A Ciclologia, estreitamente ligada à História, é a ciência que estuda a natureza do tempo, ao qual dividimos em épocas, eras, séculos, anos, dias, precisamente para canalizar a sua corrente de energia criadora, que não vem de lugar nenhum e flui perenemente, como a serpente que morde a cauda, porque a sua origem é o seu fim e o seu fim a sua origem.
As estruturas da cidade tradicional respondem a esse modelo, começando pelo Zodíaco, o “relógio cósmico”, cujo nome significa a “roda da vida”, associando assim a vida ao tempo, ou à roda do tempo, na qual o Sol é o protagonista principal, pois é o seu “movimento” por cada um dos 12 signos zodíacais aquele que atualiza as potencialidades destes.
Em muitas civilizações certas “medidas” do tempo cíclico (subdivisões do grande ciclo da precessão dos equinócios) são módulos que se traduzem nas “medidas” dos seus edifícios mais icônicos, como templos e outros recintos significativos.
Um exemplo, entre muitos, temo-lo na antiga cidade sagrada de Angkor Wat (Camboja), a mais bela expressão da arte arquitetônica hindu pertencente à antiga e refinada civilização Khmer.
O mesmo se pode dizer da cidade sagrada de Teotihuacan no México e, em geral, de todas as grandes cidades e monumentos arquitetônicos do Mundo Antigo.
Com essas medidas se estabeleciam um conjunto de relações e laços entre o tempo cósmico e o tempo humano, ou seja, entre o tempo celeste e o tempo terrestre, que não decorrem da mesma forma, embora sejam proporcionais e, portanto, análogos, e é precisamente por isso que puderam ser criados as “rodas calendárias”, que tem a virtude de “fixar” o tornar do tempo cósmico inserindo-o no tempo do homem.
Graças a essa fixação, em certas datas do calendário as energias divinas que o tempo veicula podem manifestar-se e integrar-se na sociedade humana, sacralizando-a e colocando-a em consonância com o pulsar do Coração do Mundo, que é a fonte do ritmo e do batimento universal.
Por isso, quando falamos de medidas relativas ao tempo cíclico, não estamos de modo algum a pensar em medidas “quantitativas”, mas em ritmos, cadências ou compassos que cristalizam no espaço, revelando-nos a harmonia íntima do tempo, que se expressa através do movimento regular dos astros em o céu, os mais distantes dos quais constituem para nós referências simbólicas de um tempo que antigamente era concebido como "atemporal", onde habitavam os deuses e que, portanto, permitia intuir o não tempo e a "sensação" da eternidade.
Pois "além" do Zodíaco e do Céu das Estrelas Fixas, ou seja, além desse marco temporal que ordena todos os mundos que contém, os antigos sábios e filósofos concebiam outros céus e outras possibilidades supratemporais pertencentes ao mundo angélico e ao Primeiro Móvel, coroados pelo Empíreo, também chamado de “Cidade Divina”.
Francisco Ariza
Imagem: O Primum Mobile. Rafael Sanzio fresco.
Imagem: O Primum Mobile. Rafael Sanzio fresco.
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