A escola não te prepara para a vida !

 

Tem dias que a gente volta do trabalho cansado, cabeça cheia de números, e se pergunta algo simples: foi para isso que a escola me serviu?

E não digo isso com bronca adolescente nem pose de rebelde nas redes sociais.

Dizemios isso com a calma de quem conserta o que os outros quebram e aprende todos os dias à força de tentativa e erro.

E a resposta, para ser honesto, é irritante, porque a escola, tal como está, não te prepara para a vida real.
Pink Floyd disse isso há mais de quarenta anos em The Wall (1979).

Aquele coro, "Não precisamos de educação", não era uma apologia da ignorância, era uma acusação.

A escola como fábrica de tijolos iguais, como fita transportadora de cabeças que não incomodam, que repitam, que não perguntem.

No filme Pink Floyd: The Wall (1982), os caras entram como pessoas e saem como cópias. Distopia sim, mas daquelas que doem porque parecem muito com o espelho.

A história ajuda a entender o porquê.

A educação moderna, maciça e obrigatória nasce no calor da Revolução Industrial.

Não era preciso gênios criativos, era preciso funcionários pontuais, obedientes, treinados para repetir processos. Horários, filas, sinos, programas iguais para todos.

Padronização.
Pessoas uniformes para um mundo de fábricas. Esse molde ainda manda. Mudaram as máquinas, não a lógica.
Neste contexto, é preciso dizer que as distopias o previram.

Em Um Mundo Feliz de Aldous Huxley (1932), A SOCIEDADE SE ORGANIZA POR CONDICIONAMENTO E CONSUMO, cada um na sua estante, feliz e dócil.

Em 1984 de George Orwell (1949), EDUCAÇÃO E LÍNGUAGEM SÃO FERRAMENTAS DE CONTROLE, se te cortarem as palavras, te cortam o pensamento.

Em Fahrenheit 451 de Ray Bradbury (1953), não é preciso queimar pessoas, basta esvaziar-lhes a cabeça.

Não são manuais de pedagogia, são avisos.

E, no entanto, continuamos ensinando como se o mundo não tivesse mudado.
Agora, o que a escola não ensina?

NÃO ENSINA EDUCAÇÃO FINANCEIRA, ninguém te explica como funciona o dinheiro, o crédito, os juros, a poupança, o risco.

NÃO ENSINA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, não te preparam para lidar com frustrações, conflitos, perdas.

NÃO ENSINA A EMPREENDER, você é treinado para pedir emprego, não para criar valor.

NÃO ESTIMULA A CRIATIVIDADE, pedem-lhe que repita a resposta correta, não que faça boas perguntas.

E a verdade é que na oficina, na peça, na rua, a vida não vem com múltiplas opções.

Vem com problemas
e obrigação de resolvê-los.

Alvin Toffler disse isso claramente há décadas.

No “Choque” do futuro (1970) alertou que a aceleração da mudança iria desorientar as pessoas e as instituições e o problema não seria a falta de informação, mas o excesso e a velocidade.

Na terceira vaga (1980) explicou a passagem da sociedade industrial para a sociedade da informação e como essa mudança exigiria novas formas de trabalhar, aprender e viver.

E na mudança do poder (1990) foi mais longe, o poder não estaria mais só na força nem no dinheiro, mas no conhecimento.

DITADO EM CRIOLLO,
QUEM NÃO APRENDE A APRENDER,
FICA DE FORA.
A inteligência artificial e a tecnologia estão chutando o tabuleiro hoje.

O que antes levava anos, agora muda em meses.

Ofícios, profissões, processos inteiros se transformam.

E a escola continua com programas pensados para outro século, avaliando memória quando o que é preciso é critério, ensinando conteúdos que o Google responde em segundos, mas não ensinando a pensar, a discernir, a criar.

O sistema ficou velho,
como uma ferramenta nobre,
mas gasta,
que não se ajusta mais ao novo parafuso.

Além disso, há outra ferida, ainda mais triste, os países pobres.

Esta revolução não é um casal. A brecha tecnológica não é um slogan, é uma parede.

Enquanto alguns discutem como integrar a IA na sala de aula, outros lutam para ter luz, conectividade ou computadores.

O risco é claro, ficar mais para trás, não por falta de talento, mas por falta de acesso.

O futuro vem igual, mas não vem igual para todos.

E não se trata de jogar a escola pela janela.

É sobre dizer a verdade sem maquiagem,
do jeito que está, não é o suficiente.

A vida pede outras coisas.
Pede cabeça fria para números, coração treinado para golpes, mãos criativas para inventar caminhos e coragem para empreender quando não há mapa.

Peça para aprender sempre, desaprender com frequência e reaprender melhor.

No Muro, o protagonista constrói uma parede de medos, frustrações e ordens recebidas.

Quebrar essa parede não é destruir a educação, é resgatá-la do seu museu.

A escola deveria ser um workshop de futuro, não um arquivo do passado.

Porque a vida não tira lição oral.
A vida te faz exame todos os dias
e quem não é aprovado, fica para trás.

Júlio César Chaves

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