Observa com calma.
Esta não é uma gravura cristã comum.
É um mapa hermético.
A figura central não representa um mártir histórico, mas Mercurius, o princípio vivo da alquimia.
O corpo humano crucificado na esfera indica domínio dos quatro elementos e do mundo sublunar.
A cruz aqui não é instrumento de morte: é eixo.
Vertical (céu-terra) e horizontal (opostos reconciliados).
Na cabeça aparece o símbolo de Mercúrio: o volátil, o mutável, o mensageiro entre planos.
No peito, o sol marcado: o ouro interno. A obra ensina que o ouro não é extraído da mina, mas do centro do ser.
Em ambos os lados, caduceos gêmeos: polaridades. Enxofre e Mercúrio.
Homem e feminino.
Fogo e água.
Alquimia não separa: une. É por isso que o texto latino insiste em “trabalhar o fundo do mundo”: não é geologia, é interioridade.
A esfera sob os pés lembra que o iniciado não foge do mundo; atravessa-o.
O objetivo não é fugir, mas transmutar.
Transformando o chumbo da experiência em consciência.
Esta gravura não promete milagres.
Exige trabalho.
Disciplina.
Silêncio.
Transformação lenta.
Por isso foi criptografado.
Por isso sobreviveu em símbolos e não em manuais.
Quando você entende esse crucifixo,
você entende algo chave:
Eles não estão falando sobre religião,
Eles estão falando sobre operação.
E a pergunta que fica flutuando — a que sempre incomoda — é simples:
Quem decidiu que esse conhecimento deveria ficar oculto...
E quem ainda pratica em silêncio?
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