Antes dos dogmas, das formulações teológicas e das disputas conciliares, está o
Jesus histórico:
um judeu do século I, nascido e formado no interior do judaísmo do Segundo Templo, inserido numa tradição viva de interpretação, esperança e espera messiânica.
Sua palavra não surge no vazio, mas em um contexto concreto marcado por dominação romana, tensão social, anseio por justiça e expectativa do Reino.
O Jesus histórico fala em parábolas, interpela a consciência, denuncia a hipocrisia religiosa e coloca a experiência interior acima da letra morta.
Não funda uma religião no sentido institucional, mas provoca uma transformação radical do ser humano, apelando ao coração, à conversão interior e à ética do amor que subverte a ordem estabelecida.
Pesquisa histórica não reduz o mistério, mas puxa-o.
Ao separar o Jesus histórico do Cristo dogmático, não o empobrece: devolve-o à sua força originária.
Onde o dogma fixa, Jesus histórico abre; onde a doutrina fecha, sua palavra desperta.
Sua mensagem não é um sistema fechado, mas uma via.
De uma perspectiva rosacruz, o Jesus histórico não é negado nem despojado de sua dimensão espiritual, mas compreendido como um iniciador: alguém que transmite uma experiência viva do Reino, entendida não como um poder externo, mas como uma realidade interior que se manifesta em quem desperta.
“Jesus não veio para impor uma verdade, mas para abrir um caminho de transformação interior. ”
Marquês de Monferrat
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