Esse é um tema muito rico dentro da filosofia maçônica.
A vida em Loja não se constrói pela unanimidade forçada, mas pela unidade consciente.
Unidade x Unanimidade
Unidade: significa caminhar juntos, mesmo que cada irmão tenha opiniões diferentes. É o compromisso com valores comuns — fraternidade, ética, respeito e busca da verdade.
Unanimidade: seria todos pensarem igual, sem divergências. Isso não é natural nem saudável, porque a diversidade de ideias é justamente o que enriquece o convívio.
O valor das divergências
As divergências, quando tratadas com respeito, estimulam o crescimento intelectual e espiritual.
O debate fraterno fortalece a Loja, porque cada irmão contribui com sua visão e experiência.
O respeito às diferenças garante que ninguém se sinta excluído ou silenciado.
Princípio maçônico
A Maçonaria ensina que a verdade não é monopólio de um só. Por isso, o convívio em Loja deve ser pautado pela tolerância, pela escuta ativa e pela consciência de que a unidade não depende de pensar igual, mas de querer o bem comum.
Em outras palavras: a Loja é forte quando há pluralidade de ideias, mas todos permanecem unidos nos mesmos ideais de fraternidade e construção moral.
Resumo:
Este artigo tem como objetivo apresentar a temática alusiva a construção de um convívio harmonioso em Loja Maçônica, destacando a importância de discutir a unidade ou a unanimidade no convívio em Maçonaria, onde as divergências são respeitadas.
Será apresentado o contexto do tema, a relevância de promover o debate e o contraditório respeitoso, além de ressaltar a importância dos princípios maçônicos nesse contexto.
Ao longo do post, será discutido o significado desses conceitos, suas diferenças e estratégias para fomentar a unidade ao invés da unanimidade e exemplos práticos de convívio baseado na unidade e respeito às divergências.
1. INTRODUÇÃO
A Maçonaria é uma instituição centenária, na forma como a conhecemos hoje está presente a 300 anos no mundo, porém sua história é bem mais longeva, tendo se iniciado com a organização das corporações de ofício de construtores denominados pedreiros que eram responsáveis pelo erguimento de igrejas, catedrais, palácios entre outras obras.
Com o passar dos anos essas corporações foram dando origem a novas formas de estarem presente no mundo, a intenção inicial que era a de formar pedreiros hábeis na construção foi ganhando um caráter filosófico, político, social e agregador de grupos com diversas conformações, desde a nobreza até burgueses.
Com o advento do Iluminismo nascido do Renascentismo cultural percebeu-se uma profunda mudança no fazer das corporações de ofício, deixando o aspecto operativo que as construções exigiam para ter uma característica filosófica de estudos, aprendizado e debates político-sociais, momento em que se torna especulativa, aqui o termo ganha contornos de investigação, compreendendo o presente para dimensionar o futuro, construindo uma base para a humanidade mais coesa e preocupada com o todo.
Corroboramos com trecho de reportagem da REVISTA SUPERINTERESSANTE, 2001, ao afirmar “Após o final da Idade Média, a maçonaria passou a admitir outros membros, além de pedreiros. Transformou-se, assim, em uma fraternidade dedicada à liberdade de pensamento e expressão, religiosa ou política, e contra qualquer tipo de absolutismo”.
Mesmo com a mudança na sua forma e conteúdo, de operativa para especulativa, a célula da maçonaria continuou a mesma. A Loja Maçônica que antes formava pedreiros operativos passou a formar “pedreiros” especulativos, salienta-se que essa mudança não foi abrupta ou repentina, porém um processo antropológico da idade média para a idade moderna, como ocorreu em todos os segmentos, sejam eles políticos, sociais, econômicos e filosóficos destas eras. Assim, cientistas, filósofos, historiadores, nobres, burgueses, entre outras formações e atuações passou a conviver num mesmo ambiente social, mediado pelo simbolismo e pela ritualística maçônica.
A de se notar a riqueza desse ambiente para nutrir de ideias e pensamentos todos que entre si conviviam, naturalmente exige-se num tal lugar a compreensão de que ideias antagônicas, diversas e até opositoras entre si surgiram em profusão, nascendo então a necessidade de se buscar o senso comum ou até a compreensão de que algumas ideias não se mudam na concepção de seu irmão, mas que o respeito prevalecerá.
O que se faz levar a discussão primária deste artigo quando procura analisar a relevância de se ter unidade em uma Loja Maçônica ao invés da unanimidade como imposição factual de harmonia e respeito, aquela exige o esforço pessoal de respeito as diferentes formas de agir e pensar, desde que não maculadas pelo crime ou pela imoralidade, enquanto esta pode esconder frustrações que irão aflorar em algum momento, trazendo rompimentos e dissidências ao grupo.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO DA LOJA MAÇÔNICA.
A Loja Maçônica é a célula da organização maçônica em todo o orbe terrestre, sendo sua unidade é nela que nascem todos os ideários maçônicos, se aprimoram seus ritos, constroem-se seus movimentos sociais e políticos, mesmo que não partidários.
Por isso é incorreto falar que seja a maçonaria apolítica, se assim fosse não teriam os maçons se engajado em lutas desse matiz como os movimentos de independência de países oprimidos por seus colonizadores, porém salienta-se que quando esses movimentos ganham contornos partidários a cisão é inevitável, por isso questões político partidárias não são discutidas em Loja e entre seus obreiros mais dedicados.
Toda Loja Maçônica é conduzida por três oficiais, Venerável Mestre, Primeiro Vigilante e Segundo Vigilante, eleitos por seus iguais e recebem a alcunha de Luzes da Loja.
Nos deparamos então já com um desafio pois deve ser uma gestão colegiada, onde decisões devem ser tomadas em conjunto, trazidas a Loja em conjunto e defendidas em conjunto.
Caso não sejam convincentes ou antagonizadas por outras propostas que possam ser mais viáveis ou interessantes, serão modificadas, aprimoradas ou até mesmo descartadas.
Sendo Luzes precisam guiar com segurança todos os obreiros congregados em Loja, seu entrelaçamento harmônico ou a falta dele refletirá sobre a Loja, sua forma de trabalhar e decidir todas as questões, afeta a prosperidade da oficina e a consolida no meio maçônico, quando estes não conseguem construir um entrelaçamento fraterno a desarmonia vigente entre os líderes extravasará para a Loja, vejamos o que nos diz o maçom BRANCO, Ailton em artigo intitulado AS TRÊS LUZES DA LOJA.
Ao refletir sobre o funcionamento de uma Loja Maçônica trabalhando no Rito Escocês Antigo e Aceito, é natural reconhecer que há três personagens principais e fundamentais; o Respeitável Mestre, o Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante.
Esses destaques entre os Oficiais são considerados os pilares de sustentação da dinâmica necessária para que as atividades tenham força e vigor. A importância dos três principais Oficiais está claramente ligada às suas localizações, às joias que vestem e aos poderes de que estão investidos.
Até seus nomes representativos de Sabedoria, Força e Beleza são expressivos do seu papel em benefício dos seus Irmãos e da sua Loja.
Sendo assim, cabe as Luzes da Loja em primeira instância construir um ambiente dedicado ao aprimoramento espiritual e moral de seus membros, promovendo a fraternidade, a caridade e a busca pela verdade.
Nesse contexto, os debates que permeiam o fazer diário de uma oficina de maçons justos e perfeitos deve protagonizar momentos salutares, o maçom que vai a sua Loja semanalmente procura se enriquecer com o que vê, ouve e é praticado dentro e fora da oficina por isso o respeito às divergências são valores fundamentais que guiam o convívio entre os irmãos.
As reuniões maçônicas são espaços de reflexão, aprendizado e debate, em que as divergências de opinião devem ser consideradas enriquecedoras, mas sempre com o objetivo de manter a unidade do grupo.
A contextualização da Loja Maçônica se dá, portanto, em um ambiente de respeito, tolerância e busca pelo aperfeiçoamento mútuo, onde a diversidade de pensamentos é valorizada sem que isso comprometa a unidade da instituição.
3. SIGNIFICADO E IMPORTÂNCIA DA UNIDADE.
A unidade refere-se à capacidade de um grupo trabalhar em conjunto, mesmo diante de divergências de opinião, mantendo o respeito mútuo e a harmonia no convívio maçônico.
Para Durkheim, 2019, a unidade de um grupo social, como a maçonaria, é resultado de um conjunto de fatores que variam de acordo com o tipo de coletivo.
A consciência coletiva, a divisão do trabalho, as instituições sociais e os ritos coletivos são elementos essenciais para a coesão social e a manutenção da unidade de um grupo que busca ser coeso, porém diverso, unido mesmo nas adversidades.
Os ensinamentos maçônicos já em seu início no grau de Aprendiz Maçom, o primeiro grau da série simbólica de aprendizado do rito escocês antigo e aceito chamam a atenção para o que venha a ser unidade ao trazer como passagem bíblica deste grau o salmo 133, versículos 1 a 3, in verbis:
1
Oh, quão bom e quão agradável é que os irmãos habitem em união!
2
É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Aarão, e que desce à orla das suas vestes,
3
Como o orvalho de Hermom e como o orvalho que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e vida para sempre.
Podemos depreender da passagem que Davi, a quem se atribui a autoria dos Salmos, conclama os Irmãos a viverem em união, para justificar seu argumento apresentado no versículo 1, compara essa sensação agradável como aquela que sente o sacerdote durante a unção sacerdotal.
Ser um ungido de Deus era obter uma das mais importantes bençãos a época, para isso se usava o óleo sacerdotal de difícil produção devido a qualidade exigida para sua fabricação.
Para clarear o quão agradável era a unção sacerdotal, nos valemos da palavra de CORTASIO, Edson, 2013 que explica os tipos de unção que a bíblia traz entre elas a unção sacerdotal: “Unção de Sacerdotes: Os sacerdotes eram ungidos, de modo a consagrá-los e reconhecê-los como pessoas separadas para servir a Deus através do sacerdócio (Ex. 40.13-15).”
Mais a frente, no mesmo artigo ele explica sobre o principal ingrediente deste óleo ao afirmar: “Azeite: Era símbolo da alegria, da saúde e da qualificação de uma pessoa para o serviço do Senhor (Sl. 92.10).”
O Azeite, a época referida, era de difícil obtenção devido as condições de plantio da oliveira, fonte primária do azeite de oliva, ter uma oliveira produzindo em quantidade e qualidade não era tarefa agrícola fácil, por isso o azeite de oliva era considerado precioso.
Pois bem, a união não é fácil de se obter, de se manter, mas é uma benção quando um grupo consegue obtê-la e empreender esforços de entendimento para a sua constância no grupo, mesmo quando eclético no seu pensar e na sua formação, será como o óleo precioso da benção sacerdotal.
No versículo 3 desta passagem Davi compara a união como fonte de vida e abundância, ambos os montes citados na passagem são distantes entre si, mas um depende do outro, gerando reciprocidade, a umidade de um favorece o orvalho no outro.
A unidade se estabelece na troca e na interação de um grupo, de modo que todos ouçam e sejam ouvidos na busca por um consenso que muito embora possa não ser a ideia ou vontade de todos representa um coletivo.
4. O CONTRASSENSO DA UNANIMIDADE
A unanimidade em primeiro momento parece ser fruto de uma decisão coletiva, mas olhando mais de perto vê-se que não.
Para que uma ideia ou pensamento seja unânime é precípuo que todos os envolvidos tenham o mesmo pensamento, ideia e entendimento a respeito de algo.
A Maçonaria estimula seus Obreiros a descobrirem nas coisas ou nos fatos, a sua real significação, mesmo que a interpretação seja díspar com as opiniões dos demais.
O Maçom é um livre-pensador e tem o direito de fazer as associações que quiser, desde que respeite a associação que os outros fizerem. (SOBRINHO, Otacílio S. 2005)
Vê-se que Otacílio reflete, psicanaliticamente, a condição humana na construção de ideias, ressalta que esse é o papel da maçonaria quando estimula seus obreiros a livre investigação da verdade assim corroborando que unanimidade se estabelece como um contrassenso em uma instituição que visa ensinar a arte real a arte do pensamento.
As pessoas são diferentes, portanto, com ideias e pensamentos diferentes, bem como a visão de mundo, isso se dá porque as experiências vividas e vivenciadas por cada pessoa têm uma conotação exclusiva a ela, mesmo que pareçam semelhantes a que outros viveram.
Poderia se afirmar que todos tendem a concordar com o mesmo assunto quando existe plausabilidade para tanto, porém nada é perfeitamente racional para essa decisão unânime.
O que se vê muitas vezes é decidir em unanimidade para não suportar o desconforto do debate, do contraditório ou a exposição social de pensar diferente do todo ou do grupo em que se está inserido e quando a unanimidade, por sua vez, está relacionada à ausência de debate e contraditório respeitoso, pode levar a uma uniformidade de pensamento prejudicial ao desenvolvimento da Loja.
Quando todos pensam igual duas situações podem se impor ou ninguém está pensando ou alguém está pensando por todos.
Não seria razoável descartar que a unanimidade pode ocorrer em fatos que as opções postas ou as escolhas possíveis não permitem uma variedade de caminhos decisórios, quando se esgotou o amplo debate entre os envolvidos do grupo.
Assim pode-se ter em uma Loja a unanimidade quando não se tem escolhas a fazer ou quando o esgotamento da debate não deixa alternativas, deixando luminar que a unanimidade não se deu por todos pensaram de igual maneira, mas porque a situação posta só se permite pensar de uma maneira.
5. DIFERENÇAS ENTRE UNIDADE E UNANIMIDADE
Na convivência em Loja Maçônica, é crucial entender a diferença entre unidade e unanimidade. A unidade diz respeito à harmonia e respeito mútuo entre os membros, mesmo diante de divergências de opinião.
SOBRINHO, Otacílio. 2005 afirma que “Um dos construtos maiores da Maçonaria é a formação e o aperfeiçoamento do homem e por decorrência e complemento a formação de líderes.”
Nesta concepção imagina-se que a formação de líderes numa escola de moral como a maçonaria passa pelo diálogo, vivência e experimentação, obtidas pelo exercício de vários cargos em Loja além da passagem por cerimônias de iniciação em seus diversos graus.
Esta formação faz com que cada obreiro tenha seu próprio entendimento, porém para construir essa liderança ele precisa dialogar com os outros obreiros da Loja, nesse diapasão dialógico a unidade se faz presente.
O verdadeiro convívio maçônico busca cultivar a unidade, valorizando as divergências e promovendo o debate respeitoso em vez da busca pela unanimidade a qualquer custo.
Por outro lado, a unanimidade pode levar à supressão do debate saudável, onde as divergências são negligenciadas em prol de uma falsa sensação de concordância.
A unanimidade oprime ideias e pensamentos, contingenciando a expressão das crenças e valores que um obreiro pode expressar, poderia se afirmar que a unanimidade é quase como um monólogo de várias pessoas, perdendo-se a oportunidade de reciprocidade entre livres pensadores ou se omitindo diante do princípio de fraternidade que a maçonaria se propõe a ser.
Aqui fazemos um momento de digressão para contemplar que a fraternidade maçônica é a argamassa que deve unir a todos os obreiros, ser irmãos não é ter as mesmas ideias e pensamentos, mas ter a consciência coletiva de que meu irmão pensa diferente de mim, mas é meu irmão.
Outro elemento que pode se impor na unanimidade é a incapacidade ou impossibilidade de argumentação diante de um tema exposto.
Quando isso se apresenta é importante que o obreiro e a Loja Maçônica, bem como seus líderes principais deem o tempo necessário para o amadurecimento do entendimento da questão apresentada.
Se esse caminho for desconsiderado, os irmãos proativos podem ser vistos como inconvenientes e como tal invejados. Vejamos o que SOBRINHO, Otacílio. 2005 nos diz: “É que, desgraçadamente, o Maçom não pode ver seu Irmão crescer, desenvolver e progredir. A inveja é tanta que ele remove montanhas para destruir, mas não remove uma palha para ajudá-lo subir, edificar e construir.”
Fica patente que a unidade é agregadora, construtora e edificadora enquanto a unanimidade quando desculpa para o não contato com a diversidade de pensamentos, levará a Loja Maçônica e seus obreiros a um rompimento ou convivência tumultuada.
São estas Lojas Maçônicas que mais dificuldade trazem ao convívio com outras Lojas ou com a Potência, não sendo capazes de lidar com seus problemas internos e omissivas no enfrentamento de suas dificuldades de diálogo e falta de fraternidade, levam suas frustrações além das colunas de seu templo.
6. A IMPORTÂNCIA DO DEBATE E DO CONTRADITÓRIO RESPEITOSO
O debate e o contraditório respeitoso desempenham um papel fundamental no convívio em Loja Maçônica, pois permitem a expressão e confronto de diferentes pontos de vista. Através do debate, os membros têm a oportunidade de expor suas ideias, questionar, e buscar a compreensão mútua.
Esse exercício é diário, contínuo e deve se dar dentro e fora do templo, ou seja, fazer parte das conversas mais simplórias as mais complexas no ambiente maçônico e fora dele.
SOBRINHO, Otacílio. 2005 nos ensina que “A indagação que deve ser feita é se a Maçonaria ou algum Maçom em particular é, para o outro, preferência ou referência”.
Esse ensinamento nos chama a atenção porque se for preferência teremos o ímpeto de sempre concordar, se eximindo do debate e do contraditório de ideias. Se for referência nos colocamos na posição de ouvintes respeitosos e debatedores corteses, aí reside a diferença que faz da maçonaria a arte real do pensamento.
O contraditório respeitoso, por sua vez, promove a reflexão e o aprofundamento das discussões, contribuindo para o desenvolvimento intelectual e moral dos membros.
Dessa forma, o diálogo respeitoso e a consideração das opiniões divergentes enriquecem o ambiente maçônico, fortalecendo a unidade baseada na valorização das diferenças e na busca pela harmonia.
Na Maçonaria o contraditório respeitoso é um ato de fé, consideração e humanização das relações que devem existir entre Irmãos, quando se perde o respeito pelo Irmão não se tem maçonaria, é fundamental que meu Irmão me reconheça como um Irmão e para isso tem que haver respeito e não agressividade.
Nos valemos das palavras de SOBRINHO, Otacílio. 2005 ao afirmar que “a Maçonaria, na sua ritualística, liturgia e pedagogia, reforça a neutralidade de qualquer expressão de agressividade, como ataques, oposições, ridicularização, difamação, vingança, protesto, ironia e calúnia”.
7. ESTRATÉGIAS PARA FOMENTAR A UNIDADE E RESPEITAR AS DIVERGÊNCIAS.
Existem diversas estratégias que podem ser adotadas para fomentar a unidade e respeitar as divergências no convívio em Loja Maçônica. Entre elas, destacam-se a promoção de um ambiente de diálogo aberto e respeitoso, incentivando a participação ativa de todos os membros nas discussões e tomadas de decisão.
“Como a nossa instituição é extremamente democrática, o ideal seria uma disputa de ideias e objetivos, com debates pautados pelo respeito e amor fraterno pelos concorrentes, evitando-se as fofocas extra Templo, onde, na maioria das vezes atacam até a moral do Irmão”, palavras de LOPES, Enielson. Ordem na Ordem. Pág. 33.
De largada apresenta-se como estratégia o estabelecimento de lugar adequado para o diálogo, debate e contraditório respeitoso, a sessão em Loja Maçônica.
Não que no momento extra templo a conversa e o diálogo se estendam, mas este momento não deve fugir da ideia que se debate e se deslocar para a pessoa que a defende, infelizmente é o que não raras vezes se constata.
Na atualidade, com o advento das redes sociais e seus grupos, o espaço se ampliou consideravelmente e muitos pensam que é um lugar sem regras de respeito a ausência do Irmão.
Além disso, é fundamental estabelecer regras claras para o debate, garantindo que as opiniões divergentes sejam ouvidas e consideradas com respeito.
Também é importante promover a empatia e o entendimento mútuo, buscando sempre compreender o ponto de vista do outro e encontrar pontos em comum.
A valorização da diversidade de opiniões e a busca por consensos construtivos são práticas essenciais para fortalecer a unidade e respeitar as divergências no contexto maçônico.
8. EXEMPLOS PRÁTICOS DE CONVÍVIO BASEADO NA UNIDADE E RESPEITO ÀS DIVERGÊNCIAS.
Durante as reuniões da Loja Maçônica, é possível observar exemplos concretos do convívio baseado na unidade e respeito às divergências, onde os irmãos demonstram abertura para ouvir pontos de vista diferentes e debater de forma construtiva. “O homem imprudente pode provocar a discórdia, desunião, o descontentamento e até a ira de uma turba, com pouquíssimas palavras” LOPES, Enielson. Pág. 59. Diante deste cenário possível sugere-se que quando há discordância em relação a algum tema em pauta, os membros utilizem técnicas de comunicação não violenta para expressar suas opiniões, buscando sempre o consenso e evitando conflitos desnecessários.
LOPES, Enielson. Pág. 53 “Aconselhamos àqueles que quiserem apresentar propostas para a “Ordem do Dia”, que façam uma prévia, consultando os irmãos mais influentes da Loja, caso seja um assunto polêmico, para se evitar debates intermináveis”. Destacamos nessa sugestão do autor a certeza de que as regras e costumes da maçonaria primam pela harmonia, sem cercear a liberdade de expressão de ninguém, percebe-se que o cuidado na inserção de temas ao debate passa não só pela iniciativa do obreiro, mas também pela receptividade de seus Irmãos.
Alerta para que essa iniciativa não mascare uma unanimidade de conveniência, para funcionar é preciso que os discordantes da ideia manifestem seu pensamento quando procurado pelo Irmão ao invés de construir caminhos tortuosos em busca da rejeição da proposta.
Além disso, os líderes da Loja Maçônica são responsáveis por garantir que todos tenham espaço para se manifestar, assegurando que a diversidade de pensamentos seja valorizada.
E ao se referir aos líderes não concentramos essa atribuição exclusivamente as Luzes da Loja Maçônica, mas a todo o seu quadro de obreiros, em especial os mais experientes, desde que estes não levem a Loja para a mesmice do danoso adágio popular que diz “aqui sempre foi assim”.
Esses exemplos práticos demonstram como a unidade e o respeito às divergências são colocados em prática no convívio maçônico, promovendo um ambiente de harmonia e crescimento mútuo, propósito da maçonaria ao estabelecer que o lugar de fala deve ser respeitado ao afirmar que toda palavra deve ser feita sem discussões ou diálogos diretos e interpessoais.
9. REFLEXÕES FINAIS.
Nesse sentido, percebe-se que a unidade valoriza a diversidade de ideias e opiniões, enquanto a unanimidade pode inibir a expressão individual e cercear a liberdade de pensamento.
Logo, a unidade permite a construção de soluções coletivas a partir da consideração das diferenças, tornando-se essencial para o fortalecimento da Loja Maçônica.
Tornar-se maçom passa por uma experiência de entendimento de si, autoconhecimento, e entendimento do outro, empatia.
Ficou demonstrado ao longo do desenvolvimento do post que a maçonaria sempre incentivará o convívio fraterno na melhor acepção da palavra, a fraternidade maçônica é posta a prova a todo momento e só sairá vencedora quando tivermos clareza do que buscamos, como buscamos e como construímos essa busca pela justeza e perfeição da obra.
Ao longo deste post, foi possível analisar a importância da unidade e unanimidade no convívio em Loja Maçônica, destacando a relevância do respeito às divergências.
Ficou claro que a unidade promove o debate e o contraditório respeitoso, enquanto a unanimidade representa a ausência de questionamento e discussão saudável.
A alegria deve reinar em todos os encontros maçônicos como momento de enriquecimento trazido pelo aprendizado e é essa alegria que nos faz afirmar ao final dos trabalhos que estamos todos satisfeitos.
Essa satisfação é advinda da certeza de que fui ouvido e compreendido e quando não convenci foi porque preciso aprimorar minha ideia, saindo da Loja com a certeza de que serei respeitado por isso.
Dessa forma, para fomentar um ambiente de convívio baseado na unidade e no respeito às divergências, é essencial valorizar o debate construtivo e o diálogo aberto.
Além disso, a prática dos princípios maçônicos e a valorização dos exemplos práticos de convívio baseado na unidade e respeito às divergências são fundamentais.
Sejamos altivos na busca pela unidade com a tranquilidade de olhar o Irmão que divergiu com o mesmo respeito que olhamos para aquele que concordou, cada obreiro está em um momento de entendimento e consciência coletiva do grupo, mas nenhum de nós deve ser algoz do outro motivados pela inveja, pela vingança ou pela falta de compreensão.
Muitas vezes somos como aqueles da alegoria de Platão no mito da caverna, cada um de nós pode estar em sua caverna interior e nos furtamos a ver a Luz em outro Irmão ou de procurar avisá-lo que está na escuridão.
A verdadeira luz nasce em nós, resplandece em nós e deve contagiar a todos, não brilhando mais que ninguém, mas brilhando para todos na formação do sol com vários raios que resplandecem no fulgor de uma Loja Maçônica unidade e longe da unanimidade.
Portanto, é necessário que os membros da Loja Maçônica estejam comprometidos em promover a unidade, enquanto respeitam as diferenças de opinião, visando sempre o bem comum e o aprimoramento mútuo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
BRANCO, Ailton. AS TRÊS LUZES DA LOJA. Disponível em: https://www.oficina-reaa.org.br/as-tres-luzes-da-loja.html e acessado em 14 de setembro de 2024.
CORTASIO, Rev. Edson. A Unção com óleo. Publicado em 22 de julho de 2013. Disponível em http://portal.metodista.br/metodista.br/fateo/noticias/artigo-uncao-com-oleo#:~:text=Os%20Produtos%20utilizados%20para%20a,;%20Lc%2023.55%2D56 e acessado em 14 de setembro de 2024.
DURKHEIM, Émile. Da Divisão do Trabalho Social (1893). Editora WMF Martins Fontes, 2019.
LOPES, Enielson P. Ordem na Ordem. Grande Loja Maçônica de Minas Gerais. Gráfica KENGRAFF.
MÓRMOM. Bíblia Online. Salmo 133, versículos 1 a 3. Disponível em https://www.churchofjesuschrist.org/study/scriptures/ot/ps/133?lang=por e acessado em 14 de setembro de 2024.
REVISTA SUPERINTERESSANTE. O que é e como surgiu a maçonaria? Publicado em 28 fev. 2001. Disponível em https://super.abril.com.br/historia/o-que-e-e-como-surgiu-a-maconaria/ e acessado em 14 de setembro de 2024.
SOBRINHO, Otacílio Schüler. Psicanálise na Maçonaria. Ed. Maçônica A TROLHA. Londrina. 1ªEd. 2005
TOCANTINS, Grande Loja Maçônica
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