"Liberté Chérie" e a "L'Obstinée"...

 

Em 6 de maio de 1945, quando as forças aliadas já avançavam sobre a Alemanha nazista, um grupo de prisioneiros realizou um ato extraordinário no subcampo de Allach, anexo a Dachau. 

Ali, dias após a libertação, fundaram a Loja Maçônica "Les Frères captifs d'Allach" (Os Irmãos Cativos de Allach). Entre eles estava o resistente francês Georges Dunoir, preso em 1942. 

O Museu da Maçonaria em Paris guarda até hoje o livro de Atas dessa loja, um documento histórico precioso que registra a criação dessa "oficina internacional francófona" em meio ao horror.

O caso de Allach é único: surgiu no limiar entre a libertação e o fim da guerra. 

Apenas três Lojas Maçônicas são conhecidas por terem funcionado dentro de campos nazistas, como a "Liberté Chérie" e a "L'Obstinée". 

A primeira página do livro de Allach traz a eleição dos oficiais da loja, com Roess como Venerável-Mestre e Dunoir como Secretário. 

Em um gesto carregado de significado, os irmãos prestaram homenagem ao presidente americano Franklin Delano Roosevelt, maçom desde 1911, e agradeceram aos aliados pela libertação.

Com anotações meticulosas e abreviaturas da linguagem maçônica, o livro revela como aqueles homens, mesmo após anos de sofrimento, se organizaram para reconstruir laços de fraternidade. 

A reunião seguinte, marcada para 9 de maio, já discutia melhorias na organização do campo.

Por Luciano J. A. Urpia, In: Curiosidades da Maçonaria: o Livro. Masonica. Coimbra: 2025. (Link na Bio)
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