"A grande questão de Descartes foi demonstrar a existência do mundo que representamos a nós mesmos."
A partir do cogito, Descartes tratou de permitir a relação sujeito-objeto, construindo gradualmente o sujeito racional que representa a si, tudo o que sua razão permite.
A consciência de si
é o centro da noção de sujeito.
Descartes aceita que a constituição subjetiva é separada do exterior - o que nos separa, em nós mesmos, daquilo com que nos conectamos ao meio: nosso corpo, nossos sentidos, nossas relações.
Tal sujeito é estranho ao próprio corpo, interno, separado de si mesmo.
Por causa disso, é capaz de construir verdades racionais.
Nietzsche ataca o cogito cartesiano; a dúvida radical possui um entrave intransponível:
a própria construção da dúvida
é realizada por linguagem e simbolismo - de forma que é orientada externamente;
a ilusão de existência permanente,
pois o sujeito que duvida
o faz por meio do vocabulário adquirido.
G. Vattimo
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