Rituais do confucionismo
Os rituais no confucionismo são centrais
para manter a ordem social e expressar respeito pelas tradições e antepassados.
Esses rituais podem ser divididos em:
Rituais familiares:
incluem cerimônias de homenagem aos ancestrais, como
oferendas e preces em altares domésticos.
Rituais de vida:
como casamentos e funerais, são realizados com grande
respeito pelas normas tradicionais.
Rituais sazonais:
envolvem celebrações em templos confucionistas durante
ocasiões específicas, como o aniversário de Confúcio.
Rituais educativos:
associados à valorização da educação e ao cultivo das
virtudes.
Símbolos do confucionismo
Embora o confucionismo não seja uma religião formal com símbolos universais, alguns elementos são
amplamente associados a ele:
O caractere "Ren" (仁):
representa a benevolência e é frequentemente usado
para simbolizar os ensinamentos de Confúcio.
Os templos confucionistas:
estruturas dedicadas a Confúcio e seus discípulos são
consideradas espaços sagrados para reflexão e celebração.
A imagem de Confúcio:
retratos e estátuas do filósofo são comuns em templos e
centros culturais.
A flor de lótus:
embora compartilhada com outras tradições,
simboliza pureza e aperfeiçoamento espiritual.
Livro sagrado do confucionismo
O confucionismo não possui um livro sagrado único, mas uma coleção de textos clássicos que formam a base de
seus ensinamentos:
Os Cinco Clássicos (Wu Jing):
incluem obras como o Livro das Mutações (I Ching)
e o Livro das Odes, fundamentais para compreender a
cultura e a filosofia confucionista.
Os Quatro Livros (Si Shu):
incluem textos como o Analectos de Confúcio (Lun Yu),
que registra diálogos e ensinamentos do mestre.
Outros textos históricos:
obras complementares, como o Livro dos Ritos, detalham
os costumes e rituais confucionistas.
Quem é o deus do confucionismo?
O confucionismo não é teísta e não adora um deus específico.
Em vez disso, concentra-se na moralidade, nos valores
éticos e no respeito às tradições humanas.
Apesar disso, a filosofia reconhece a existência de um
conceito transcendente chamado Tian (Céu), que
representa a ordem universal e a fonte de
moralidade.
Tian não é uma divindade antropomórfica, mas um
princípio que governa a harmonia do cosmos e das
relações humanas.
O foco principal do confucionismo está em como os
seres humanos podem viver em harmonia com o Tian,
por meio da virtude e da responsabilidade social, em vez de
buscar salvação ou intervenção divina.
Confucionismo no Brasil
No Brasil, o confucionismo tem uma presença limitada, mas exerce influência por meio da diáspora chinesa e
das práticas culturais trazidas por imigrantes.
Centros culturais e templos confucionistas em cidades como
São Paulo promovem o estudo de seus ensinamentos,
especialmente no contexto de festivais e eventos
comunitários.
Além disso, o confucionismo tem ganhado relevância acadêmica em universidades brasileiras, onde
é estudado como parte das tradições filosóficas e
culturais do Leste Asiático.
Sua ênfase na harmonia social e na educação também
inspira reflexões sobre ética em sociedades
contemporâneas.
Origem e história do confucionismo
O confucionismo nasceu na China durante o período dos Estados Combatentes (475-221 a.C.), quando Confúcio
buscou restaurar a ordem em uma sociedade
marcada por guerras e desintegração moral.
Seus ensinamentos ganharam destaque durante a
dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.), tornando-se a base da
administração pública por meio do sistema de exames
imperiais.
Ao longo dos séculos, o confucionismo evoluiu, integrando
elementos de outras tradições, como o taoismo e o
budismo, formando o neoconfucionismo durante a
dinastia Song (960-1279).
Com a modernização e a ascensão do comunismo na
China, sua influência diminuiu, mas ele permanece
relevante como uma tradição cultural e ética.
Os Estados Combatentes, período no qual nasceu o confucionismo.
Curiosidades sobre o confucionismo
Aniversário de Confúcio:
é celebrado anualmente em 28 de setembro, reconhecido como o Dia dos Professores em muitos países
asiáticos.
Primeira universidade confucionista:
foi fundada na China durante a dinastia Han,
promovendo o estudo dos clássicos.
Reconhecimento internacional:
a Unesco declarou os templos, florestas e túmulos de
Confúcio na China como Patrimônio Mundial da
Humanidade.
Confucionismo e negócios:
muitos empresários asiáticos aplicam os valores
confucionistas em suas práticas de gestão, destacando
a ética e o respeito hierárquico.
Fontes
COSTA, Alexandre. O Confucionismo e seu impacto na educação. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/41092/1/
ConfucionismoImpactoEduca%C3%A7%C3%A3o.pdf
BUENO, André. Confúcio no Brasil: um problema
epistemológico. Modernos & Contemporâneos,2024.
Disponível em: https://www.academia.edu/48920950/
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capa_e_sum%C3%A1rio_
SIMÕES, Ana Soré Araújo;
GOMES, Inalígia de Figueirêdo;
GNERRE, Maria Lúcia Abaurre.
Confucionismo e ética: uma prática integrada à vida.
Religare, v. 8, n. 1, 2011.
Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/
religare/article/view/10946.
RAMOS, Marcelo Maciel;
ROCHA, Rafael Machado.
O confucionismo político e os caminhos para um
constitucionalismo chinês.
Revista de Ciências do Estado, v. 1, n. 1, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/57253.
VIGGIANI, Tatiana.
Desenvolvimento da República Popular da China:
o novo confucionismo e a educação.
Anais da XIII Semana de Relações Internacionais da UNESP,
2015.
Disponível em: https://www.marilia.unesp.br/Home/
Eventos/2015/xiiisemanaderelacoesinternacionais/
desenvolvimento-da-republica_tatiana-viggiani.pdf.
CONFUCIO E MAÇONARIA,
O PRECURSOR
Confúcio, de nome original Kong-Fou-Tzeu, nasceu em 551 a.C., dois séculos depois de Homero e da fundação
de Roma, e um século antes de Sócrates, tendo sido
contemporâneo de Lao-tzeu, Buda, Zoroastro, Ezequiel,
Pitágores e Thales.
Considerado como um dos grandes instrutores da
humanidade e como o primeiro “educador” da China,
os seus ensinamentos dera origem ao Confucionismo,
doutrina política e social que foi eleita como
“Religião de Estado” durante a dinastia Han, só tendo
sido banida no início do séc. XX.
A sua doutrina preconizava o primado da ordem do ]
Estado e da virtude segundo o princípio da “justiça para o
povo, progresso para a instrução e conduta regulada
pelo Esquadro e o Compasso”.
Estes são de facto alguns dos princípios que nos são
transmitidos desde a nossa Iniciação Maçónica.
Passou a maior parte da sua vida na sua província natal
situada no Nordeste da China, a cerca de 450km a sul de
Pequim.
Na sua juventude, participou em rituais religiosos, muito
importantes na China daquele tempo.
Acreditava que os rituais com música asseguravam o
equilíbrio dos indivíduos e da ordem social, resultando na
ordem do Universo.
A mística da harmonia do mundo e da sociedade serão
a base da doutrina do Confucionismo.
Aos 22 anos abre uma escola com um ensino baseado
na tradição, afirmando:
“Eu não invento nada,
só transmito os ensinamentos dos antigos”.
Este é também um dos propósitos primordiais
da Maçonaria, transmitir o conhecimento que nos é dado
pelos mais experientes e conhecedores.
Teve trabalhos administrativos durante longos anos e,
só em 501 a.C., já com 50 anos, foi nomeado
Ministro da Justiça no seu regresso a Lu.
No entanto, deixou essas funções e, durante um periodo
de grande agitação, lutas de poder, guerras e
desprezo pelos valores fundamentais que defendia,
Confúcio iniciou uma fase de exílios,
mais ou menos forçados.
Durante 14 anos, fez várias viagens e peregrinações por
muitas regiões chinesas, onde foi adquirindo experiencia
e conhecimentos que transmitiu aos seus discípulos, e que
reforçaram a base da sua doutrina, compilada em
4 Volumes Fundamentais:
“O Grande Estudo”
“O Invariável Meio”
“Citações de Confúcio”
“Mencius” (escrito pelo seu discípulo Mencius)
Conhecido como “Mestre Kong”, preconizou o respeito
pela ordem familiar e pela vida exemplar buscando
a “Vontade do Céu”.
Sem nunca evocar o nome de Deus, falou numa
Ordem Cósmica, conseguida através da evolução pessoal
(leia-se a construção do nosso Templo Interior)
e do respeito e amor pelos outros
(leia-se o nosso Amor Fraternal).
Os seus ensinamentos, apesar de dirigidos
maioritariamente à formação de futuros homens de poder,
estavam abertos a todos e não só aos filhos dos príncipes.
Deve-se a ele a transformação da palavra “Junzi”
(“gentilhomme” em francês, ou “gentleman” em inglês)
que, antes dele se associava à nobreza de sangue,
em nobreza de coração, ou seja, abarcando a noção de
Igualdade de todos os homens de bem,
tão cara à Franco Maçonaria.
Confúcio recusava a desordem e a falta de ética
que reinava na dinastia Chou, preconizando a
renovação dos princípios e preceitos dos sábios da
Antiguidade.
Na sua escola iniciou os seus alunos nos autores antigos
da literatura chinesa, realçando o papel fundamental da
música e do exemplo de conduta, como bases para a
prosperidade dos homens e do mundo.
É impossível não vermos as enormes semelhanças
com os princípios maçónicos que praticamos.
Se Confúcio foi visto como “O Mestre”, ele considerou-se sempre como um aluno, um eterno Aprendiz, fundando toda a sua dourina
na Tradição, tal como nós Maçons de hoje.
As fontes principais da sua doutrina foram
os Cinco Clássicos Livros Canónicos:
O Livro ou Canon dos Poemas (Shi Jing ou Cheu King) - onde descobre as chaves morais para a elevação do coração, a poesia,
a harmonia das palavras, a retórica e a gramática.
As nossas Artes Liberais,
tão importantes no nosso
percurso maçónico.
O Livro ou Memorial dos Deveres e dos Ritos
(Li Ji ou Li Ki) - onde está explanada toda a
experiencia humana, desde o nascimento até à morte, e
descritos os obstáculos e provas a superar pelo homem
através dos deveres e virtudes fundamentais:
o respeito por si próprio e pelos outros,
a fraternidade,
a lealdade,
a fidelidade,
a diligencia e
a caridade.
Os ritos ajudam a moderar a conduta, a medir os
gestos, a controlar os instintos, a travar os
preconceitos, dando um valor espiritual e moral à
vida humana.
Estes ensinamentos são em tudo semelhantes ao
nosso conturbado mas recompensador percurso maçónico.
O Livro das Mutações (Yi Jing ou Yi King) – onde se fala da
dualidade omnipresente na nossa vida:
o branco e o negro do nosso pavimento mosaico,
o espírito e a matéria,
o ying e o yang,
o ativo e o passivo,
o masculino e o feminino,
a Lua e o Sol,
a luz e a sombra,
todos este símbolos maçónicos.
O Livro ou Canon da História (Shù Jing ou Chou King)
– que expõem as vias escolhidas pelos antigos como
exemplos de rigor e devoção aliados a uma certa
mitologia.
Segundo o Mestre, os Homens de Bem possuíam
abertura de espírito e de coração, abrindo-se a si
mesmos e aos outros, atingindo assim a virtude suprema.
Apontou como exemplos Yao e Shun, príncipes que deram
valor ao mérito em detrimento da hereditariedade, e Yu o
Grande pela sua total devoção ao povo chinês.
O Livro ou Canon da Música (livro perdido)
- a música como exaltação dos sentidos, ritmo e vibração,
meio de comunicação entre o mundo sensível e o intangível,
essencial nos nossos rituais maçónicos.
Os ensinamentos destes livros serviram ao Mestre para passar a sua mensagem, não textualmente,
mas adaptados às necessidades da época em que viveu.
Da mesma forma, os textos da Bíblia que lemos nas nossas
Sessões, não podem ser interpretados à letra, assim
como os textos das Old Charges ou das
Constituições de Anderson.
Segundo Confúcio:
“O bom Mestre é aquele que descobre o que há de novo
nas tradições antigas”.
Segundo as palavras de Oswald Wirth:
“a razão não se contenta em recusar o erro e o
preconceito e em constatar a virtude da verdade, mas
também em prestar homenagem aos antigos
pensadores, adaptando as ancestrais tradições ao
mundo atual”.
O Confucionismo, exaltando o ideal da vida humana
como uma série de atos segundo os quais o homem
atinge uma conversão, uma mudança profunda do seu
olhar sobre o mundo profano, voltando-se para si mesmo
para descobrir a Luz que existe dentro de si, a nossa
“Centelha Divina”, responde bem à definição da
filosofia iniciática da Maçonaria.
A abrangência da sua doutrina está bem
patente nas
seguintes palavras:
“Quando a vontade é sincera, os movimentos do coração estão serenados.
Quando as pulsões do coração estão tranquilas,
o homem sente-se livre de todos os defeitos,
a vida pessoal é perfeita e a vida familiar está regulada.
Tendo a vida familiar regulada, a ordem persiste
na vida nacional, reinando assim a Paz Mundial.”.
Eu acrescentaria, transpondo para a nossa vida Maçónica,
o Templo Universal está construído.
E termino com duas das suas mais importantes citações, que todos nós já tantas vezes ouvimos:
“Ama os outros como a ti mesmo”.
“Não faças aos outros o que
não gostarias que te fizessem”.
Serkhet
Confúcio é abordado no grau 28
do Rito Escocês Antigo e Aceito,
chamado “Cavaleiro do Sol” ou
“Filósofo Hermético”.
Nesse grau, o pensamento confucionista é estudado
junto a outras tradições filosóficas e espirituais,
como parte da busca maçônica
por sabedoria universal e ética moral.
Contexto do Grau 28 – Cavaleiro do Sol
Rito: Escocês Antigo e Aceito (REAA)
Número: 28º grau (entre os 33 graus do rito)
Nome: Cavaleiro do Sol / Filósofo Hermético
Tema central:
Filosofia, ética e busca da verdade através
de tradições universais
Referências:
Confúcio, Zoroastro, Pitágoras e outros pensadores
Por que Confúcio aparece nesse grau?
Moralidade e ética:
Confúcio é símbolo da disciplina moral, da ordem social
e da importância da virtude.
Universalidade:
A maçonaria busca integrar diferentes tradições
filosóficas, mostrando que a sabedoria é plural.
Harmonia social:
O confucionismo valoriza hierarquia, respeito e
equilíbrio, princípios que dialogam
com a estrutura maçônica.
Comparação com outros graus filosóficos
Grau, Nome, Referência principal
18º Cavaleiro Rosa-Cruz Cristianismo esotérico
28º Cavaleiro do Sol Confúcio, Zoroastro, Pitágoras
30º Cavaleiro Kadosh Justiça e combate ao despotismo
32º Sublime Príncipe do Real Segredo
Síntese da filosofia maçônica
Reflexão
O grau 28 mostra como a maçonaria não se limita
ao pensamento ocidental.
Ao incluir Confúcio, ela reconhece que a busca
pela verdade e pela virtude é universal.
Esse grau é menos ritualístico e mais
filosófico, convidando o maçom a estudar e
refletir sobre sistemas éticos diversos.
Ulasan
Catat Ulasan