A relação entre o Iluminismo e a Maçonaria no século XVIII foi uma via de mão dupla. Mais do que apenas "interferir", o Iluminismo encontrou na Maçonaria um "laboratório" prático para suas ideias.
Se o Iluminismo forneceu a teoria (razão, liberdade e progresso), a Maçonaria ofereceu a infraestrutura (reuniões sigilosas, redes de contatos e rituais) para que essas ideias florescessem.
Aqui estão os principais pontos dessa interferência:
1. Transformação de Operativa para Especulativa
Antes do Iluminismo, a Maçonaria era "operativa" (focada em construtores reais). Com a influência das luzes, ela se tornou especulativa.
As ferramentas de construção (esquadro, compasso, nível) deixaram de ser apenas objetos de trabalho e passaram a ser símbolos éticos para a construção de um "homem melhor" e de uma sociedade mais justa.
2. A Maçonaria como "Escola de Democracia"
Em uma Europa ainda dominada pelo Absolutismo, as lojas maçônicas funcionavam como refúgios onde:
Igualdade: Membros eram chamados de "Irmãos", independentemente de serem nobres ou burgueses.
Mérito: A ascensão dentro da ordem dependia do conhecimento e do esforço, não do sangue ou título.
Debate: Praticava-se a tolerância religiosa e o debate racional, pilares do pensamento iluminista.
3. O Conceito do "Grande Arquiteto do Universo" (G.A.D.U.)
O Iluminismo trouxe o Deísmo — a crença em um Deus que criou o universo como uma máquina perfeita, mas que não interfere diretamente nos milagres.
A Maçonaria adotou essa visão racional da divindade sob o título de Grande Arquiteto do Universo, permitindo que católicos, protestantes e judeus convivessem no mesmo espaço sem conflitos dogmáticos.
4. Atores em Comum
Muitos dos grandes nomes do Iluminismo eram maçons ou frequentavam esses círculos.
Isso garantiu que os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade (lema que a Maçonaria ajudou a popularizar) fossem o centro das discussões.
Exemplos: Voltaire (iniciado no fim da vida), Montesquieu, Benjamin Franklin e George Washington.
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