A relação entre a Maçonaria e o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci é um prato cheio para quem gosta de simbolismo, geometria sagrada e filosofia.
Embora o desenho tenha sido criado em 1490 — muito antes da formação da Maçonaria especulativa moderna (1717) — a ordem adotou muitos dos conceitos expressos na obra.
Aqui está um resumo de como esses dois mundos se conectam:
1. O Homem como Centro do Universo
O desenho de Da Vinci ilustra as proporções ideais do corpo humano, baseadas nos escritos do arquiteto romano Vitrúvio. Para a Maçonaria, isso ressoa com a ideia do "Microcosmo":
O homem é um reflexo do universo (Macrocosmo).
Ao estudar a si mesmo e às leis da natureza, o maçom busca entender o Criador (o Grande Arquiteto do Universo).
2. O Círculo e o Quadrado
No desenho, o homem está inscrito em duas formas geométricas fundamentais que são pilares da simbologia maçônica:
O Círculo: Representa o reino espiritual, o infinito e a perfeição divina.
O Quadrado: Representa o mundo material, a terra e a estabilidade.
A Conexão: O Homem Vitruviano "toca" ambas as formas simultaneamente. Para um maçom, isso simboliza o esforço humano em equilibrar sua natureza material com sua busca espiritual.
3. Geometria Sagrada
A Maçonaria se descreve como um "sistema de moralidade velado em alegorias e ilustrado por símbolos", sendo a geometria a principal ferramenta.
O uso do Compasso (que desenha o círculo) e do Esquadro (que define o ângulo reto/quadrado) no emblema maçônico é uma tradução direta dos mesmos princípios que Da Vinci usou para construir a imagem.
O desenho celebra a Proporção Áurea, vista pelos maçons como a assinatura matemática da harmonia universal.
4. A Pedra Bruta e a Pedra Polida
Embora o Homem Vitruviano represente a perfeição física, o conceito maçônico aplica isso ao caráter.
O desenho serve como um "modelo" do que o homem pode ser se for lapidado.
Assim como um arquiteto usa medidas exatas, o maçom usa as "ferramentas" da ordem para transformar sua "pedra bruta" (ignorância) em uma "pedra polida" (conhecimento e virtude).
Curiosidade: Muitos teóricos apontam que a posição das mãos e pés do homem no desenho formam ângulos que lembram ferramentas de pedreiro e posições rituais, mas é importante lembrar que isso é uma releitura simbólica posterior e não uma intenção original de Da Vinci ligada à ordem.
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