intelectual

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