Maçonaria e Ética – uma questão de filosofia de vida (Degival Sebastião da Silva–Marília–SP)

 

ética

O presente post não tem a finalidade de esgotar o tema e nem encontrar uma resposta absoluta, dado a sua abrangência que cada um faz para alcançar diferentes entendimentos, mas sim, apresentar um breve estudo de carácter reflexivo entre Maçonaria e Ética. 

Para falar de Maçonaria, não podemos deixar de dizer que ela se divide em Maçonaria simbólica e filosófica, porque a nossa mente, desde que somos iniciados, passa a estudar por meio da ciência filosófica, o conhecimento humano e das coisas que constitui o mundo material e espiritual, já que filosofia é o estudo da vida e para a vida, assim, podemos dizer que o Maçom se deve instruir a respeito desta ciência, porque a vida em si é o exercício da filosofia.

Maçonaria e Filosofia

Sobre a ciência filosófica, devemos primeiramente entender o que é filosofia e onde ela se encaixa na doutrina e nos princípios da Maçonaria, por ser uma instituição que tem por objectivo tornar feliz a Humanidade, a começar pelo amor, sem esquecer que devemos buscar o aperfeiçoamento dentro da Ordem para moldar os nossos hábitos e costumes, nesse contexto, surge a prática do direito se quisermos alcançar a igualdade e o respeito à autoridade e à crença de cada um, assim podemos dizer que a prática do amor e da sabedoria são os grandes pilares para se fazer cumprir os objectivos na nossa Sublime Instituição, que espera dos seus membros, embora sabemos que a Maçonaria nada impõe, apenas nos indica e orienta pela sua doutrina, até porque nada há de pronto, que nos aperfeiçoe nos estudos sugeridos se quisermos tornar feliz a humanidade. 

Isto quer dizer, que jamais devemos  praticar tão somente no relacionamento entre os irmãos, mas também nos grupos sociais que estamos inseridos, ela dá-nos condições para que cada um nós busque primeiramente o aperfeiçoamento do nosso próprio EU e a partir do domínio de si, estaremos aptos a externar a aprendizagem ao sistema de relacionamento entre as pessoas, por isso, a prática da filosofia maçónica deve ser externada de dentro para fora do Templo – esta é a missão da Maçonaria se quisermos atingir o estilo de vida a nós recomendado pela nossa Sublime Ordem.

Para se aproximar da ciência filosófica, cada um de nós deve procurar as respostas para as mais variadas perguntas de carácter filosóficos, como por exemplo: 

O mundo foi criado? Existe vida após a morte? Como devemos viver? embora tenhamos que ressaltar que o conhecimento de outras pessoas que buscaram as respostas para si, terá utilidade e a nós ser útil para encontrarmos as nossas próprias respostas.

A Espiritualidade Maçônica

Como sabemos, a Maçonaria não é uma religião, mas ela exige que todos os seus Obreiros tenham FÉ num só e Único Deus, que nós o denominamos de Grande Arquitecto do Universo – G∴ A∴ D∴ U∴, esta denominação vem a confirmar que o Maçom tem um só Deus que é Universal, o mesmo Deus de todas as religiões, assim, a doutrina maçónica que estudamos, não lapida o homem se ele não quiser, mas com certeza o incentiva a buscar o crescimento espiritual com elevada conduta Ética e Moral, porque entende que o homem pode atingir um padrão de vida que é capaz de aperfeiçoar o seu senso de justiça.

A Espiritualidade como doutrina cristã, exerce forte papel no quadro de Obreiros para manter a Ordem viva e actuante que desde o seu surgimento, não admite que nos seus meios haja Ateus. 

O profano ao ser iniciado necessariamente passa a demonstrar a sua FÉ em DEUS, o nosso SER Maior que Criou o Universo e todas as coisas que nele existe e existiu, por tudo isso, é o princípio de toda criação, nele o profano deposita plena confiança para se submeter a todas as provas que terá que enfrentar pela frente para o renascimento de uma nova era e novos tempos da sua vida, que é a Maçonaria.

Maçonaria e Justiça

A prática da moralidade é um estado de conduta sugerida a todos os obreiros na certeza de se fazer cumprir a obediência e a prática das leis da justiça divina e da justiça humana, porque sabemos que é por meio da justiça que buscamos a perfeição e a honra, daí vem o sentido da frase “tudo está justo e perfeito”, o justo vem da justiça do direito e o perfeito dos princípios e das normas legais, é por isso que os trabalhos de uma Sessão transcorrem dentro dos princípios e Leis Maçónicas.

A justiça não é um conceito puramente lógico, vazio e sem conteúdo, mas ela jamais se desliga da ética, mesmo sabendo que têm conceitos diferentes, que estão intimamente unidos, porque a convivência social exige que a conduta humana seja pautada de acordo com a moral, sem justiça a vida seria de conflitos constantes entre as pessoas por desconhecerem os seus direitos e deveres, por isso,  o sentimento de justiça é um dos factores dominantes no campo das virtudes que são exigidos dos Maçons, já que a virtude revela o carácter do homem, esse sentimento está explícito no apoio incondicional de toda a Maçonaria Universal pelas lutas aos direitos humanos, sem justiça não há paz e sem paz a liberdade do homem ficaria comprometida.

Como sabemos, a Maçonaria não abre mão das clássicas concepções de justiça, ao mesmo tempo defende as suas lutas e pregações numa filosofia de respeito e dignidade do Homem como um ser capaz de construir uma sociedade onde prevaleçam os ideais supremos de paz profunda, harmonia e justiça niveladora, absorvidos nos mais puros sentimentos de Fraternidade.

Ética Maçónica

Depois de ter dissertado sobre os diversos temas que estão directamente associados à Maçonaria, pergunta-se: Nós Maçons, estamos cumprindo o nosso papel de combate a ignorância, a intolerância, aos preconceitos, aos erros, glorificando o Direito, a Justiça e a Verdade? Estamos promovendo o bem-estar da Pátria e da Humanidade, levantando templos à Virtude e cavando masmorras ao vício para promover a Ética e a Moral?

Para responder, primeiro torna-se necessário entender o que é Ética e Moral e onde estão inseridas na nossa Ordem. 

Pois bem, Ética segundo o Míni Dicionário Aurélio, é o “estudo dos juízos de apreciação referente à conduta humana do ponto de vista do bem e do mal, e ainda, conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta de um ser humano”, enquanto que Moral, são as definições dos costumes editados por regras para cada tipo de sociedade.

A Maçonaria de qualquer parte do Universo promove a Ética e a Moral, porque apresenta aos seus membros leis próprias para regular os usos e costumes das tradições, propondo obediência aos limites definidos nas suas Normas, Constituições, Regulamentos, Regimentos, Landmarks e Regimentos Internos das Lojas. 

Assim, ela dita as normas e regras de condutas do que pode ou não pode ser feito e quaisquer deslizes que infringem o seu código de conduta Ética e Moral, aplica-se as sanções cabíveis.

A Maçonaria é uma Escola Iniciática que admite a Ética como uma disciplina crítico-normativa para os estudos das normas de condutas de convívio social, nos quais orienta a prática do bem, não confundindo com o direito, com a religião e a arte, cujos valores são entre si diversos. 

Ela caracteriza a Ética como uma acção que sintetiza e explica o conjunto de normas individuais, cujo conteúdo é a moralidade positiva, como símbolos e factos que se transformam em valores, entende e compreende a Ética e a interioriza nos seus ritos.

A Ética na Maçonaria não pode se resumir a um código de normas, ela é muito mais que um simples manual, pois devemos compreendê-la como um meio de busca da felicidade de si mesmo e do próximo (Ame o próximo como a si mesmo – Mateus 22:37-39) que é o propósito da Maçonaria, por ser uma sociedade progressista que se preocupa com o progresso interior e com o bem estar do homem, que não se limita somente aos estudos, mas sim, à prática em todos os meios sociais.

Deveres do Maçom

A Norma Jurídica regula as relações humanas, por meio do Direito em Acção, a partir do momento que a Sociedade informa as suas necessidades, surge o jurista como meio moderador para regular as pretensões, sempre partindo do princípio que o homem é a causa e o efeito é o direito, da mesma forma ocorre na Maçonaria, quando o Maçom é a causa por algum comportamento desleal que venha a infringir o cumprimento das suas normas, o efeito é a aplicação do conjunto de normas e leis próprias que regem a Maçonaria.

Quando fomos iniciados, o Ir∴ Orador, que é o guardião da lei,  já nos diz quais são os deveres do Maçom para com a Maçonaria, isso quer dizer que primeiramente somos orientados dos deveres antes mesmo de saber quais são os seus direitos, recordamos que a nós são relevados o deveres, a começar por manter com o  profundo silêncio por tudo aquilo que vimos e pelo que são revelados, onde assumimos o dever de respeitar a Maçonaria como sendo a mais nobre das Instituições Humanas, que nos estimula e exige a prática da virtude, pois a virtude revela o carácter do homem para fazer o bem ao próximo e ser útil à humanidade, e ainda, a obrigação consciente do Maçom em cumprir e se fazer cumprir um conjunto de normas e leis maçónicas, já que a nossa missão é fazer tornar feliz a humanidade a começar pela família maçónica.

Se não bastasse, o Maçom também assume deveres para com a humanidade, se se ele quer desenvolver como membro da Ordem e da própria Ordem as acções de condutas como sendo parte da sociedade como um todo, tem o dever de contribuir para o aperfeiçoamento moral, intelectual, material e social da humanidade, por meio do cumprimento dos deveres, pela prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade, para com a pátria, a Maçonaria sempre se preocupou e se preocupa com a educação cívica do cidadão-maçom.

Recordamos que em todas Sessões Magnas o culto à Bandeira Nacional é uma particularidade da Ordem, não podemos esquecer os deveres do Maçom para com a família, já que os ensinamentos maçónicos são decodificados e repassados à família, através do conhecimento teórico e da vivência prática do dia-a-dia. 

Os deveres para consigo mesmo consistem na prática inabalável de vencer as paixões que degradam o espírito do homem para que possamos usar a expressão livre e de bons costumes, por fim, obediência à lei, não somente a lei profana e a lei maçónica, mas também, a lei Moral, revelada no Livro da Lei.

Considerações Finais

Vale relembrar de alguns momentos da nossa inesquecível iniciação na Respeitável Grande Ordem, das memoráveis perguntas da ritualista iniciática que a nós são formuladas, dentre as quais não podemos esquecer quando somos questionados do que esperamos encontrar na Ordem Maçônica? 

E as respostas são quase que unanimes, a busca do Conhecimento, Evolução Espiritual e Crescimento Pessoal. Então podemos dizer que a Maçonaria é de facto uma das mais Nobres e Respeitáveis Instituições Humanas que preza pelo aperfeiçoamento e cumprimento do direito já que tem como objectivo o amor fraternal entre os Maçons para então tornar feliz a humanidade.

Assim sendo, não é difícil entender que a Maçonaria é uma Escola Iniciática de carácter progressista que contempla na sua doutrina, a Ética como uma disciplina de carácter crítico-normativa que determina as regras de condutas da forma como devemos viver numa sociedade grupal de pessoas com diferentes tipos de comportamentos e atitudes, que ao Maçom é sugerido a tolerância de pensar, sentir e agir por meio da acção como indivíduo ou em grupo social.

Portanto, cabe a nós maçons o dever de praticar a Ética e Moral, dentro e fora dos Sagrados Templos, pois a aprendizagem obtido dentro da Ordem para tornarmos cidadãos exemplares no convívio familiar e social, e ainda, o dever de representar a Maçonaria perante Sociedade Humana, já que ela é reconhecida como instituição que tem como objectivo tornar feliz a humanidade, por ser uma Sublime Instituição, que nos oferece uma rica doutrina que aprimora o nosso espírito, como uma verdadeira Escola de cunho   social, moral e espiritual.


Bibliografia

  • GIRARDIJoão Ivo. Do Meio-Dia à Meia-Noite. Blumenau: Nova Letra Gráfica e Editora Ltda., 2008.
  • Ritual de Aprendiz Maçom. Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo – GLESP. São Paulo, 2017.
  • Regulamento Geral. Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo – GLESP. São Paulo, 2017.
  • GUIMARÃES, Dangler Travassos. Maçonaria e Alta Espiritualidade. São Paulo: Editora A Gazeta Maçônica São Paulo, 1995.
  • diarioadonhiramita.com.br › moral-e-ética-maçónica
  • https://www.freemason.pt › Maçonaria › Valores Maçónicos
  • https://www.significados.com.br/etica-e-moral/

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