Uma questão que gera muita curiosidade, mas a resposta curta é: não, Fernando Pessoa nunca foi maçom.
Embora ele tivesse um profundo conhecimento sobre ordens iniciáticas e uma ligação intelectual fortíssima com o esoterismo, ele nunca se filiou a nenhuma loja maçônica.
Aqui está o que explica essa confusão comum:
1. O Famoso Artigo de 1935
O principal motivo de associarem Pessoa à Maçonaria foi a sua defesa pública da instituição. Em 1935, durante o regime de Salazar, foi proposta uma lei para extinguir as associações secretas (visando a Maçonaria).
Pessoa, mesmo não sendo membro, escreveu um artigo magistral no jornal Diário de Lisboa defendendo a Maçonaria. Ele não o fez por ser "irmão", mas por liberdade de pensamento e por considerar a Maçonaria uma guardiã de tradições espirituais importantes.
2. "Iniciado, mas não filiado"
Pessoa definia-se espiritualmente de uma forma muito específica. Em seu famoso espólio, ele descreveu sua orientação espiritual como:
"Cristão gnóstico", "Fiel à Tradição Secreta do Cristianismo" e com afinidades pelo Rosacrucianismo.
Ele sentia que sua "loja" era a sua própria mente e sua escrita. Para ele, a iniciação era um processo intelectual e poético, e não necessariamente burocrático ou institucional.
3. Conexões Esotéricas
Apesar de não ser maçom, ele tinha conexões com outras ordens e figuras:
Astrologia: Era um astrólogo dedicado e fazia mapas natais para amigos e para seus próprios heterônimos.
Aleister Crowley: Chegou a corresponder-se e a encontrar-se com o famoso ocultista britânico em Lisboa.
Templários e Rosa-Cruz: Seus poemas (especialmente em Mensagem) são repletos de simbologia ligada a essas tradições.
Em resumo, Pessoa foi um simpatizante e um estudioso profundo, mas preferiu manter-se como um "solitário" no caminho espiritual, sem aventais ou rituais de loja.
Heterônimos e Pluralidade Filosófica
Pessoa e a Filosofia Contemporânea
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