𝐈𝐌𝐎𝐑𝐓𝐀𝐋𝐈𝐃𝐀𝐃𝐄 𝐍𝐀𝐒 𝐂𝐔𝐋𝐓𝐔𝐑𝐀𝐒 𝐀𝐅𝐑𝐈𝐂𝐀𝐍𝐀𝐒

 

Esta temática é tratada por muitos como fantasia, mas é continuidade da existência na cosmovisão africana.

Em muitas tradições africanas, ninguém “morre” por completo — a pessoa muda de estado.
Para grande parte dos povos africanos, a vida segue um ciclo:
Nascimento →Vida visível → Vida invisível
→ Retorno simbólico.

O corpo perece, mas a força vital, o nome, a memória e o espírito permanecem ativos na comunidade.
A verdadeira imortalidade manifesta-se quando o falecido se torna ancestral, visto que:
Continua a proteger a família;
Orienta decisões;
Exige respeito às tradições;
Comunica-se por sonhos, sinais e rituais;

Quem é lembrado, invocado e honrado não está morto porque para nós “morrer é ser esquecido”

O papel do nome e da linhagem
O nome é um arquivo espiritual.
Quando uma criança recebe o nome de um antepassado, acredita-se que:

- Parte da sua energia retorna
- A linhagem continua viva
- A identidade atravessa gerações

Aqui, a imortalidade acontece pela transmissão.

A criança que recebe o nome de um antepassado recebe o respeito da família e da comunidade tal como era com o proprietário do nome.

Em muitos casos até os nomes de tratamento são continuamente usados, pai, mãe, avó, tio... caso seja nomeado com os proprietário desta posição na hierarquia da família indiferentemente da sua idade.

Os Rituais fúnebres, danças e sacrifícios não são “folclore”.

São tecnologias espirituais que:
- Abrem o caminho do espírito
- Evitam que ele fique errante
- Garantem a passagem ao mundo dos ancestrais

Sem ritual, não há descanso e Sem descanso, não há imortalidade.

Corpo, espírito e força vital
Muitas culturas africanas distinguem:
- Corpo físico (perecível)
- Espírito (consciência)
- Força vital (energia eterna).

A força vital não morre, apenas circula.
Nem todos alcançam a imortalidade ancestral porque ela exige os seguintes elementos:
- Vida ética
- Respeito à comunidade
- Cumprimento do papel comunitário
- Quem quebra gravemente a ordem pode ser apagado da memória coletiva — a verdadeira morte.

Wamai King Mutolo

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