Francisco Gê Acaiaba de Montezuma (1794–1870), o Visconde de Jequitinhonha, é uma das figuras mais fascinantes do Brasil Imperial. Sua trajetória é marcada por um paradoxo vibrante: foi um ferrenho defensor do Império e, simultaneamente, um dos maiores reformadores da Maçonaria brasileira, além de ter sido um homem negro de imensa influência em uma sociedade escravocrata.
Para entender sua importância, as obras se dividem entre biografias históricas e estudos específicos sobre a fundação do Supremo Conselho do Grau 33.
Obras Principais e Fontes de Pesquisa
Abaixo, elenco os caminhos literários e acadêmicos para estudar Montezuma:
1. Biografias e Perfis Históricos
"Visconde de Jequitinhonha (Francisco Gê Acaiaba de Montezuma)" – de Carlos G. Rheingantz: É uma das referências biográficas mais diretas, focando em sua linhagem e trajetória pública.
"Montezuma: O Estadista do Império" – Diversas menções em obras de José Murilo de Carvalho: Embora não seja uma biografia única, Murilo de Carvalho situa Montezuma como peça-chave na construção do Estado brasileiro e na elite política da época.
2. Maçonaria e o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA)
Como Montezuma fundou o Supremo Conselho do Grau 33 em 1832, a literatura maçônica é onde ele é mais celebrado:
"História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil" – Obra oficial que detalha como ele trouxe a carta patente da França para organizar o Rito Escocês no país.
"A Maçonaria no Império do Brasil" – de Castellani (José Castellani): Castellani é o historiador maçônico mais prolífico do Brasil. Em seus livros, ele analisa detalhadamente o conflito de Montezuma com outras lideranças maçônicas (como José Bonifácio e Gonçalves Ledo).
3. Perspectiva Racial e Jurídica
"Dicionário da Escravidão e Liberdade" (Vários autores): Contém verbetes e análises sobre como Montezuma, sendo um homem de cor, navegou pelos espaços de poder e sua atuação no Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), do qual foi o primeiro presidente.
"O Conselho de Estado no Segundo Reinado" – de José Honório Rodrigues: Útil para entender sua atuação jurídica e política além dos templos maçônicos.
O Legado de Montezuma
Além dos livros, vale destacar que ele foi o fundador do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) em 1843.
Portanto, os anais e revistas históricas do IAB são fontes primárias riquíssimas para entender seu pensamento jurídico e sua retórica.
Curiosidade
O nome "Gê Acaiaba" foi adotado por ele em um movimento de "nativismo", substituindo nomes de origem portuguesa por termos indígenas para afirmar uma identidade puramente brasileira após a Independência.
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