A PERSEGUIÇÃO ...

 


No Reino Unido, hoje policiais são questionados por pertencerem à Maçonaria.

Não por um crime comprovado, não por uma conspiração comprovada, mas pela possibilidade.

A Polícia Metropolitana de Londres pediu que seus agentes testemunhassem se fazem parte de organizações como a Maçonaria.

A razão: 
"evitar conflitos de interesses 
e proteger a confiança pública".

E aí começa o dilema, uma antiga irmandade que fala de luz, virtude e fraternidade, mas que historicamente trabalhou em discrição.

Uma instituição pública que exige transparência absoluta, porque a sua legitimidade depende de nada ficar na sombra.

Quando duas lealdades 
vivem no mesmo homem...

Qual pesa mais quando chega a hora de decidir?
Sem acusação.
Sem condenação.

Questionado.
Porque o problema nem sempre é o ato, 
mas sim a percepção.

O símbolo não é perigoso por si só, 
o símbolo é linguagem, é tradição, é filosofia.

Mas quando o símbolo sai do templo
e entra em estruturas de poder, 
deixa de ser invisível e então a sociedade pergunta.

É perseguição a uma tradição centenária?

Ou é desconfiança acumulada em relação a tudo o que opera discretamente dentro do Estado?

A história não grita, apenas observa...

Comentários

  1. A história da Maçonaria é, em grande parte, uma história de resistência. Desde o surgimento da Grande Loja de Londres em 1717, a Ordem tem sido alvo de uma "eterna perseguição" que mistura política, religião e, acima de tudo, o medo do desconhecido.

    Essa hostilidade não é apenas um fenômeno histórico; ela moldou a própria identidade de discrição da fraternidade.

    Por que a perseguição é tão constante?
    Existem três pilares principais que sustentam essa oposição ao longo dos séculos:

    1. O Conflito Religioso
    A Igreja Católica, através da bula In eminenti apostolatus de 1738 (do Papa Clemente XII), proibiu a participação de fiéis na Maçonaria. O motivo? O indiferentismo religioso. A Maçonaria aceita homens de todas as fés (desde que creiam em um Ser Supremo), o que foi interpretado por instituições religiosas como uma ameaça à exclusividade da verdade dogmática.

    2. O Medo do Segredo (Teorias da Conspiração)
    Onde há segredo, o imaginário popular cria monstros. No século XIX, o famoso Caso Léo Taxil levou isso ao extremo: ele inventou rituais satânicos e conspirações globais apenas para "trollar" a Igreja e os maçons, mas suas mentiras são usadas por teóricos da conspiração até hoje.

    A realidade: O segredo maçônico reside mais nos modos de reconhecimento e na experiência subjetiva do ritual do que em planos de dominação mundial.

    3. Regimes Totalitários
    Ditadores odeiam grupos que não podem controlar. A Maçonaria foi duramente perseguida por:

    Nazismo: Hitler acreditava que os maçons eram aliados dos judeus. Cerca de 80.000 a 200.000 maçons foram exterminados em campos de concentração. O símbolo do Esquecimento-me-not (a flor azul) tornou-se um ícone de resistência secreta nessa época.

    Franquismo e Salazarismo: Na Península Ibérica, a maçonaria era vista como sinônimo de liberalismo e comunismo (uma contradição retórica comum em regimes autoritários).

    O Paradoxo da Perseguição
    Curiosamente, quanto mais a Maçonaria foi perseguida, mais ela atraiu figuras que buscavam a liberdade de pensamento. Grandes nomes como Voltaire, George Washington e Dom Pedro I viam nas Lojas um refúgio para discutir ideias que, em praça pública, seriam consideradas subversivas.

    "A perseguição é o destino de todas as ideias novas ou independentes que desafiam o status quo."

    O cenário atual
    Hoje, a perseguição é menos física e mais digital. Vídeos de "exposição" e desinformação em redes sociais substituíram as bulas papais e os decretos de prisão.

    No entanto, a Ordem continua a operar sob o mesmo princípio: a construção de um "templo social" através do aperfeiçoamento individual.

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