MORTE... RESSURREIÇÃO NO TEMPLO!

 

No Δ sagrado da Loja, a morte não é fim: é o ritual central. 

Hiram Abiff cai sob três pancadas não por traição, mas porque o Templo só se ergue plenamente na ausência do construtor visível. 

O corpo deve perecer para que o espírito se torne a pedra angular rejeitada.


Na Câmara de Reflexões, o neófito já morre como profano: despojado, vendado, cercado de caveiras, 
ele desce ao V.I.T.R.I.O.L.  
(visita o interior da terra, retifica o que encontra e descobre a Pedra Oculta)

No grau de Mestre, a morte se aprofunda: 
estendido no pavimento, ferido nos três pontos vitais (garganta, coração, ventre), o candidato simboliza a aniquilação do ego — a palavra covarde que cala, o afeto reprimido, o desejo subjugado. 
Três golpes. 
Três vícios que matam o Mestre interior.

E é exatamente nessa aniquilação que a ressurreição se torna possível. 
Quando o “eu” morre, a Palavra Perdida ressoa por si mesma, no silêncio do Oriente eterno.
Cada Tenida é um funeral e uma ressurreição. Cada malhete que soa ecoa a pancada fatal: 
o Templo não se constrói com pedras que resistem, mas com pedras que consentem ser quebradas.
Celebra, pois, o ocaso de cada dia.
É na sombra da coluna partida que o Sol nascente se anuncia.


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