Como diz a antiga tradição, “Conheça-se a si mesmo”; que recordemos era esse lema gravado no frontão do templo de Delfos, e na nossa loja ressoa com força:
Só quem é conhecido pode erguer o Templo interior e elevar a humanidade.
Este caminho de auto-observação apaixonada não é um luxo, é a própria essência da iniciação: despertar do sono mecânico, quebrar as correntes da ilusão da Matrix e descobrir o poder divino que está adormecido em cada um de nós.
Aqueles grandes estranhos:
que somos nós mesmos
Somos para nós mesmos os maiores estranhos, só não nos conhecemos.
Vivemos em uma névoa de ilusões e fantasias, acreditando que nos conhecemos, mas na verdade ignoramos quase tudo da nossa verdadeira essência.
Que aventura mais emocionante e transformadora nos espera quando decidimos nos olhar sem máscaras, sem desculpas, com coragem maçônica!
Existem métodos poderosos e comprovados para nos observar e descobrir quem realmente somos.
Vamos aplicá-los com paixão e determinação!
Primeiro, peça opiniões sinceras aos outros: família, amigos, irmãos de Logia.
Faça isso discretamente, indiretamente ou até mesmo aberto quando o momento permitir.
O que te dizem não é casual; há sempre um fundo de verdade que reflete partes ocultas de você.
Segundo, revele suas projeções, esse mecanismo fascinante que Carl Jung descreveu com mestria: o que mais criticamos nos outros é geralmente o que rejeitamos em nós mesmos, a famosa “sombra”.
O que te escandaliza no sexo?
Você critica vaidade, petulância, superficialidade?
Pergunte a si mesmo: não estarei projetando minha própria sombra?
Jung nos ensina que integrar essa sombra é o primeiro passo para a indivuação, o processo heróico de nos tornarmos seres completos, autênticos, plenos de luz e escuridão reconciliadas.
Terceiro, examine seus lapsos verbais e comportamentais — aqueles “freudianos” que Sigmund Freud revelou como fugas do inconsciente.
As frases que fogem, os erros ao falar, as ações involuntárias ao ver certas pessoas... Por que você evita esse "petulante" ou essa "vaidosa"? Muitas vezes, eles são espelhos exatos do que mais odiamos em nós. Freud nos mostra que o inconsciente se filtra em sonhos, erros e atos falhados, revelando desejos reprimidos e conflitos internos.
Quarto, analise seu senso de humor e suas identificações diárias.
Você ri quando alguém cai, quando vê um erro alheio, ou diante do diferente?
Você corrige constantemente os outros?
Você repara na roupa que outro usa, critica o corpo dos outros, condena a vida dos outros?
Você odeia políticos, ricos, pobres?
Você trabalha só por dinheiro?
Você está com inveja?
Você odeia maçons, religiosos?
O que você sente em relação a quem escreve estas linhas: amor, ódio, indiferença?
Essas perguntas ardem porque tocam o vivo:
nossas reações automáticas nos denunciam.
Quinto, mergulhe em seus sonhos noturnos, sonhos diurnos e fantasias. Freud chamou-os de “o caminho real para o inconsciente”; lá disfarçam-se desejos reprimidos. Você sente visões paranormais ou vê o que os outros não vêem? Observe sem julgar.
Sexto, pratique auto-observação e self-remembering da Quarta Estrada, como ensinaram Gurdjieff, Ouspensky, J.G. Bennett e seus discípulos. Gurdjieff insistiu: o homem está dormindo, é uma máquina de reações mecânicas.
Só através da auto-observação imparcial — sem julgar, apenas ver — e self-remembering (lembrar-se de si mesmo no momento presente, dividindo a atenção entre o exterior e o “eu” interior) é justamente aí que podemos acordar.
Ouspensky explicou isso como o início do caminho para a consciência real; Bennett aprofundava em quebrar a identificação com falsas personalidades e amortecedores emocionais.
É um trabalho ardente, constante, que transforma o dia a dia em escola sagrada!
Enquanto você lê isso, sua mente divaga?
Pare com isso!
Seja objetivo pela primeira vez, leal consigo mesmo.
Questione-se sem piedade amorosa: o que você está escondendo? Que poder está dormindo em você?
Lembre-se da sabedoria eterna:
quem conhece os outros vence algumas batalhas; quem conhece a si mesmo vence todas.
E quem se conhece totalmente pode mudar o rumo da humanidade, porque desperta o poder divino escondido dentro de si: o Grande Arquiteto do Universo manifestado em cada ato consciente.
Em palavras mais simples, o que tudo isso significa:
Basicamente,
nós não nos conhecemos de verdade.
Estamos cegos para nossas partes ocultas, como se vivêssemos de máscara.
Para tirá-la de nós e nos vermos como somos, é preciso fazer exercícios práticos:
perguntar aos outros o que pensam de nós (sem nos defender), perceber o que criticamos forte nas pessoas (porque geralmente é nosso), prestar atenção aos erros que cometemos ao falar ou agir (revelam segredos do subconsciente), ver de o que rimos ou o que nos incomoda (mostra o que negamos), lembrar e analisar sonhos e fantasias (lá saem desejos escondidos), e praticar observar a nós mesmos o dia todo sem nos julgarmos, como se fôssemos um observador neutro (que nos acorda do piloto automático).
Fazendo isso com coragem e constância nos liberta, nos torna mais fortes, mais autênticos e capazes de viver com propósito real.
É o trabalho maçônico mais profundo:
nos conhecermos para transformar o mundo a partir de dentro!
Alcoseri
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