No Δ sagrado da Loja, a morte não é fim: é o ritual central.
Hiram Abiff cai sob três pancadas não por traição, mas porque o Templo só se ergue plenamente na ausência do construtor visível.
O corpo deve perecer para que o espírito se torne a pedra angular rejeitada.
Na Câmara de Reflexões, o neófito já morre como profano: despojado, vendado, cercado de caveiras,
ele desce ao V.I.T.R.I.O.L.
(visita o interior da terra, retifica o que encontra e descobre a Pedra Oculta)
No grau de Mestre, a morte se aprofunda:
estendido no pavimento, ferido nos três pontos vitais (garganta, coração, ventre), o candidato simboliza a aniquilação do ego — a palavra covarde que cala, o afeto reprimido, o desejo subjugado.
Três golpes.
Três vícios que matam o Mestre interior.
E é exatamente nessa aniquilação que a ressurreição se torna possível.
Quando o “eu” morre, a Palavra Perdida ressoa por si mesma, no silêncio do Oriente eterno.
Cada Tenida é um funeral e uma ressurreição. Cada malhete que soa ecoa a pancada fatal:
o Templo não se constrói com pedras que resistem, mas com pedras que consentem ser quebradas.
Celebra, pois, o ocaso de cada dia.
É na sombra da coluna partida que o Sol nascente se anuncia.
É na sombra da coluna partida que o Sol nascente se anuncia.
Comentários
Postar um comentário