O HOMEM... PRINCIPIO, FIM...OU MEIO (T. Todorov)

 

Nietzsche disse que o homem não é princípio nem fim, mas meio - seja para levar a vida até as estrelas, seja para jogar-se a si mesmo no abismo.
As bases da vida humana, da organização do mundo, de nossos próprios corpos, estão mudadas e mudando; e no futuro, essas bases serão matéria-prima para o engenho e inventividade humana.
Resta saber, se o homem evoluiu o bastante para fazer bom uso deste universo técnico que criou, ou seja, se terá sabedoria para operar tamanho poder...

Podemos analisar por três perspectivas principais:

1. O Homem como Fim (Perspectiva Ética)

Para Immanuel Kant, o ser humano deve ser sempre um fim em si mesmo, e nunca um meio para atingir um objetivo.

  • O conceito: Significa que nenhuma pessoa deve ser usada como ferramenta para o lucro, para a política ou para o prazer de outrem.

  • A aplicação: É a base dos Direitos Humanos modernos. O valor da vida é intrínseco; você não precisa "servir para algo" para ter dignidade.

2. O Homem como Meio (Perspectiva Biológica/Histórica)

Se olharmos para a ciência ou para a sociologia pura, o indivíduo muitas vezes aparece como um instrumento de algo maior:

  • Evolução: Somos o "veículo" que os genes usam para se replicarem e continuarem existindo.

  • História: Somos peças de um processo social que nos molda. Aqui, o homem é o meio pelo qual a cultura e a espécie se preservam.

3. O Homem como Princípio (Perspectiva Existencialista)

Como diria Jean-Paul Sartre, "a existência precede a essência".

  • O conceito: O homem é o ponto de partida (o princípio) de tudo o que ele mesmo cria.

  • A aplicação: Não nascemos com um manual de instruções. Nós somos o começo de nossa própria história e temos a liberdade (e o peso) de decidir o que seremos.

CONCLUINDO...

  • Princípio: Porque tudo começa na nossa percepção e escolha.

  • Meio: Porque somos parte de um fluxo biológico e social contínuo.

  • Fim: Porque a nossa dignidade é o objetivo último de qualquer sociedade civilizada.


No fundo, talvez sejamos os três ao mesmo tempo:

o princípio de uma ação, o meio pelo qual a vida se manifesta e o fim de toda a nossa busca por significado.



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