O poeta Federico García Lorca. (Por Luciano J. A. Urpia)

 

Um relatório inédito da Polícia de Granada, datado de 9 de julho de 1965, veio à tona e confirma oficialmente as circunstâncias do assassinato do poeta Federico García Lorca.

O documento, de tom burocrático e frio, atribui a execução sumária do poeta, em agosto de 1936, a uma tríade de acusações: ser "socialista, maçom e praticante de homossexualidades".


O texto é explícito ao afirmar que Lorca era membro da Loja Alhambra de Granada, onde adotara o nome simbólico de "Homero".

O relatório detalha os momentos finais do poeta, descrevendo como ele foi preso "com grande pompa" na casa dos irmãos Rosales e depois conduzido aos arredores de Víznar, perto da Fonte Grande.
Lá, "após confessar", foi fuzilado junto com outro detento. A suposta confissão, conforme análise histórica, muito provavelmente refere-se à admissão de sua condição de maçom e de suas ideias, as quais nunca negou em vida.

O documento conclui com uma informação que há décadas intriga investigadores: a indicação do local de sepultamento.

Afirma que Lorca foi enterrado "muito perto da superfície", em uma ravina a cerca de dois quilômetros da fonte, em um local descrito como "muito difícil de localizar".

O relatório não apenas certifica a morte do poeta, mas também valida, ainda que de forma perversa, sua vida como iniciado maçom, vítima da intolerância que sua Ordem sempre combateu.


Comentários

  1. A relação de Federico García Lorca com a maçonaria é um tema envolto em controvérsias e especulações.

    Documentos históricos:
    Um relatório policial de Granada de 1965 o descreveu como “socialista e maçom”, além de outras acusações políticas e pessoais. Essas classificações eram comuns na época para justificar perseguições contra intelectuais e opositores do regime franquista .

    Pesquisas acadêmicas:
    Estudos recentes apontam que não há provas sólidas de que Lorca tenha sido iniciado formalmente na maçonaria. O que existe são indícios de fascínio pelos ritos e símbolos maçônicos, além de referências que aparecem em sua obra literária .

    Contexto político:
    Durante a Guerra Civil Espanhola, ser acusado de maçom, socialista ou homossexual era suficiente para ser perseguido. Lorca foi executado em 1936, e parte das justificativas usadas contra ele incluíam essas acusações .

    Em resumo:
    não há evidências concretas de que Federico García Lorca tenha sido maçom de fato.
    O que existe são acusações políticas e interpretações simbólicas em sua obra, mas a historiografia atual considera sua suposta filiação à maçonaria como não comprovada.

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