OS QUATRO ELEMENTOS E OS TRÊS PRINCÍPIOS ...

 

No decurso do trabalho de iniciação há estudos que não esgotam na reflexão teórica, nem resolvem numa simples aquisição doutrinária.

São investigações lentas e sedimentadas, que passam pelo tempo e pela experiência e acabam por questionar diretamente o operador.


O estudo dos Quatro Elementos e dos Três Princípios pertence a esta natureza: não como um esquema cosmológico, mas como uma estrutura viva da Ópera, aplicável tanto ao mundo como ao homem que a observa e a atravessa.

Em particular, este trabalho tomou forma durante uma experiência de geminação ritual vivida em outubro de 2017, numa Grande Loja de Belgrado, no contexto de reunião e trabalho conjunto com irmãos sérvios e austríacos.

Nessa ocasião, além do ritual, das diferenças linguísticas e culturais, surgiu claramente uma necessidade semelhante: encontrar uma estrutura essencial para o trabalho inicial, capaz de falar com todos sem a necessidade de traduções.

Foi neste contexto que o estudo dos Elementos deixou de ser um simples inquérito simbólico e tornou-se um espaço partilhado para o trabalho.

Os Quatro Elementos já não apareciam como categorias abstratas, mas como modos universais de atuação, reconhecíveis por cada Iniciador que sinceramente trabalha em si mesmo, qualquer que seja o ritual ou tradição de pertencer.

Eles não descrevem o que é, mas a forma como o que é é gerado.

Fogo, Ar, Água e Terra não são substâncias, mas estados dinâmicos do processo inicial: impulsos, passagens, recibos através dos quais a Ópera se move, transmite, transforma e eventualmente deposita.

Nesta perspectiva, nada é estático.
Cada Elemento age sobre o outro de acordo com uma lei contínua das relações, tornando visível uma verdade essencial: nenhum princípio é auto-suficiente, nenhuma força funciona sozinha.

Todo mundo encontra significado apenas na sua relação um com o outro.

O que não entra no relacionamento permanece estéril, incapaz de gerar transformação, tanto na matéria quanto na consciência dos Iniciados.
O que este estudo revela fortemente é que a realidade nunca surge da fixidade, mas da ação mútua.

Cada elemento age sobre outro, instiga-o, transforma-o, força-o a mudar de estado.

Nesta cadeia ininterrupta de influências uma lei simples e rigorosa se manifesta: o que não entra no relacionamento não gera. Isto aplica-se à matéria, à consciência, ao trabalho inicial em si.

Quando o fogo age no ar, Zulf toma forma.

Não o fogo cego e destrutivo, mas o fogo que encontrou uma direção.

Zolfo é orientado para impulsos, a força de vontade que encontrou um eixo.

Dentro representa o momento em que a pesquisa deixa de ser vaga aspiração e se torna uma escolha consciente.

É o ponto em que o Iniciado concorda em realmente querer, assumindo o fardo das consequências.
Quando o ar age na água, Mercúrio é gerado.

Aqui o trabalho fica instável, móvel e às vezes inquieto. Mercúrio é o princípio da mediação, da passagem contínua entre diferentes estados.

É o movimento da consciência que aprende a não ser rígido, a não se fixar de forma prematura.

É a capacidade de traduzir a intuição em processo, aceitando a ambiguidade como uma etapa necessária no caminho.

Quando a água age na terra, nasce o sal.

Com a Ópera de Sal entra na sua fase mais concreta e, em conjunto, mais exigente.

O sal é o que fica, o que se conserta, o que pode ser processado ao longo do tempo.

É a forma que guarda a memória.

Dentro, o Sal está a vida transformada: caráter, comportamento, modo de viver no mundo que traz o sinal do trabalho feito.

Sem sal, todo caminho permanece incompleto.

E é neste momento que o estudo leva a um limiar inesperado: a Terra não age.

Não produz um princípio adicional.
Não gera além.

Essa prisão não é falta, mas sim revelação.
A Terra é o último lugar da Ópera, o termo em que tudo é depositado.
É o corpo, a biografia, a densidade da existência.
É aquilo que já não pode ser sublimado, mas apenas habitado.

A Terra não cria porque contém.
Torna-se uma matriz e um nutridor porque toma em si o que foi gerado pelos outros princípios.

Inicialmente, coincide com o próprio operador, com seu limite, com sua sombra.
Nada é realmente realizado até concordar em ficar na Terra, para se medir com queda, peso da forma, duração, responsabilidade.

O fato de que os príncipes são três e não quatro não é uma lacuna, mas uma lei estrutural da Ópera.

Três é o número de ação realizada;
quatro é o número do campo que o suporta.

Confundir esses níveis significa querer espiritualizar o que deve ser encarnado.

A Ópera não é pedir para fugir da Terra,
mas para ficar conscientemente lá.

Esta mesma lei, tão claramente reconhecível no trabalho sobre os Elementos e Princípios, manifesta-se silenciosamente e constantemente num dos sinais mais familiares da experiência maçônica: o avental.

O Initiato muitas vezes o usa sem questionar sobre sua estrutura profunda, mas nada nela é decorativo.
O avental é uma verdadeira mesa portátil, uma síntese visível da Ópera.

Sua forma essencial une um quadrado e um triângulo.

O quadrado aponta para a Terra, para a base estável, para o plano de manifestação e trabalho concreto.
É a figura de medida, limite, responsabilidade.
Como a Terra na Ópera Alquímica, a praça não age: acolhe. É o lugar onde tudo precisa ser trazido, verificado, tornado real.

O triângulo, que é enxertado na praça sem separação, lembra a tríade dos príncipes: Enxofre, Mercúrio e Sal.
É a figura de movimento, tensão, transformação. Indique o que funciona, o que conecta, o que transmite.
Mas o seu significado mais profundo reside no fato de que ele não flutua acima da praça, não o domina: ele se juntou a você.

Essa união afirma sem palavras que o trabalho dos Princípios só pode acontecer dentro da Terra.

O triângulo sem o quadrado seria a fuga espiritual; o quadrado sem o triângulo seria imobilidade estéril.

Só a compreensão deles torna a ópera possível.

Usar avental significa então assumir essa lei: aceitar que você é Terra, vaso, limite, mas também um lugar onde o fogo da vontade, a mobilidade de Mercúrio e a fixação de Sal podem operar.

Neste sentido, o avental não é apenas um sinal de pertencimento, mas uma memória ativa do trabalho a ser feito.

Ela lembra que o que foi estudado, compreendido e compartilhado no Templo deve ser trazido de volta à Terra da existência cotidiana, onde nada é mais simbólico, mas tudo se torna real.

Tem sido assim...
É assim que é!

É assim que vai ser
Sempre!
A ópera continua...

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