“Se... ” — Rudyard Kipling

 

Se você consegue manter a cabeça quando está perto de você...
Todos perdem e culpam você!

Se você pode confiar em você mesmo quando todos duvidam,
mas admitir também suas dúvidas.


Se você puder esperar sem se cansar na espera,
ou sendo enganado para não pagar com mentiras,
ou sendo odiado não acomodar o ódio,
e ainda assim não parecer muito bom ou muito sábio...

Se você pode sonhar — e não fazer dos sonhos seu mestre —, se você pode pensar — e não fazer dos pensamentos o seu objetivo...

Se você puder encontrar o triunfo
e o desastre
e tratar esses dois impostores
da mesma maneira...

Se você aguenta ouvir a verdade que você disse
torcida por malandros para enganar os tolos,
ou ver as coisas pelas quais você deu sua vida quebrada,
e abaixar-se e reconstruí-las com ferramentas gastas...

Se você puder fazer um monte com todos os seus ganhos
e arriscá-lo a uma única jogada,
e perder, e começar de novo do início
e nunca diga uma palavra sobre sua perda...

Se você puder forçar seu coração, nervos e tendões
a servir-te quando não resta nada em ti,
e resistir quando não restar mais do que a vontade
que lhes diz: “Resistam! ”...

Se você pode falar com multidões e manter sua virtude,
ou andar com reis sem perder a simplicidade...

Se nem amigos nem inimigos podem te ferir...
Se todos contam com você, mas nenhum em excesso...

Se você puder preencher o minuto implacável
com 60 segundos de esforço valioso,
tua será a Terra e tudo o que nela há.
e — o que é mais — serás um Homem, meu filho!

Este poema não fala só de sucesso... fala de domínio interior.

De temperar o caráter
como o aço é temperado.

De manter o esquadrão no comportamento e o compasso nas paixões.

Porque o verdadeiro triunfo não é vencer o mundo.
mas vencer a si mesmo.

Que cada dia seja um golpe consciente sobre a nossa Pedra Bruta, até que o Templo Interior reflita a Luz.

Comentários

  1. Interpretar o poema "Se..." (If—) de Rudyard Kipling é mergulhar em um dos guias de conduta mais famosos da literatura mundial. Escrito em 1895, ele é frequentemente lido como um "manual para a vida", mas sua profundidade vai além de simples conselhos motivacionais.

    Aqui está uma análise dos pilares centrais para você interpretar essa obra:

    1. O Equilíbrio dos Opostos (Estoicismo)
    A estrutura do poema é baseada no contraste. Kipling sugere que a virtude não está em um extremo, mas na capacidade de manter a compostura diante de situações opostas.

    Sucesso vs. Fracasso: Ele chama o Triunfo e o Desastre de "dois impostores". A interpretação aqui é que nenhum dos dois define quem você é; o importante é tratá-los com a mesma indiferença.

    Confiança vs. Humildade: Você deve confiar em si mesmo quando todos duvidam, mas também "dar desconto à dúvida deles", ou seja, não ser arrogante a ponto de ignorar críticas.

    2. A Integridade como Escudo
    O poema foca muito na autonomia moral. Interpretar "Se..." é entender que o caráter de um indivíduo deve ser independente do comportamento alheio.

    Se os outros mentem, você não mente.

    Se os outros odeiam, você não odeia.

    A ideia é ser "impermeável" ao caos externo.

    3. A Valorização do Tempo e do Esforço
    Na penúltima estrofe, Kipling fala sobre o "minuto imperdoável". Isso remete ao conceito de Carpe Diem, mas com uma pegada de responsabilidade:

    O tempo não perdoa quem o desperdiça.

    A virtude está em preencher cada segundo com "sessenta segundos de esforço".

    4. O Contexto Histórico: A "Era Vitoriana"
    Para uma interpretação completa, é preciso notar que o poema reflete o ideal britânico da stiff upper lip (manter-se firme, sem demonstrar emoção).

    O destinatário: O poema foi escrito para o filho de Kipling, John.

    A "Virilidade": O final ("...você será um Homem, meu filho!") hoje é interpretado de forma mais universal como o alcance da maturidade plena e da resiliência humana, independentemente de gênero.

    Resumo da Mensagem Central
    A chave para interpretar "Se..." é a Moderação. Não é sobre ser um super-homem, mas sobre ser alguém que não se deixa quebrar pelas circunstâncias. É um elogio à paciência, à persistência e, acima de tudo, ao autocontrole.

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