Uma “Maçonaria boa e aberta” no limiar do terceiro milênio já não é apenas uma utopia romântica, nem uma miragem inatingível, mas um projeto concreto, que convoca cada Irmão e Irmã para a coragem e para a consciência.
É tempo de confrontar o Janus de duas faces, o deus antigo que nos ensina que a verdadeira sabedoria reside não apenas em preservar o passado, mas em abrir um olhar vigilante e confiante para o futuro.
Como advertiam os latinos, Festina lente (Apressa-te devagar) porque o equilíbrio entre a tradição e a inovação será a chave para o nosso sucesso.
No século passado, figuras proeminentes como Angelo Mario Ludovico Ratti, conhecido por Luigi Sincero, enfatizaram com visão de futuro:
A Maçonaria não deve permanecer um círculo fechado nos seus rituais antigos, mas deve abrir-se corajosamente ao mundo exterior, tornando-se uma ponte de diálogo e de progresso ético e social.
Só se abrindo com sinceridade e responsabilidade poderá continuar a ser uma luz orientadora nas transformações da sociedade.
Assim, traça-se um caminho que liga a Maçonaria à sociedade civil, promovendo uma presença mais transparente e significativa no mundo do pós-guerra.
Albert Pike, com a sua monumental obra “Moral e Dogma”, deu profundidade filosófica e moral a esta transformação, fundada em valores eternos.
Ao mesmo tempo, Rudyard Kipling foi capaz de retratar a Maçonaria nos seus aspectos humanos, tornando-a acessível e compreensível, derrubando os muros do mistério e do segredo com o poder das palavras.
Ao entrarmos no novo milénio, grandes mestres como Gustavo Raffi serviram como estímulos vitais, impulsionando a Maçonaria para uma abertura que abrange o diálogo inter-religioso e um papel social de liderança.
As instituições maçônicas que valorizaram o elemento feminino, como a Le Droit Humain e a Gran Logia Femenina de España, representam a vanguarda de um renovado compromisso com a igualdade, a tolerância e a inclusão.
As vidas e obras de Maria Deraismes, Annie Besant e Marie Bonnevial são exemplos brilhantes de pioneirismo social que, ainda hoje, acendem a chama da mudança necessária e urgente.
O Maçom de hoje já não pode deter-se na ambiguidade ou na suspeita do passado: é chamado a uma escolha clara, que abala a alma e a mente. Permanecer ancorado a um passado mítico, mas imutável, significa arriscar a futilidade e o declínio, enquanto abraçar a mudança de forma responsável é um ato de fé iluminada que dá uma nova vida à fraternidade.
A Maçonaria deve crescer, renovar-se, tornar-se protagonista e um centro vibrante do mundo em transformação.
O apelo é claro: só aqueles que se souberem adaptar sem negar a sua essência sobreviverão e prosperarão. Já não é tolerável que o segredo se torne uma barreira intransponível; pelo contrário, deve ser transformado num eco de princípios imutáveis ao serviço de uma sociedade justa, aberta e solidária.
A Maçonaria deve tornar-se um laboratório de ideias, um berço de compromisso social e espiritual, um espaço onde o sagrado e o profano se entrelaçam num equilíbrio sagrado e dinâmico.
A utopia, se for corretamente compreendida, torna-se, assim, um projeto tangível, como lembra o antigo provérbio:
Homo proponit, sed Deus disponit (O homem propõe, mas é o divino que dispõe).
O nosso papel é agir com sabedoria e visão para moldar um futuro construído sobre o presente, com um olhar incessante para a evolução.
Aqueles que não se adaptarem à evolução estão condenados a desaparecer.
Este alerta é a pedra basilar para decifrar o destino de uma Maçonaria verdadeiramente aberta, boa e ativa no terceiro milénio.
A tradição não é uma corrente, mas uma raiz, enquanto o futuro é o grande desafio que nos espera.
Todo o Maçom, independentemente da sua filiação ou orientação, é chamado a um compromisso profundo e autêntico, para que a fraternidade universal possa voltar a brilhar como um farol na escuridão do nosso tempo.
Abrirmo-nos ao novo não significa trair o passado, mas honrá-lo através de uma homenagem viva e concreta: a coragem da transformação.
Não é opcional, mas um imperativo moral e espiritual manter a integridade e a vitalidade da nossa ordem.
Só assim podemos continuar a inspirar esperança, liberdade e fraternidade, não como palavras vãs, mas como princípios incorporados na vida quotidiana.
Como ensinam os mestres antigos e modernos, a sabedoria nunca é estática, mas um fluxo perpétuo.
Vita est motus (A vida é movimento).
E assim deve ser a nossa querida instituição.
A sua eterna juventude e pureza essencial residem na sua capacidade de mudar e de se adaptar.
Hoje, mais do que nunca, todo o Maçom deve sentir-se parte de um grande esforço coletivo, chamado a construir um mundo melhor. O momento de agir é agora, com firmeza, paixão e convicção.
O futuro é uma página em branco que aguarda apenas a nossa assinatura, a nossa dedicação à luz, à justiça e à fraternidade universal.
Esta conclusão não é apenas um apelo, mas um imperativo que abala os próprios alicerces da nossa fraternidade.
É um chamamento vibrante e apaixonado à ação, que nos incita a romper as correntes da imobilidade e a atravessar o limiar de uma nova era, que exige de nós coragem, clareza e responsabilidade.
A Maçonaria no terceiro milénio já não se pode dar ao luxo da rigidez do passado nem do medo da mudança.
Deve tornar-se uma matriz de verdadeira inclusão, de diálogo autêntico e de compromisso concreto com a justiça e a fraternidade universal.
Jamais trairemos a nossa essência sagrada, conservando intactos os nossos valores mais profundos.
Na verdade, é precisamente na renovação que estes valores encontrarão nova vida e energia.
O segredo que guardamos não é um muro de exclusão, mas um farol de luz, um eco eterno de princípios imortais que nos guiam para uma sociedade mais igualitária e livre.
A nossa força reside na nossa capacidade de sermos tanto guardiões fiéis como inovadores ousados, tecelões de um caminho que une passado e futuro num abraço indissolúvel.
Porque nos lembremos com força: aqueles que não se adaptam à mudança estão condenados a desaparecer.
Este é o aviso que se deve traduzir num compromisso diário, capaz de transformar a utopia da Maçonaria boa e aberta numa realidade viva de cada dia.
Com reverente respeito pelas nossas raízes e um olhar ardente para o futuro, cada irmão e irmã é chamado a iluminar este caminho, para que a nossa fraternidade se possa tornar verdadeiramente uma luz que ilumina o mundo.
A verdadeira sabedoria, de fato, é movimento incessante.
Como ensinam os mestres, Vita est motus
(A vida é mudança).
É movimento perpétuo.
É neste fluxo constante que a Maçonaria encontra a sua eterna juventude e a pureza da sua essência.
Só através da consciência de fazer parte de uma obra coletiva e universal podemos construir juntos um futuro de esperança, justiça e fraternidade.
Agora, mais do que nunca, não há tempo para hesitações ou medo:
é tempo de agir com determinação, paixão e fidelidade aos nossos mais elevados princípios.
Este é o desafio e a responsabilidade de cada Maçom de toda a obediência: ser incansáveis trabalhadores da esperança, homens e mulheres de luz num mundo que precisa de nós, agora e para sempre.
Embora sempre tenhamos sido construtores de catedrais, hoje também somos chamados a tornar-nos “construtores de pontes” — pontes que unem, ligam e se abrem ao diálogo, ultrapassando divisões e barreiras.
Só assim o nosso trabalho poderá ter o poder de transformar a sociedade e torná-la mais justa e fraterna.
Rosmunda Cristiano
"O meu nome é Rosmunda. Vivo a vida com paixão. Tenho um defeito: sou uma pensadora livre. Tenho uma virtude: sou uma pensadora livre."
Tradução: Antônio Jorge-MM
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